Heranças e manifestações culturais indígenas no Brasil: entenda

Publicado em:
Compartilhe este conteúdo!
A dança indígena objetiva realizar rituais. Imagem: Agência Brasil.

Você provavelmente sabe que o Brasil foi colonizado pelos portugueses em meados de 1530. De acordo com o censo de 2010 do IBGE ,estima-se que no Brasil haja aproximadamente 896.917 mil indígenas. Também já se perguntou o quanto as manifestações culturais indígenas são presentes no nosso país, seja na culinária, dança, música, literatura, linguagem ou religião.

Então se você tem interesse na cultura indígena brasileira, aproveite para ler esse texto que a Politize preparou e aproveite para agregar conhecimento.

Veja também: os povos indígenas no Brasil

Manifestações culturais indígenas: os mais mestiços dos povos

A miscigenação entre indígenas, africanos e portugueses é muito presente na cultura do sudeste brasileiro. Ingredientes como a mandioca, feijão, milho, banana, peixe etc, serviram de inspiração para criação de pratos como o Feijão tropeiro, Afogado, Paçoca de carne seca, o Cuscuz paulista, entre outros.

O Caiapó é uma dança típica da região sudeste que tem influência indígena da etnia Kaiapó, a história da dança se passa em torno da morte do curumim, menino indígena pequeno da tribo, que é atacado pelo homem branco. Para voltar a vida, o Pajé entra em ação com artes mágicas, baforadas de fumo e mímicas, tendo sucesso na dança ritualista com o curumim voltando à vida.

Além disso, o sudeste conta com forte influência na literatura ameríndia já que a primeira escritora indígena Eliane Potiguara nasceu no Rio de Janeiro. Reconhecida internacionalmente, inspirada pelo método de Paulo Freire, ela começou publicando jornais que mostravam boletins e cartilhas de alfabetização indígena. Em seguida, lançou alguns dos livros como: A Terra é a mãe do índio – 1989 e Acajutibiró terra do índio potiguara – 1994.

Podemos destacar também outro autor, como Kaká Werá que tem pais da etnia tapuia e nasceu na cidade de São Paulo. Há autores literários que tem seus trabalhos mais voltados para o público não indígena e há quem os faça mais voltado para o público indígena.

O autor se destaca por ter uma linguagem de fácil acessibilidade tanto de quem é indígena e de quem não é.

Conhecido também por algumas de suas obras como: As fabulosas fábulas de Iauaretê, A terra dos mil povos e Tupã Tenondé: A criação do Universo, da terra e do homem segundo a tradição oral Guarani.

A região sul do Brasil possui o menor número de indígenas, mas apesar disso, tem fortes manifestações indígenas como na culinária sulista. Indígenas das etnias Guarani e Charruas são responsáveis pelas primeiras plantações de mandioca, abóbora, batata doce, milho, variados feijões, algodão, o fumo que faz parte dos diversos rituais indígenas e o tão aclamado por sulistas, chimarrão.

Já a região Centro-Oeste do Brasil se mescla entre influências indígenas, portuguesas e africanas. Possivelmente um exemplo da influência indígena você pode encontrar na dança Cururu que pode ter origem indígena e é praticada somente por homens. Eles saúdam os presentes, louvam os santos padroeiros e partem para um desafio entre si através de versos e respostas dos desafiados, isso tudo no embalo da viola e a animação do público.

Na culinária pode-se também observar essa mesclagem entre esses três povos. O indígena como uma das principais fontes de alimentação tem o costume da pesca, você pode observar essa influência em pratos típicos da região: Caldo de pacu, Mojica de Pintado, Ensopado com banana da terra, Caldo de Piranha etc.

Assim como o Centro-Oeste, a região Nordeste se divide bastante entre povos indígenas, portugueses e africanos.

A maior influência indígena está na culinária com o cuscuz, que é derivado do milho. Pratos típicos à base de coco, pamonha e a canjica também são algumas das heranças indígenas.

O hábito de descansar em redes também é herança indígena. Muito presente em praias nordestinas, a rede tem origem indígena e até hoje faz parte do cotidiano de quem mora no nordeste e do turismo nordestino.

Além disso, a dança Cateretê que pode ser encontrada no Nordeste e em alguns outros estados brasileiros, tem origem indígena, consiste em sapateado ao som de palmas e violas, e pode ser praticado por homens e mulheres separadamente.

O berço do nativo brasileiro

Com aproximadamente 342,8 mil indígenas residindo nessa região, de acordo com o IBGE, a região Norte é considerada a mais povoada do Brasil, precisamente no estado do Amazonas com cerca de 168,7 mil habitantes que se declaram indígenas.

O norte tem forte influência indígena desde a culinária à manifestações de resistência reconhecidas internacionalmente.

É comum dormir em redes e sempre levá-las quando se viaja em barco, já que as viagens podem demorar muitas horas ou até dias.

Na culinária a começar pelo café da manhã, é comum encontrarmos pupunha, tucumã, tapioquinha, o pé-de-moleque etc. O consumo da farinha de mandioca, açaí, a bacaba, o peixe, seja ele cozido, assado ou frito não é incomum no cotidiano dos nortistas.

Você também pode encontrar ervas, pós, chás medicinais porque é assim que os curandeiros de cada tribo tratam enfermidades. A pesca, costume comum indígena, além da caça, tem papel importante na economia dos habitantes das pequenas cidades da região.

Contudo, ainda mais impactante economicamente e culturalmente é o festival folclórico de Parintins.

A maior das manifestações culturais indígenas

Considerado patrimônio cultural do Brasil pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o festival folclórico dos Bumbás Garantido e Caprichoso é tradição desde 1965, em Parintins, no interior do Amazonas.

Apesar de sua origem ter sido do Bumba meu boi do Nordeste brasileiro, o festival folclórico ao decorrer dos anos tomou forma com maior valorização das raízes regionais indígenas.

As apresentações do festival duram apenas 3 noites, é possível notar a forte influência indígena nas representações ritualísticas que são feitas com trajes específicos para melhor representar o nativo brasileiro.

Há também a toada considerada patrimônio cultural imaterial do Amazonas. O gênero tem como característica cantigas que remetem diversos ritos, costumes, lendas dos povos dessa região, instigando o imaginário do público.

Portanto, é inegável o quanto o impacto cultural desses nativos é grande e importante para a sociedade como um todo.

Deve-se então ter em mente a importância das manifestações culturais, territoriais e religiosas do povo nativo brasileiro, o povo que vive e defende há milhares de anos a harmonia com a natureza; no plantar, colher, no viver.

Que apesar da forte urbanização e industrialização no território brasileiro, não deixamos de junto apoiar líderes capazes de defender a Amazônia, os direitos territoriais e os costumes dos verdadeiros donos dessa terra.

Veja também nosso vídeo sobre direitos étnico-raciais!

Dialeto indígena no português brasileiro e o politeísmo ameríndio

Na norma culta são poucas as influências indígenas no português brasileiro, porém, o tupi que foi uma língua muito falada no brasil pré-colonial é a língua indígena que mais contribuiu para o vocabulário do português brasileiro.

Palavras como: pindaíba, curumim, cutucar, pereba etc são comumente usadas principalmente na Região Norte. Encontram-se influências também em nomes de cidades tais como: Pindamonhangaba, Mantiqueira, Itaipu, Tupinambarana, Aporá, Atibaia, Gurupi.

Apesar do Tupi ser o mais presente, é possível encontrar variações de outras etnias e não só no português do Brasil.

No politeísmo indígena é quase impossível saber quantas religiões indígenas existem já que cada etnia tem seus próprios costumes religiosos. De modo geral, o traço comum entre tais religiões é o politeísmo e o xamanismo.

Os indígenas são politeístas e por isso adoram vários deuses. A etnia Guarani por exemplo tem como crença a divindade dos animais, das plantas e a força da própria natureza.

A etnia Yanomami acredita em espíritos da florestas e que a própria terra não é apenas um espaço em que habitamos e sim uma divindade.

Toda etnia tem um xamã, que é o curandeiro da etnia. Responsável pelos rituais de cura, de passagem ou de evocação de alguma entidade em determinado ritual. Nesses rituais, são preparadas bebidas naturais psicodélicas para que o xamã consiga se comunicar com os espíritos em questão que podem variar entre bons espíritos e ruins.

E então? O que mais surpreendeu você sobre as manifestações culturais indígenas no Brasil? Compartilhe com a gente nos comentários sua opinião ou dúvida sobre o que mais lhe chamou atenção.

Referências:

GoCache ajuda a servir este conteúdo com mais velocidade e segurança

Deixe um comentário

Conectado como Livia Jim. Edite seu perfil. Sair? Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe este conteúdo!

ASSINE NOSSO BOLETIM SEMANAL

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

FORTALEÇA A DEMOCRACIA E FIQUE POR DENTRO DE TODOS OS ASSUNTOS SOBRE POLÍTICA!

Conteúdo escrito por:
Paraense, 21 anos, vestibulanda. Me interesso por história, política, ciências sociais e afins. Estou em busca de conhecimento e experiência para carreira profissional de redatora. Gosto muito de ler sobre diversos assuntos desde política a contos eróticos, cozinhar com intuito de relaxar e demonstrar meus conhecimentos através da escrita ou oratória.

Heranças e manifestações culturais indígenas no Brasil: entenda

17 abr. 2024

A Politize! precisa de você. Sua doação será convertida em ações de impacto social positivo para fortalecer a nossa democracia. Seja parte da solução!

Pular para o conteúdo