Durante a década de 60, nos Estados Unidos, muitos jovens estavam descontentes com diversos fatos políticos e sociais que estavam ocorrendo não somente dentro do território estadunidense como também ao redor do mundo. Esses acontecimentos passavam por conflitos externos como a Guerra do Vietnã e a Guerra Fria.

Em meio a esse cenário, através de protestos pacíficos baseados nas críticas ao sistema governamental vigente, à violência e ao capitalismo, esses jovens deram início a um movimento que ficou conhecido como Movimento Hippie. 

As origens do Movimento Hippie 

Imagine viver nos Estados Unidos durante os anos 60: pós Segunda Guerra Mundial, em um momento de muita tensão com o apogeu da Guerra Fria e marcado por instabilidades políticas existentes no governo americano. Foi exatamente esse cenário que a juventude americana observou e criticou por meio do Movimento Hippie. Esse movimento foi considerando de contracultura, ou seja, se opôs a cultura tradicional ocidental, que era marcada pelo conservadorismo, capitalismo, imposição religiosa e consumismo. 

Sua origem se deu inicialmente na cidade de São Francisco nos anos 60, principalmente para criticar a Guerra do Vietnã, a qual tinha os americanos como principais financiadores. A principal forma de divulgação do movimento era através de protestos pacíficos pelas ruas do país, onde eram citados os lemas como “paz e amor” e “faça amor, não faça guerra”. 

Influências do Movimento Hippie: o Movimento Beat e os direitos civis da população negra

O Movimento Hippie foi influenciado diretamente por outros movimentos históricos que aconteceram e que estavam acontecendo na sociedade americana. É possível destacar, por exemplos, os Beatniks (geração anterior aos hippies que após a Segunda Guerra Mundial criticavam o materialismo e a violência) e os movimentos negros nos Estados Unidos (principalmente o liderado por Martin Luther King que defendia a ideia de que brancos e negros poderiam viver em harmonia na sociedade). 

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Através de influências como essas, os hippies construíram a base de princípios que caracterizaram o movimento: a crítica ao sistema capitalista e à sociedade de consumo; a defesa da vida comunitária baseada em igualdade e paz entre as pessoas; e a oposição a guerras e à violência. O movimento era constituído por jovens de diversas classes sociais que nasceram no contexto pós guerra e se identificavam principalmente com as ideologias socialista e anarquista

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Festival Woodstock: o marco do movimento

Em uma pequena fazenda do estado de Nova York aconteceu um dos maiores festivais musicais de todos os tempos: o Festival Woodstock. Durante três dias do mês de agosto de 1969, mais de meio milhão de pessoas se reuniram para participar de diferentes shows, fazer o uso de drogas e meditar. Certamente, esse festival foi o marco para o início da cultura hippie, a qual influenciou milhares de jovens não somente nos Estados Unidos, mas no globo todo. 

Ademais, o Festival Woodstock contou com a apresentação de diversos artistas que foram importantes para o Movimento Hippie. Tais artistas – assim como todos os que se identificavam com as ideologias do movimento – eram a favor de uma sociedade pacífica, contra a violência e protestavam em oposição ao sistema vigente através da produção musical. Os maiores nomes que participaram do festival de 1969 foram: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Creedence Clearwater Revival, The Who e Joe Cocker. 

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Quais as características do Movimento Hippie? 

Todo movimento social possui características que o deixa único e diferente dos demais. Com o Movimento Hippie não foi diferente, visto que apesar de ter sido influenciado por outros movimentos também teve as suas peculiaridades. Algumas delas são: 

  • Contracultura: oposição aos valores sociais e culturais da época (como o consumismo, o matrimônio, as ideologias tradicionais da cultura cristã, etc);
  • Pacifismo: valorização da paz entre os seres humanos;
  • Não-violência: os hippies eram contra qualquer tipo de violência e guerras;
  • Antirracismo: lutavam pelos direitos civis da população negra americana;
  • Uso de drogas: acreditavam que por meio de alucinógenos poderiam expandir seus pensamentos; 
  • Estética: os hippies eram caracterizados muitas vezes pelo uso de cabelos longos e roupas largas coloridas. 

Movimento Hippie no Brasil: o Tropicalismo

O contexto político e social vivido no Brasil nos anos 60 era diferente dos Estados Unidos: enquanto o país norte-americano financiava conflitos externos e quase não possuía combates em seu território, no Brasil a Ditadura Militar estava em seu apogeu. Aqui, ela, afetava diretamente a vida cotidiana da população brasileira, atingindo também cada vez mais os artistas com a censura e repressão por parte do governo militar.

Diante disse, surge por meio da produção artística, principalmente através da música, o Tropicalismo. O Tropicalismo não era somente um movimento contra a política brasileira da época, mas também a ruptura com a estética tradicional da música brasileira dos anos 60 – a Bossa Nova, que era um estilo caracterizado pela intelectualidade – adquirindo um caráter musical mais voltado para a cultura popular.

Em meio a isso, no ano de 1967, aconteceu o 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, que foi o marco para o início do Tropicalismo, com a apresentação de artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil. No ano seguinte, houve o lançamento do disco “Tropicália”, que contou com a a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa e a banda Os Mutante (composta por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias). 

Similarmente aos hippies dos Estados Unidos, os jovens brasileiros que se identificavam com a Tropicália aderiram a um estilo peculiar. Por meio de cabelos longos e roupas coloridas, foram capazes de influenciar diretamente a mudança comportamental de diversas pessoas na sociedade por meio de composições artísticas, as quais criticavam o sistema capitalista e o governo vigente. 

No ano de 1969, a Tropicália teve o seu fim decretado. Foi nesse ano que aconteceram as prisões dos cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil, ícones do movimento brasileiro. Com a imposição do Ato Institucional número 5 (AI-5) em dezembro de 1968, a censura e a repressão ficaram mais intensas, assim um processo de seleção cada vez mais rígido definia e censurava quais obras poderiam ir a público. Dessa forma, artistas que eram considerados ameaças para o governo militar acabaram presos e torturados, e aqueles que conseguiam escapar optaram pelo exílio, colocando assim o fim ao Tropicalismo no nosso país. 

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O legado do Movimento Hippie 

Em 27 de janeiro de 1973, os Estados Unidos anunciaram o cessar-fogo contra os vietnamitas, colocando fim à Guerra do Vietnã. Um dos fatos para a saída dos EUA da guerra foi justamente a pressão popular que estava acontecendo no país americano, com a participação fundamental da juventude hippie. Com a redução das tensões na Guerra Fria, a partir desse mesmo ano, o Movimento Hippie nos Estados Unidos começou a perder força. 

No entanto, por mais que o movimento tenha perdido força durante a década de 70, isso não significa que ele chegou ao fim. Por certo, a cultura hippie deixou um legado que atinge a sociedade contemporânea e que evidentemente propõem temas que fazem parte do cotidiano atual e muitos que ainda estão em debate. Dessa forma, é possível citar a luta pelos direitos das mulheres, a importância dos métodos contraceptivos, discussões relacionadas à população negra e homossexual, e os impactos ambientais gerados na sociedade de consumo.

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