A Revolta Paulista de 1924 foi um movimento revolucionário ocorrido na cidade de São Paulo no contexto nacional do fim da Primeira República no Brasil. É popularmente conhecida como a “Revolta Esquecida”, em razão do mínimo aparecimento em livros e citações sobre o período do tenentismo brasileiro.
Apesar de pouco mencionada, a Revolta Paulista de 1924 tem importância para compreender o cenário social, político e econômico do Brasil desse período. E, por isso, ela é o tema central do texto aqui apresentado.
Vamos entender como esse movimento deixou marcas na história brasileira até os dias atuais?

O contexto histórico da Revolta Paulista de 1924
Para compreender o que foi a Revolta Paulista de 1924, deve-se, primeiramente, observar o cenário político e social que envolve esse conflito. O início do século XX no Brasil é marcado pela divisão política da Primeira República, separada em duas fases: a República da Espada e a República Oligárquica.
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A República da Espada
A República da Espada deu início ao regime republicano no país, em que a liderança do Brasil era representada por marechais, oriundos do movimento de Proclamação da República em 1889, liderado por militares contra a monarquia e o poder de Dom Pedro II.
Enquanto Chefe do Governo Provisório e primeiro Presidente do Brasil, o Marechal Deodoro da Fonseca foi o responsável pela promulgação da Constituição de 1891, governando o país de forma autoritária e enfrentando uma grave crise econômica.
O processo de encilhamento incentivou o surgimento de diferentes revoltas em seu mandato, levando-o a renunciar ao cargo e colocando seu vice, Marechal Floriano Peixoto, na posição da presidência.
Floriano Peixoto, também conhecido como “Marechal de Ferro”, tentou fortalecer o poder executivo ao seguir liderando o país de modo autoritário. Entretanto, ainda passando por grave crise no setor econômico, o Brasil se deparou com a continuidade de movimentos de insatisfação, reforçados pela maneira violenta com que eram reprimidos pelo governo.
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A República Oligárquica
Após dois mandatos exercidos por militares, o Brasil dá início a uma sequência de lideranças civis, representadas por membros das principais oligarquias da época. O movimento chamado de República Café com Leite expõe o revezamento no poder da presidência entre políticos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, com a intenção de manter seus interesses econômicos realizados no país.
Através da Política dos Governadores e do Coronelismo, as eleições do período foram marcadas pelo voto de cabresto e pelas variadas formas de fraude eleitoral, com o poder político, social e econômico do Brasil permanecendo nas mãos de grupos latifundiários tradicionais.
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Iniciado pelo paulista Prudente de Morais, esse período também foi marcado por diversas manifestações da sociedade, alimentadas pela crescente desigualdade social no país, uma grande falta de participação popular nas decisões políticas da república brasileira e a presente injustiça social que caracterizava as relações sociais desse contexto.
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A Revolta Paulista de 1924
Inserida no contexto de descontentamento com as lideranças políticas no Brasil e uma nova crise econômica, a Revolta Paulista de 1924 passa a dar os seus primeiros sinais de organização, enquadrada no surgimento do chamado Movimento Tenentista.

O que foi o Tenentismo?
O Tenentismo foi um movimento brasileiro do século XX realizado por jovens membros do exército de baixa patente, responsável por contestar diversas decisões da Primeira República no Brasil.
Defendiam o fim do voto aberto e das fraudes eleitorais, demandando moralização política e maior justiça e participação social.
Eventos como a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, a Coluna Prestes e a revolta relatada nesse texto são exemplos da luta tenentista pelo fim da República Oligárquica e uma consequente transformação na política do país.
O movimento paulista
A Revolta Paulista teve início no dia 5 de julho de 1924, sob o comando de Isidoro Dias Lopes. Manifestando-se contra a política oligárquica da Primeira República, o movimento teve 23 dias de duração e contou com a participação de civis e militares de baixa e média patente.
Inseridos no contexto tenentista, os revoltosos tinham como reivindicação a renúncia do Presidente Arthur Bernardes, a descentralização política, o fim da repressão e do Estado de Sítio e demais pautas em oposição à política das oligarquias.
Marcada como o maior conflito urbano do Brasil na década de XX, a Revolta Paulista também pode ser compreendida como uma reação à crise política e econômica do período. A queda da exportação do café uniu-se a demandas relacionadas ao fim do voto aberto e à negligência histórica com a maior parte da população brasileira, e deu forças ao movimento.
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Incentivados pelas movimentações de tenentes que aconteciam em vários estados do Brasil, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco, os tenentistas paulistas resistiram à repressão legalista até o dia 28 de julho de 1924.
Por razões como uma desproporção entre as forças federais e os tenentes e ausência de organização do movimento por falhas na comunicação entre as lideranças, a revolta acabou vencida pelo governo.
Muitos dos sobreviventes tenentistas obtiveram refúgio na região sul do país, onde passaram a formar campanhas de oposição à República e propagar ideais de transformação política, econômica e social.
Foram milhares de mortos entre militares e civis, além de um saldo de danos materiais e patrimoniais aos principais bairros operários da cidade de São Paulo, como Mooca e Brás.
Consequências da Revolta Paulista de 1924
A Revolta Paulista de 1924, por estar inserida no contexto do movimento tenentista, pode ser considerada o prelúdio da Revolução de 1930, que acabaria com a República Oligárquica, levando Getúlio Vargas ao poder.
Ao evidenciar o desgaste político causado pela Primeira República, o movimento foi capaz de impulsionar posteriores manifestações, que levaram as demandas contra a Política Café com Leite adiante.
Entretanto, a Revolta ocupa um lugar distante na historiografia do Brasil, o que pode ser atribuído ao fato de não ter havido mudanças significativas na estrutura do país em razão de seu acontecimento.
Por isso, ao ser colocada como a “Revolta Esquecida”, o movimento de 1924 também oculta da história parte significativa da luta operária e tenentista localizada no estado de São Paulo.
A Revolta Paulista de 1924, ao ser influenciada por movimentos anteriores, também guarda o papel de influenciar outros movimentos da história, contribuindo para o fim de uma era política no Brasil e evidenciando mudanças importantes no campo da economia e da construção de pensamento da população brasileira do período.
E agora que você já conhece um pouco mais sobre esse movimento, que tal continuar acessando os conteúdos da Politize! para entender outros fatos da história do Brasil?
Referências:
- 100 anos da Revolta Paulista de 1924: a história de uma revolução esquecida – OPERAMUNDI
- A Revolta de 1924 em São Paulo: para além dos tenentes – Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações
- A revolução que São Paulo esqueceu – Revista Pesquisa Fapesp
- Centenário da Revolução de 1924 – Instituto Ana Rosa
- FORNO, D. Rodrigo. A Revolta Tenentista de 1924 e a participação da Aliança Libertadora no Rio Grande do Sul. RIHGRGS, Porto Alegre, n. 153, p. 157-174, dezembro de 2017.
- Julho de 1924: a “Revolta Esquecida” na cidade de São Paulo – Revista de História da UEG
- Maior conflito armado da história de São Paulo é tema de evento – Jornal da USP
- Revolta de 1924 mobilizou militares e civis contra o governo – Centro de Documentação e Memória da UNESP
- TEIXEIRA, B. Matheus. Julho de 1924: a “Revolta Esquecida” na cidade de São Paulo. Rev. Hist. UEG – Morrinhos, v.11, n.1, e-112213, jan./jun. 2022

