6 FILMES SOBRE POLÍTICA QUE MERECEM SER ASSISTIDOS

Foto: Fernando Sousa / Flickr

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Este texto é um artigo de opinião que foi escrito por uma redatora voluntária do Politize!, a Marli Mendes.

Como todo cinéfilo, estou sempre procurando enredos de filmes que agucem minha curiosidade e ao mesmo tempo tenham “moral de história”. Pensando nesta ideia, me interessei em assistir alguns filmes sobre política, até para aprender mais sobre o assunto e em quais ambientes/situações podemos ver a política e sua dinâmica. Abaixo, indico alguns filmes que valem a pena serem assistidos e estão disponíveis no Youtube.

Filmes nacionais sobre política

Dos filmes brasileiros, foram resumidos dois: o filme “Privatizações”, de Sílvio Tendler e o filme “Getúlio”, de João Jardim.

Privatizações – a distopia do capital (Sílvio Tendler) – 2014

Foto: filme Privatizações / reprodução Youtube

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O filme trata das privatizações na década de 1990, que chegam ao Brasil junto com a ascensão do neoliberalismo mundial. Mas, o que é o neoliberalismo? Em linhas gerais, são ideias políticas e econômicas que defendem a não participação do estado na economia e a liberdade total de comércio, para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social do país. Iniciado no Governo , o neoliberalismo teve continuidade na gestão do Presidente Fernando Henrique Cardoso.

O diretor Silvio Tendler conta com a participação de vários intelectuais, professores e líderes de sindicatos para explanar a lógica do capitalismo no processo de privatização e da desconstrução da política que era implementada até então, iniciada pelo Governo de Vargas, de estatização de empresas. O filme se constrói em uma série de entrevistas demonstrando como as privatizações contribuíram para desestatizar (tirar da tutela do Estado) os serviços brasileiros, gerando apagões, crises e desemprego.

Faz comparação com a crise de 2008, que eclodiu nos Estados Unidos e repercutiu no mundo inteiro, além de abordar também a economia europeia. Defende a ideia de que os partidos da esquerda desenvolvam um projeto de nação para organizar a economia e estimular a pressão popular para mudanças significativas na política econômica. Fora isso, o filme argumenta que antes das privatizações estava posto um Estado voltado ao interesse do trabalhador e não da burguesia, um Estado plural e não excludente. Este filme é enfático em seu posicionamento contra o neoliberalismo.

Getúlio (João Jardim) – 2014

O filme relata as intrigas da Presidência da República e as entranhas do poder nos últimos 19 dias de vida de Getúlio, mostrando as conspirações e tramas nos bastidores para que o presidente seja deposto ou renuncie. Getúlio foi um ditador confesso, admite no filme ter rasgado duas Constituições enquanto esteve no comando, com o objetivo de se manter no poder.  Mas apesar de ter sido  um ditador, voltou à presidência novamente por voto democrático.

O filme mostra muito do que vivemos hoje na política brasileira, expondo que o hábito das negociatas, lobby, conchavos, chantagem, alianças ilícitas vêm de muitos anos e não acontecem somente na atualidade. O jogo político, do fazer o que é interessante para mim em detrimento do que é importante para o bem-estar do país e a autoridade que o poder continuado por vezes traz, em razão das características que se perpetuam num sistema político que se adentra, a fim de obter vantagens econômicas e políticas.

Getúlio é um filme que deve ser visto, seja para conhecer um pouco melhor a história da política do Brasil ou para conferir o homem por trás do presidente interpretado por Tony Ramos.

Foto: cartaz filme “Getúlio” / Adorocinema

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Filmes internacionais sobre política

Fugindo um pouco da filmografia brasileira, separamos dicas de 4 filmes internacionais que mostram como a política pode estar inserida nos mais diversos níveis e ambientes. A Onda (alemão), O capital (francês), Tudo pelo poder (estadunidense) e por último, O Quinto Poder, também feito nos Estados Unidos.

A Onda Die Welle (Dennis Gansel) – 2011

Este filme, inspirado no livro de mesmo nome (A Onda),  expõe uma história baseada em fatos reais ocorrida na Alemanha. A trama se inicia quando o Professor Rainer Wenger, simpatizante do anarquismo, é direcionado a assumir as aulas sobre autocracia – ideologia que significa poder ilimitado e absoluto – para alunos do ensino médio. A história se desenrola a partir de uma pergunta: É possível instituir um regime totalitário na Alemanha?

Percebendo o descrédito dos alunos, usou de sua criatividade e didática para envolvê-los em um exercício de autocracia, para que entendessem como esta ideologia se forma,  pelo período de uma semana.

Neste exercício pedagógico, mostrou na prática como se dá a manipulação ideológica de um conjunto de jovens que seguem uma liderança forte, no caso, o professor. Durante este exercício criou-se um movimento unificador com participação entusiástica dos alunos, com símbolos, uniforme, saudações e preconceitos em relação aos alunos que não aderiram ao movimento.

A força da iniciativa cresce rapidamente e se espalha pela cidade, com o grupo de alunos agindo como uma gangue, fazendo prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais, tornando-se um modelo do fascismo, ou seja,  submetendo outros alunos a um forte controle ditatorial.

Fica bem claro que por se tratar de um público de adolescentes, o grupo torna-se mais influenciável pela figura do professor como líder e formador de opinião. Merecem destaque também aspectos psicológicos, pois alunos que possuíam menos atenção familiar acabaram por ter a figura do professor e as teorias pregadas em sala de aula como verdades absolutas e que deveriam ser seguidas. O filme mostra como a massa pode ser manipulada e como uma ideologia mal-orientada e extremista pode causar estragos, principalmente numa juventude que ainda está em formação, com problemas de identidade e em processo de formação de personalidade.

Foto: cartaz filme “A Onda” / reprodução Filmesonline

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O Capital (Costa Gravas) – 2012

Foto: cartaz do filme “O Capital” / reprodução: Diário Liberdade

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O filme é iniciado com a frase: “O dinheiro é um cão que não pede carinho. Lance a bola o mais longe possível e ele o traz indefinidamente.”

Este filme é uma leitura esmiuçada sobre aspectos do neoliberalismo: o enredo acontece durante o clima de crise europeia, que começou em 2008 em decorrência da crise econômica da bolha imobiliária nos EUA, e retrata o poder político, o complexo modelo reestruturado do capitalismo e a selvageria social e financeira causada por ele.

Marc Tourneuil (Gad Elmaleh), o protagonista, é um escritor e homem de confiança do então presidente do banco Phoenix, que morre em função de um câncer de próstata. Após seu falecimento, Marc é promovido pelo conselho à Presidência do banco temporariamente, mas age nos bastidores para se manter no controle da instituição. No decorrer do filme, vemos a sua rápida ascensão e, em contrapartida, seu declínio moral movido pela ganância e suas escolhas para se manter no poder. Sua ambição se encaixa nos moldes das teorias de Maquiavel pelo poder e dinheiro, é uma tentativa de obter respeito dos seus pares, devido a sua crença de que quanto menor o salário, menor o respeito. Esta característica do personagem demonstra a importância do dinheiro na sociedade de consumo. Realizam demissões em massa com o intuito de aumentar os lucros do banco, colocando em risco as políticas sociais adotadas pela instituição, caracterizando a completa inversão de valores nas ações, ou seja, desrespeito a ética e as políticas internas do banco. Durante todo o filme percebe-se muita manipulação, a forte presença do lobby, deslealdade, conflitos de interesses, espionagem, divulgação de informações privilegiadas, traições, ou seja, o submundo dos negócios e da política.

Tudo Pelo Poder (George Clooney) – 2011

Foto: cartaz do filme Tudo Pelo Poder / Adorocinema

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O filme retrata os bastidores da campanha para presidente dos Estados Unidos. O personagem Mike Morris, interpretado por George Clooney, é um dos candidatos desta corrida presidencial e tem em seu staff de campanha um jovem idealista, apaixonado por política e um dos melhores assessores de imprensa do país, Stephen Myers , interpretado por Ryan Gosling.

Durante esta briga para definir quem sairá candidato, o staff dos candidatos trava um intenso jogo de poder, no qual a sujeira é exposta nos noticiários. O candidato Morris é um homem de excelente discurso e uma aparente postura incorruptível que se recusa a fazer alianças com senadores e delegados de moral duvidosa, em troca de influência política. Postura esta que contrasta com o que se vê no desenrolar do filme, que expõe as verdades do jogo político.

O temor, a traição e a tentativa de encobrir qualquer ato falho do passado fazem de Morris um refém de seu assessor de imprensa que se torna o verdadeiro protagonista do filme. Traição entre assessores, jogo de ego, status social, favores cedidos, corrupção, tráfico de influência, chantagem e falsidade ideológica; tudo isso expõe as sujeiras dos bastidores das campanhas políticas.

O Quinto Poder (Bill Condon) – 2013

O filme retrata a forma como as informações e notícias fluem no século 21, permitindo ao cidadão ter o direito à informação. Os hackers Julian Assange e seu colega Daniel invadem sites dos governos do mundo todo e expõem informações sigilosas de forma escancarada nas redes. Gradativamente, o longa mostra como as informações disponibilizadas no site Wikileaks repercutiram no mundo. Vazamentos de informações privilegiadas que envolveram conflitos de guerra do Afeganistão, Iraque, correspondências das embaixadas e dos Estados Unidos, são mostrados no filme.

Com o crescimento do site, grandes jornais americanos começaram a ouvir o Wikileaks e passaram a dar visibilidade a mais vazamentos de informações privilegiadas. Embora a intenção de Assange, em sua visão, era de informar o cidadão de forma mais completa possível, a forma como expunha no site colocava em risco a vida e a integridade física de algumas pessoas. As informações publicadas no Wikileaks conseguiram expor ao mundo, os bastidores de muitos países, conversas sigilosas, questões diplomáticas que causaram crises e mudanças em resultados de eleições. O filme nos instiga à  reflexão sobre qual a melhor forma de compartilhar informações com o público, a partir do momento que se está em posse delas, a fim de evitar tantos danos colaterais.

Assistindo a essa sequência sugerida, notei que a política e sua dinâmica,  tanto no ambiente público (empresas públicas, partidos políticos), quanto no ambiente privado (empresas/escolas) são parecidas. Pude aprender de forma leve e didática sobre autocracia, com o filme A Onda, conhecer fatos ocorridos no Governo de Getúlio Vargas, que faz parte de nossa história. Relembrar fatos históricos dos anos 90 sobre as privatizações e refletir sobre seus benefícios ou prejuízos para a sociedade e a economia do país. Entender a dimensão do impacto que as ações do Julian Assange causaram no mundo, no filme Wikileaks.

Foto: cartaz do filme “Tudo Pelo Poder” / Adorocinema

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Curtiu as dicas? Então aqui vai mais um bônus: uma análise de alguns dos premiados do Oscar 2019!

O que você acha? Que tal aproveitar o fim de semana, chamar os amigos e fazer uma maratona com essas dicas de filmes? Aguardamos seu comentário!

Publicado em 24 de março de 2017.
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Marli Mendes

Bacharel em Administração de empresas, com especialização em Finanças e Controladoria e graduanda em Psicologia. Apaixonada por livros e adora estudar.