O que é extrema direita?

O Politize! já te explicou a diferença entre os dois espectros políticos: esquerda e direita. Cada uma dessas correntes ideológicas têm diferentes visões e crenças políticas, principalmente no que diz respeito à economia. Entre esquerda e direita há vários posicionamentos intermediários, como centro, centro-esquerda e centro-direita. Mas para além da direita e da esquerda também existem os pensamentos radicais em relação às duas correntes de pensamento, que seriam a extrema direita e a extrema esquerda.

O termo extrema direita tem aparecido com mais frequência nos noticiários nos últimos tempos e foi pensando em explicar para você esse fenômeno que o Politize! preparou esse texto.

Manifestantes do Unite the Right (Unir a Direita) segurando bandeiras com o símbolo do Nazismo. Carlottesville, Virgínia, EUA. Autor da imagem: Anthony Crider

charlottesville

O que é extrema direita?

A extrema direita, como o próprio nome diz, é o posicionamento extremo desse espectro político. Como você verá nesse texto, a extrema direita está representada por movimentos independentes e partidos políticos com posicionamentos radicais, geralmente relacionados ao nacionalismo. A exaltação da nacionalidade e seus aspectos culturais e históricos leva – em muitos casos – à percepção de superioridade em relação a outras culturas e até mesmo comportamentos de preconceito e xenofobia.

O que a extrema direita defende?

Segundo o professor da USP Alberto Pfeifer Filho, tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda estão relacionadas à exaltação da nacionalidade, de cultura, história e tradição de um país. Além disso, a figura do Estado na condução da vida da coletividade é acentuada nesses posicionamentos.

Os movimentos de extrema direita, apesar de apresentarem variações conforme regiões no mundo, possuem alguns posicionamentos comuns, como uma agenda nacionalista forte e resistência à perda de soberania do país – têm uma certa rejeição à globalização e tendências de cooperação econômica. Sua ideologia tem caráter ultraconservador, extremista e, em muitos casos, seus adeptos adotam posturas preconceituosas e xenófobas – que é o medo ou aversão ao estrangeiro.

Quer saber mais? O que é xenofobia?

A extrema direita hoje

Para você entender melhor esse fenômeno, o Politize! selecionou alguns exemplos de movimentos frequentemente associados à extrema direita em diferentes lugares do mundo. Não há um consenso entre os pesquisadores sobre a classificação desses movimentos como extrema direita, mas escolhemos exemplos que têm como fundamento os principais ideais desse espectro – forte nacionalismo, ultraconservadorismo e extremismo.

Como você verá, existem semelhanças entre eles, mas há variações conforme o contexto político e histórico de cada país.

Europa

Nas últimas eleições na Europa, os partidos de extrema direita tiveram um crescimento significativo. Em países como França, Holanda e Alemanha, por exemplo, apesar de não vencerem as eleições, se tornaram grupos políticos muito fortes, conquistando muitos eleitores. Esses partidos, em geral, apresentam um posicionamento nacionalista bastante forte, são a favor da não-participação ou do fim da União Européia e defendem o acirramento das fronteiras, pois enxergam os imigrantes como uma ameaça ao seu estilo de vida, sua tradição e ao seu padrão de vida.

Protesto em defesa dos direitos dos refugiados em Melbourne, Austrália. Foto: Flickr

Estados Unidos

  • Charlottesville, Virgínia

Em agosto de 2017, um grupo de extrema direita dos Estados Unidos realizou um protesto na cidade de Charlottesville após o anúncio de que a estátua do general Robert E. Lee – um defensor da escravidão – seria retirada de um parque. Os manifestantes, que chamaram o movimento de “Unir a Direita” (Unite the Right), são contra negros, imigrantes, gays e judeus. As palavras de ordem na manifestação diziam: “vidas brancas importam”, “morte aos antifascistas” e “um povo, uma nação, acabem com a imigração”. Manifestantes que eram contra esse movimento foram às ruas e o embate acabou em morte e feridos.

  • Ku Klux Klan

Essa organização tem origem nos estados do sul dos Estados Unidos após a Guerra de Secessão e o fim do regime escravocrata, no final do Século XIX. O sul era a parte do país a favor da escravidão e após a libertação dos negros escravizados surgiram movimentos contrários a inserção dessa comunidade na sociedade. A Ku Klux Klan – responsável por diversas atrocidades e assassinatos ao longo da história – prega a superioridade da raça branca e o racismo e foi adaptando seu discurso conforme o contexto da época. Hoje ainda existem diferentes grupos que se denominam herdeiros da organização original; além de negros, esses grupos têm um discurso contrário à judeus, cristãos, muçulmanos e imigrantes.

Por que surgem esses movimentos?

Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos – onde esses movimentos estão mais evidentes – percebe-se que são motivados pela sensação de insatisfação de parte da população com a situação econômica, que muitas vezes é relacionada à globalização e consequente abertura do país. Assim, há o fortalecimento de ideais nacionalistas e de fechamento do país em relação a outras nações.

A extrema direita e a democracia

Quando os posicionamentos políticos são extremistas, tanto para a esquerda, quanto para a direita, há tendências de que se construam governos totalitários ou ditatoriais. É por essa razão que existe um temor em relação ao crescimento desses movimentos, pois é comum que grupos extremistas defendam ações antidemocráticas, que ferem os direitos humanos e que disseminam preconceitos e ideias de superioridade de alguns grupos de pessoas em relação a outros, como vimos em alguns exemplos neste texto.

Esperamos que você tenha entendido o que é a extrema direita, os posicionamentos que defende e a origem desses grupos políticos. Correntes de pensamento extremistas na política costumam sugerir soluções simples para problemas complicados, por isso, é importante conhecer as mais diversas necessidades de uma sociedade e, a partir de então, compreender a complexidade das dinâmicas políticas e sociais do país em que vivemos.

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Publicado em 1 de outubro de 2018.

Talita de Carvalho

Assessora de conteúdo no Politize!, formada em Economia pela UFPR e mestranda em Planejamento Territorial na UDESC. Acredita que pessoas bem informadas constroem uma sociedade mais justa.