O que é previdência privada?

Previdência Privada

 

Você já deve ter ouvido falar em previdência privada em algum momento da sua vida, certo? Seja em um bate-papo nos corredores da empresa, ou até mesmo em uma roda de amigos, o certo é que este tema tem despertado aos poucos, o interesse dos brasileiros, ainda mais visto as incertezas que pairam sobre a situação da Previdência Social no país por conta da Reforma da Previdência.

Neste texto, explicaremos o início da previdência privada no Brasil, como ela funciona, quais os tipos existentes, as suas vantagens e desvantagens, e ainda, quais os pontos de atenção que o leitor deve ter, no momento em que avalia a contratação de um plano, para que tome o devido cuidado de escolher a opção que atenda aos seus anseios e não lhe gere frustrações. Ficou curioso? Continue conosco!

O que é a previdência privada?

Também conhecida como previdência complementar, a previdência privada consiste em fundos oferecidos por instituições financeiras, onde o contribuinte escolhe um valor e prazo para fazer contribuições mensais. Ao final desse ciclo, poderá receber o dinheiro investido de forma integral, mensal temporário ou vitalício.

Como surgiu a previdência privada?

A previdência privada foi regulamentada pela lei nº6.435 de 1977, e desde então tem evoluído através de regulações quanto a valores mínimos, taxas e juros oferecidos, tornando essa modalidade mais uma alternativa de renda complementar para os brasileiros.

Como funciona a previdência privada?

Com a contratação de um plano de previdência, o cidadão passa a contribuir mensalmente respeitando as condições de prazo e valores que foram estabelecidos na assinatura do contrato. Basicamente os planos de previdência são divididos em duas fases:

  • Acumulação: período destinado ao aporte de dinheiro que será aplicado conforme as regras definidas, com o objetivo de aumentar o capital investido.
  • Resgate: fase onde ocontribuinte poderá resgatar o valor de maneira integral ou em mensalmente.

 

Qual a diferença entre previdência privada e Previdência Social?

No Brasil, a Previdência Social é gerida pelo Governo Federal e é classificada como um direito dos cidadãos. É o que assegura o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, que garante ao trabalhador o benefício do recebimento de uma renda a partir do momento em que se aposenta. Ela é tida como um seguro obrigatório para todos os trabalhadores que possuem carteira assinada, e funciona através de contribuições mensais que são descontadas de forma automática do salário dos trabalhadores.

Já para os profissionais autônomos, são os próprios interessados que devem fazer o pagamento através da Guia da Previdência Social – também conhecida como GPS. Se você quiser saber em detalhes como ela funciona, poderá acessar o artigo sobre a Previdência Social.

Bom, mas você ainda está se perguntando qual a principal diferença entre Previdência Social e Previdência Privada?

Certo, então imagine que no caso da Previdência Social, você fará a contribuição obrigatória por um determinado período de anos, até que se cumpra os requisitos – tempo de contribuição e idade mínima – que o tornará elegível para recebimento do benefício.

Já no caso da Previdência Privada, você não precisará cumprir nenhum requisito, podendo a qualquer momento sacar o dinheiro – desde que assuma as possíveis perdas dos valores que foram projetados e estabelecidos na contratação desse serviço. Dessa maneira, uma das principais diferenças entre essas modalidades é a flexibilidade que o contribuinte possui – no caso da Previdência Privada – em negociar as condições para recebimento do dinheiro.

Agora vamos entender um pouco mais sobre os tipos de previdência e suas principais diferenças?

Qual o tipo de previdência privada mais indicado?

O primeiro passo para saber qual tipo melhor atende às suas necessidades é conhecer com propriedade as suas finanças e de qual forma você declara os seus impostos. Dessa forma, ficará mais fácil entender quais são os seus objetivos a longo prazo, o que trará maior clareza sobre o melhor investimento para o seu perfil.

Hoje, no mercado, a previdência privada é dividida em dois grupos:

Fechada: é destinada a profissionais ligados à empresas ou sindicatos, tendo como principal característica o fato de o colaborador contar com o apoio de um desses grupos no momento da contribuição. Vejamos como exemplo um caso onde o colaborador faria uma contribuição mensal no valor de R$ 200,00. A empresa, em contrapartida, visando oferecer mais um benefício para motivar os seus colaboradores, complementaria esse montante acrescentando R$ 200,00 — ou seja, o valor total seria de R$ 400,00. Vale ressaltar que a definição do valor complementar varia de acordo com a política e diretrizes de um desses grupos.

Aberta: é destinada a qualquer pessoa, sem que haja necessidade de vínculo com alguma empresa ou sindicato. Hoje, as duas principais modalidades oferecidas no mercado são a VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e PGBL (Plano Gerador de Benefício Definido). A principal diferença entre essas modalidades, ocorre no tratamento tributário.

VGBL e PGBL, qual escolher?

VGBL: é recomendado para pessoas que fazem a declaração simplificada do Imposto de Renda e também para profissionais liberais ou isentos. Neste caso a tributação ocorrerá apenas sobre o rendimento acumulado, não permitindo que seja feita a dedução anual.

PGBL: é recomendado para pessoas que fazem a declaração completa de Imposto de Renda, contam com uma renda mais elevada e não possuam acesso a um plano fechado vantajoso oferecido pela empresa. Além disso, é permitido que seja abatido no Imposto de Renda até o limite de 12% da renda anual — esta regra incidirá sobre o valor total do plano.

Quais as vantagens e desvantagens da previdência privada?

Em um mercado competitivo, a disputa pelo seu valioso “dinheirinho” é cada vez mais acirrada entre Instituições Financeiras e Corretoras, que buscam oferecer uma série de facilidades que façam com que você confie nelas como a melhor alternativa para multiplicar os seus rendimentos, aumentando a sua renda, a curto, médio e longo prazo.

O problema, muitas vezes, é que ao mesmo tempo que surgem novas alternativas, tomar a decisão correta para seus objetivos pode ser uma tarefa cada vez mais difícil, trazendo o mix de sentimentos que variam entre confusão a ansiedade.

Para facilitar um pouco essa escolha, preparamos uma tabela com algumas das principais vantagens e desvantagens para quem investe na previdência privada:

Vantagens da previdência privada

Desvantagens da previdência privada

Disciplina: se você tem dificuldade em poupar dinheiro, a previdência privada pode ser uma alternativa para você desenvolver esse hábito.

Tributação: os valores da tributação podem ser elevados, chegando a 35% para prazos abaixo de 10 anos. Como a escolha do modelo de tributação é feito no início, é necessário ter clareza na opção escolhida para que não lhe traga dores de cabeça no futuro.

Flexibilidade: permite ao contribuinte definir de que forma receberá o dinheiro ao final do prazo de contribuição

Custos elevados: as taxas de administração podem corroer uma parte significativa dos ganhos. Além de contar com a taxa de carregamento que pode chegar até 5% do total.

Portabilidade: se você não estiver satisfeito com os resultados, existe a possibilidade de fazer a portabilidade para outra instituição.

Sem garantia: por não contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), caso a instituição venha a falência, você perderá todo o dinheiro investido.

Acompanhamento: você contará com um profissional que fará o acompanhamento do desempenho do seu investimento.

Carência: é necessário ter clareza do prazo de carência contratado, pois caso você solicite o resgate do dinheiro dentro desse prazo, será cobrado uma multa.

Inventário: caso haja o falecimento do titular, existe a possibilidade de reverter para os beneficiários sem necessidade de utilizar o inventário

Investimento a curto prazo: para quem procura uma alternativa para sacar o dinheiro a curto prazo, a alíquota do imposto de renda poderá ter valor igual ou superior a 30%.

Devo investir na previdência privada?

Então, depois disso tudo você está se perguntando se vale a pena optar pela contratação de um plano de previdência privada? Saiba, portanto, que você faz parte de uma minoria no país. Segundo dados de pesquisa do Datafolha, cerca de 38% dos Brasileiros aplicam dinheiro em poupança ou em outras formas de investimento. Quando se trata da previdência privada, este número cai ainda mais, chegando próximo a 10%. Segundo um estudo global feito pelo Banco Mundial, os brasileiros são considerados os mais vulneráveis do continente americano em casos imprevistos e emergências.

Desse modo, é fundamental que você se preocupe e planeje o seu futuro, afinal de contas, sua estabilidade financeira estará condicionada aos fatores externos como a situação econômica do país, mas principalmente às escolhas realizadas por você ao longo da sua vida.

Mas isso não quer dizer necessariamente ter uma previdência privada, é importante conhecê-la mas você também deve saber que existem outras opções de investimentos com outras vantagens e características que você pode colocar seu dinheiro para sacar no futuro e complementar sua renda da aposentadoria. Uma dessas formas de investimento é o Tesouro Direto, dá uma olhada no nosso texto!

Tirar um tempo para entender a sua condição financeira e declarar os seus objetivos pessoais e profissionais, é o primeiro passo a ser dado. Por isso, não perca mais tempo, quanto antes você fizer esse exercício de análise, mais próximo você estará de ter o controle da sua vida financeira lá na frente!

E você, acha que a previdência privada vale a pena? Como se planeja financeiramente para seu futuro? Deixe seu comentário e compartilhe esse post nas suas redes sociais!

Publicado em 01 de abril de 2019.

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Fontes:

Folha de S. Paulo – Só 10% dos braisileiros têm previdência prvada, inidica Datafolha.

EXAME – Previdência Privada: artigo de primeira necessidade

Jus Brasil – Previdência Privada

Senado – Artigo 6º

Politize! – O que é Previdência Social?

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