Escreva aqui o que você tem interesse em aprender e veremos o que podemos encontrar:

Assine a nossa newsletter

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

Apoie a democracia e receba conteúdos de educação política

Foto ampla do sorteio da Copa do Mundo do Qatar de 2022 em 1º de abril de 2022. Imagem: Igor Kralj/Pixsell/MB Media/Getty Images.

Publicado em:

Atualizado em:

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on reddit
Foto ampla do sorteio da Copa do Mundo do Qatar de 2022 em 1º de abril de 2022. Imagem: Igor Kralj/Pixsell/MB Media/Getty Images.
Foto ampla do sorteio da Copa do Mundo do Qatar de 2022 em 1º de abril de 2022. Imagem: Igor Kralj/Pixsell/MB Media/Getty Images.

2022 é ano de Copa do Mundo. A Copa do Catar, que tem início previsto para novembro, será a primeira a acontecer no fim do ano, além de ser a primeira a ser sediada em um país do Oriente Médio. Mas a próxima Copa não chama a atenção exatamente pelo seu pioneirismo: a escolha da sede e a sua realização é um grande exemplo do que se conhece como “sportswashing“.

Não conhece? Ou quer conhecer melhor? Vem com a Politize! que te explicamos a que se refere o termo sportswashing é esse e qual é a sua importância para entender o mundo atual! 

Leia também: 5 vezes que a política entrou nas Olimpíadas

O que é sportswashing? 

O termo vem do inglês e, se traduzido para o português de forma literal, corresponde a algo como “lavagem esportiva”. E faz todo o sentido, já que o sportswashing acontece quando um governo usa o esporte para esconder, ou até mesmo apagar, determinadas ações criando uma imagem positiva do país para o mundo, exercendo seu Soft Power (seguindo o conceito de Joseph Nye Jr., o Estado promove valores culturais e políticos para exercer sua influência, sem a necessidade de impor a força militar). 

O conceito passou a ser mais conhecido há pouco tempo — a partir de 2018, graças à Anistia Internacional – mas iniciativas do tipo não são exatamente uma novidade

Lá em 1936, por exemplo, as Olimpíadas de Berlim serviram como propaganda do regime nazista de Adolf Hitler e da sua tese de superioridade da “raça ariana”

Em 1978, em outra Copa do Mundo, desta vez a da Argentina, serviu à Junta Militar que comandava o país desde 1976 como um meio de angariar apoio da população e esconder as constantes violações de Direitos Humanos cometidas pela ditadura argentina, como torturas e assassinatos. 

Mais recentemente, a partir do início dos anos 2010, temos o caso do Azerbaijão, que passou a apostar no patrocínio de grandes times de futebol europeus (como o espanhol Atlético de Madrid) e na promoção de eventos esportivos no país como grandes prêmios de Fórmula 1 e a final de torneios continentais — tudo isso para melhorar a sua imagem e tentar tirar o estigma de um governo autoritário para a comunidade internacional, conhecido por impor prisões arbitrárias e censurar a imprensa

Veja também nosso vídeo sobre autoritarismo!

A influência que vem do oriente médio

Pois bem, o sportswashing não é uma criação do século XXI. Mas o que fez o sportswashing se popularizar e entrar em evidência? 

A questão é que novos (e poderosos) atores entraram em cena: países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos, resolveram apostar no esporte como meio de exercer o soft power e amenizar sua imagem perante o mundo.

Tudo isso é garantido pelas enormes reservas de petróleo e gás natural que possuem. E, para isso, concentraram esforços no futebol europeu, que reúne os clubes de futebol mais ricos do planeta

Não dá pra dizer que deu errado. Sabe o estrelado elenco do PSG (Paris Saint-Germain), capaz de reunir Messi, Neymar e Mbappé no mesmo time?

Tudo bancado por Nasser Al-Khelaifi, presidente de um fundo de investimentos ligado ao governo do Catar. O Manchester City, comandado por Pep Guardiola e dominante na Inglaterra nos últimos anos, tem como dono Mansour Bin Zayed Al Nahyan, integrante da família real dos Emirados Árabes, que comanda o país. E não para por aí. 

O poder exercido pelos países e seus dirigentes também chegou à FIFA e UEFA, responsáveis por comandar o futebol no mundo e na Europa, respectivamente.

Tudo isso sem que os tais Estados, que em maioria são monarquias absolutistas, se movessem (ou fossem ao menos verdadeiramente pressionados) para mudar suas estruturas políticas internas. 

Crimes de regimes como o da Arábia Saudita (o chocante assassinato do jornalista opositor Jamal Khashoggi, em 2018, por exemplo), ganham “vista grossa” de países como os Estados Unidos. 

A copa do mundo 

Sportswashing. Imagem: Reprodução de Lei em campo, 2020.
Sportswashing. Imagem: Reprodução de Lei em campo, 2020.

A Copa do Catar já tem alguns de seus estádios suntuosos prontos antes do prazo. Tudo isso às custas do dinheiro do petróleo e do gás, é claro… mas também de vidas. As condições de trabalho no país são precárias e há a estimativa de que cerca de 6.500 trabalhadores tenham morrido nas obras. 

Além disso, há restrições aos direitos das mulheres e dos LGBTQIA+. Nada que tenha impedido a FIFA de escolher o país como sede do torneio. Até o momento, parece não haver limites para o sportswashing.

E aí, compreendeu o que é sportswashing? Deixe sua opinião nos comentários!

Referências:

Lucas Ricardo Barbosa Gonçalves

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Passe o mouse e descubra:

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Clique abaixo e descubra:

Orgulhosamente desenvolvido por: