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Imagem ilustrativa: Slow Fashion e Fast Fashion. Imagem: Pixabay.com
Imagem: Pixabay.com

Você conhece os termos “Moda Sustentável”, “Moda Consciente”,”Slow Fashion e Fast Fashion”? Tais termos têm se popularizado no Brasil, com cada vez mais pessoas repensando seus hábitos de consumo.

Mas qual a diferença entre eles? Como a moda afeta o meio ambiente e o nosso modelo de consumo Brasil? Saberemos neste artigo sobre modelos de produção Slow Fashion e Fast Fashion!

Moda sustentável e moda consciente: qual a diferença?

Moda sustentável busca entender o processo de produção das peças, desde a extração de matéria-prima até a venda nas lojas, de modo a reduzir impactos causados no meio ambiente.

De outra forma, a moda consciente busca compreender o padrão de compra dos consumidores, a consciência de compra, em uma dialética de produção e consumo. São as pessoas que conscientemente buscam por uma moda que é produzida de maneira sustentável.

Vamos fazer um exercício de refletir sobre o seu consumo: Por que você fez aquela última compra? Era um item que você precisava? Quem foram os trabalhadores por trás da produção daquele item? Será que a remuneração deles é justa? Tais questionamentos podem nos ajudar a compreender o impacto do nosso consumo na sociedade.

Leia também: Como a produção de cosméticos afeta o meio ambiente?

Slow Fashion e Fast Fashion: o que isso quer dizer?

Para além dos termos “moda sustentável” e “moda consciente”, há dois outros conceitos importantes que relacionam esse mercado com o meio ambiente: fast fashion e slow fashion.

O que é Fast Fashion?

“Fast Fashion significa moda rápida, é o termo utilizado para designar a renovação constante das peças comercializadas no varejo de moda.” (SEBRAE, 2015)

O que é Slow Fashion?

Por outro lado, slow fashion foi um termo adotado em 2004, em Londres, pela escritora da revista Georgia Straight, Angela Murrills, inspirado pelo conceito de “slow food” originado na Itália. O termo indica a busca por alternativas mais conscientes e sustentáveis para o consumo de roupas.

Assim, ao passo que a fast fashion tem como objetivo a moda globalizada, refletindo na alta rotatividade das peças, na antecipação das vendas e na renovação constante das lojas, a slow fashion busca a produção local, a sustentabilidade das peças, a reutilização de peças antigas e o ciclo de vida maior. 

“Um produto, uma peça de roupa[…] torna-se um produto real, uma peça de roupa real apenas quando usada, desgastada, consumida. Através do uso, ela se desintegra e se nega. Isso estimula mais produção. O consumo cria a necessidade de nova produção” (MODEFICA, 2019)

Críticas ao modelo fast fashion

O valor das roupas x a remuneração dos trabalhadores

Vocês sabiam que muitas empresas utilizam da mão de obra precarizada para reduzir o investimento na produção e lucrar? É o que afirma o conceito de “Mais-Valia“: Em poucas palavras, seria a disparidade entre remuneração do trabalhador em relação ao valor/tempo gasto na produção de um item.

Mas o que isso tem a ver com moda? Uma das críticas que o modelo fast fashion recebe é no sentido da desvalorização das trabalhadoras costureiras.

“O emprego de mão de obra precarizada ou escrava é outro grande problema relacionado ao fast fashion. Grandes fabricantes já foram flagradas utilizando contratações ilegais, jornadas de trabalho superiores a 16 horas, condições degradantes e pagamentos ínfimos.” (DIGITALE TEXTIL, 2020).

Isso porque, no processo de produção, a encomenda chega até você apenas em um clique – e isso pode fazer com que você nem pense realmente por quais estágios aquele produto passou até chegar ao seu destino.

Assim, quando algumas lojas fazem sucesso no segmento da moda com o barateamento excessivo das peças – situação comum ao modelo fast fashion – há duas variáveis que entram nesse debate: baixo custo de uso e trabalhos análogos à escravidão

Como explica Barbara Poerner, bacharel em Moda e redatora da página Elas Disseram, 

Sabiam que dez países asiáticos (Bangladesh, Camboja, China, Índia, Indonésia, Mianmar, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka e Vietnã) somam 75% da força de trabalho da rede produtiva da moda no mundo? (ONU e OIT). São 65 milhões de pessoas, em maioria (80%) mulheres, trabalhando dia após dia para produzirem um tantão de roupas que pasmem… a gente nem precisa. E muitas com preços bem baixos: Em 2016, Bangladesh era o segundo fornecedor mais barato de roupas para a União Europeia entre dez países competidores. (ELAS DISSERAM, 2020, Barbara Poerner)

Contudo, vale destacar que o barateamento das peças não significa necessariamente que existe trabalho análogo à escravidão naquela produção.

Alta rotatividade e obsolescência programada

Outra crítica relacionada ao modelo fast fashion está na questão de alta rotatividade e obsolescência programada, por trazerem problemáticas para nosso meio ambiente, principalmente com a escassez dos nossos recursos naturais. 

Afinal, o que acontece com as peças que descartamos? Ainda que “jogadas fora” pelo consumidor, essas peças terminam em algum lugar. 

O Pacto Municipal Tripartite Contra a Fraude e a Precarização acompanhou 20 marcas da indústria têxtil que já usaram trabalho escravo na produção.

Isso porque, no contexto global, os nossos hábitos de consumo são incentivados pelo capitalismo. Dessa forma, nesse sentimento de precisarmos seguir as tendências, esquecemos da dinâmica de produção dos produtos e muitas vezes compramos coisas que nem precisamos. 

Como explica Harvey (2009), teórico que fala sobre produção e capitalismo:

O fetichismo e o consumismo tomam conta do processo de trocas comerciais, onde a propaganda e a comercialização acabam por reduzir os vestígios de construção e produção das verdadeiras imagens do que é consumido. (HARVEY, 2009). 

Ou seja, o consumo estreita as trocas comerciais e traz harmonia às fases do ciclo produtivo. E assim, esquecemos de quais condições e contextos as mercadorias passaram até chegar nas nossas mãos. 

O segmento da moda afeta o meio ambiente?

Nesse sentido, as críticas da moda rápida trazem o questionamento sobre a produção e a poluição gerada pelo descarte de peças. Além do barateamento da mão de obra, estudos demonstram que o meio ambiente também é afetado com o excesso das peças produzidas. A pesquisa disponibilizada pela fundação Ellen MacArthur Foundantion, afirma que a indústria da moda é segunda indústria mais poluente do mundo.

Além disso, conforme o movimento “Menos 1 Lixo”, todos os anos, a indústria têxtil utiliza 93 trilhões de litros de água, perdendo apenas para a agropecuária, maior responsável pelo desperdício e poluição das águas doces do mundo. Segundo o Fashion Revolution, consumimos uma média de 10 mil litros de água para fabricar uma calça jeans e 8 mil para um par de sapatos.

Além disso, poucas são as empresas que usam tecidos sustentáveis e eco-friendly (amigável ao meio ambiente), seja pela demora de produção e custeamento – no Brasil, menos de 1% do algodão produzido é orgânico (ou seja, cultivado sem o uso de agroquímicos e corantes tóxicos). 

Dessa forma, o crescimento do consumo sustentável depende da conscientização da sociedade acerca da importância dos recursos naturais, a qual é formada através de projetos voltados para a formação de “consumidores cidadãos”. (SANTOS. A. P. L; FERNANDES. D.S; 2012)

O brechó como uma opção da moda Slow Fashion

Pode-se afirmar que existem possibilidades pessoais de mudanças para que a moda seja mais sustentável.

Baseado nas práticas individuais, algumas pessoas estão procurando formas de reduzir o impacto de seu consumo no mundo com alternativas como brechós. O brechó se popularizou no século XIX, no Rio de Janeiro, fundada por um comerciante português chamado Belchior. Atualmente, é muito comum no Instagram vermos as lojas mostrando o processo de curadoria, envio e garimpo, e muitas pessoas aderiram a essa alternativa.

Segundo dados da Agência Brasil, “A abertura de estabelecimentos que comercializam produtos de segunda mão teve um crescimento de 48,58%, entre os primeiros semestres de 2020 e 2021, de acordo com levantamento do Sebrae, com base em dados da Receita Federal.”

O que nos leva a crer que a pandemia afetou os hábitos de consumo de muitas pessoas. Seja pelo lado financeiro, seja pela preocupação com o meio ambiente, não podemos ignorar a função de refletir nosso impacto no mundo.

E como fica a responsabilidade social das empresas do ramo da moda?

Apesar de a mudança de hábitos ser importante, esse debate é ainda mais complexo. Afinal, se no Brasil metade da população brasileira vive com 413 reais ao mês, de acordo com o jornal EL PAÍS, é de responsabilidade dos trabalhadores a redução de gases poluentes que as grandes indústrias produzem?

Pensando nisso, como afirmam Dierkes (1998) e Rita Von Hunty (2020), o equilíbrio ecológico só é alcançado quando as grandes indústrias modificam a dinâmica produtivista do capitalismo. Lembrando que, no processo de conciliação ecológica e circulação da economia, os autores relatam ser imprescindível o diálogo entre todas as etapas do processo de produção de forma transparente e digna aos trabalhadores.

E aí, entendeu as diferenças entre slow fashion e fast fashion? O que você acha? Deixe sua opinião ou dúvida nos comentários!

REFERÊNCIAS:
  • ASSUNÇÃO, Lucas: Fast Fashion vai produzir coleções em menos de 24 horas, o que isso quer dizer? Santo de Casa, 2021. Disponível em https://santodecasa.co/2021/07/06/fast-fashion-colecoes-em-menos-de-24-horas/
  • DIGITAL TÊXTIL: O que é Fast Fashion, 2020. Disponível em https://www.digitaletextil.com.br/blog/o-que-e-fast-fashion/
  • GOUVEIA, Lorena: A Importância dos Brechós como uma Alternativa de Moda Sustentável, 2020. Disponível em https://medium.com/portf%C3%B3lio-lorena-gouveia/artigo-cient%C3%ADfico-a-import%C3%A2ncia-dos-brech%C3%B3s-como-uma-alternativa-de-moda-sustent%C3%A1vel-4b5eb8411bf6.
  • MENDONÇA, Heloísa: Viver com 413 reais ao mês, a realidade de metade do Brasil, 2019. Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/30/economia/1572454880_959970.html
  • MODEFICA: Caprichos Sem Sentido: Marx Sobre Capital, Roupas e Moda, 2019. Disponível em https://www.modefica.com.br/caprichos-sem-sentido-marx-sobre-capital-roupas-e-moda/#.YTJybvpKgdU
  • POERNER, Barbara: Precisamos falar sobre a Shein? 2020. Disponível em https://elasdisseram.com/index.php/2020/12/precisamos-falar-sobre-a-shein/
  • RICARDO, Lígia Helena Krás: “O Passado Presente: Um estudo sobre o consumo e uso de roupas de brechó em Porto Alegre (RS)”Past and Present: a study about consumptiona and ‘brecho’ clothes in Porto Alegre (RS)”.
  • SEBRAE: Como aderir ao conceito de fast fashion no varejo de moda, 2019. Disponível em https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/fast-fashion-ganha-destaque-no-varejo-de-moda,ef695d27e8fdd410VgnVCM1000003b74010aRCRD.
  • SIQUEIRA, Vinicius: A dialética da produção e consumo em Marx, 2014. Disponível em https://colunastortas.com.br/producao-e-consumo-em-marx/.

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Maria Luisa Pereira Santos

Estuda no Centro Universitário de Curitiba cursando Direito e também faz licenciatura em Letras- Português!

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