Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn
Print Friendly, PDF & Email

O que é o IDH

Entenda o que revela o índice calculado pela ONU

Foto: PNUD.

pnud-idh-afeganistao

Você já deve ter ouvido falar sobre o IDH. Todos os anos, essa sigla ressurge nos jornais apenas para nos dizer quão boa ou ruim é nossa qualidade de vida. Vamos explicar como esse índice é feito e por que ele importa para o Brasil e para o mundo.

O que é?

Amartya Sen, um dos criadores do IDH. Foto: Fronteiras do Pensamento/ Wikimedia Commons.

amartya-sen-idh-fronteiras-do-pensamento

IDH é a sigla para Índice de Desenvolvimento Humano. Trata-se de uma metodologia usada para comparar o desenvolvimento de 188 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). O índice foi criado nos anos 1990 por dois economistas: o paquistanês Mahbub ul Haq (falecido em 1998 e um dos fundadores da teoria do desenvolvimento humano) e o indiano Amartya Sen (prêmio Nobel em 1998 e professor do departamento de economia de Harvard). O IDH tem sido usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Qual é o objetivo do IDH?

Crianças somalis aguardam para receber alimentos de operação americana, em 1992. Foto: Charles Reger/ Wikimedia Commons.

somalia-fome-idh

Como você deve saber, existem diversos indicadores econômicos que podem adequadamente revelar o cenário de desenvolvimento de um país. O Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, é um indicador exaustivamente usado para medir a renda de um país. Então por que o IDH foi criado?

A maior preocupação dos criadores do índice era a ênfase excessiva que se dá para a dimensão econômica quando se fala em desenvolvimento. O crescimento econômico, apesar de considerado indispensável, é apenas um meio para o que realmente importa: a melhoria geral da qualidade de vida das pessoas no mundo todo. Foi pensando nisso que se criou um índice que leva em conta as condições de renda, saúde e educação a que estão submetidas as populações mundiais.

Como é calculado?

info-IDH

Que tal baixar esse infográfico em alta resolução?

O IDH leva em conta três indicadores principais:

Educação

Duas taxas são usadas para medir a qualidade da educação de um país. O primeiro é a média de anos de educação de adultos (pessoas com mais de 25 anos de idade). O segundo é a expectativa de anos de estudo para crianças. 

Longevidade

A expectativa de vida ao nascer é utilizada para medir a longevidade da população de um país. Esse número leva em conta todas as mortes precoces que ocorrem no país para chegar a uma expectativa de quantos anos viverá um recém-nascido. Ou seja, tem relação com fatores como as condições de saúde, a taxa de mortalidade infantil e a violência nacionais.

Renda

O terceiro componente do IDH é determinado pela renda per capita nacional. Para chegar à renda per capita, você deve dividir todo a renda nacional pelo número de habitantes de um país. Para evitar distorções na análise, a renda per capita é medida em dólar, considerando ainda a paridade do poder de compra (um método que revela quanto a moeda local é capaz de comprar no âmbito internacional, desconsiderando o custo de vida local).

O IDH de um país é a média dos resultados dos três índices acima, obtida após vários cálculos que não mostraremos aqui. O índice varia de zero a um – e quanto mais próximo de um, mais desenvolvido é o país. O Pnud divide as nações de acordo com o resultado do IDH, em quatro grandes grupos:

  • Desenvolvimento humano baixo;
  • Desenvolvimento humano médio;
  • Desenvolvimento humano alto;
  • Desenvolvimento humano muito alto.

banner-partidos-politicos-brasileiros

E a desigualdade?

Favela de Mumbai, na Índia. Foto: YGLvoices/ Flickr.

Dharavi_India-idh-desigualdade

Uma das maiores críticas ao IDH é que ele não consegue abarcar toda a complexidade que envolve determinar a qualidade de vida de um país. Por exemplo: pelos critérios que mostramos acima, é possível que ditaduras tenham um desenvolvimento humano muito maior do que algumas democracias. A falta de liberdade não seria um fator que prejudica a população?

Da mesma forma, a desigualdade também não é levada em conta no cálculo tradicional do IDH. Um país pode ter uma renda extremamente concentrada nas camadas mais ricas da população, apresentar altas taxas de pobreza e mesmo assim ter um IDH elevado.

Foi pensando nisso que se criou o IDH ajustado pela desigualdade (IDHAD). Desde 2010, o Pnud tem recalculado o IDH de acordo com um cálculo da desigualdade proposto pelo economista britânico Anthony Barnes Atkinson. O cálculo considera as desigualdades em todos os três índices usados para compor o IDH.

A partir disso, o resultado dos países é corrigido para baixo. O IDHAD sempre fica menor do que o IDH original porque a desigualdade social ainda é uma realidade em todos os países (mesmo que mais intensa em alguns países). Nessa configuração, a Islândia, por exemplo, ganha seis posições e torna-se o país com segundo maior IDH do mundo. Já os Estados Unidos perdem 10 posições no ranking geral.

O IDH Municipal (IDHM)

Além de medir a qualidade de vida de praticamente todos os países do globo, o IDH também inspirou a criação de rankings locais. No Brasil, temos o IDH Municipal (IDHM), que leva em conta os mesmos três indicadores do IDH para comparar a qualidade de vida dos mais de 5 mil municípios brasileiros. Os dados são extraídos do Censo do IBGE, feito a cada dez anos e cuja última edição foi em 2010. Confira o mapa do IDHM brasileiro aqui!

Os resultados do IDH 2017

Oslo, capital da Noruega, país que lidera o ranking do IDH 2017.

noruega-idh

Segundo o relatório do desenvolvimento humano mais recente do Pnud (divulgado em março de 2017, com dados referentes a 2015), os dez países de maior desenvolvimento humano são: Noruega (0,949), Austrália (0,939), Suíça, (0,939), Alemanha (0,926), Dinamarca (0,925), Singapura (0,925), Holanda (0,924), Irlanda (0,923), Islândia (0,921) e Canadá (0,920 – mesmo resultado dos Estados Unidos).

Já entre os países de menor desenvolvimento humano estão a República Centro-Africana (0,352), Níger (0,353), Chad (0,396), Burkina Faso (0,402) e Burundi (0,404).

De um modo geral, Europa e América do Norte predominam entre os países de desenvolvimento muito alto; países latino-americanos e do leste europeu aparecem na categoria de desenvolvimento alto; países do norte africano e do sudeste asiático predominam entre os de desenvolvimento médio; e boa parte dos países africanos figura entre os países de desenvolvimento baixo.

E o Brasil, como se sai?

No mais recente relatório do desenvolvimento humano da Pnud, o Brasil apareceu na 79ª posição no ranking mundial, com IDH de 0,754. Com esse resultado, estamos no grupo de países com alto desenvolvimento humano – uma realidade estabelecida há alguns anos. O problema é que estagnamos: no relatório anterior, de 2016, havíamos conquistado exatamente a mesma posição e o mesmo nível de desenvolvimento (0,754). Desde 2010, a trajetória brasileira era de alta, com ganho de três pontos percentuais em cinco anos. O não avanço do último ano pode ter relação com a crise econômica iniciada em 2015, que diminuiu nossa renda nacional per capita.

Se ajustado à desigualdade, o Brasil cai 19 posições no ranking global, com índice de 0,561. Trata-se de uma das maiores diferenças de resultado de todo o levantamento.

Confira os resultados brasileiros em cada sub-índice:

  • Renda nacional bruta per capita: R$ 1.113,00;
  • Médio de anos de estudo (adultos): 7,8 anos;
  • Expectativa de anos de estudo (entre pessoas em idade escolar): 15,2 anos;
  • Expectativa de vida ao nascer: 74,7 anos.

Conseguiu entender o que é o IDH? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários! 

Referências

PNUD Brasil: IDH Municipal – Ranking completo IDH 2017 – PNUD Brasil: o que é IDH – G1: Brasil no IDH 2017

crowdfunding
Publicado em 03 de abril de 2017.

Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e editor de conteúdo do portal Politize!.