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Inchaço urbano: o que é e como ele afeta nosso dia a dia?

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Por mais que não pareça, o inchaço urbano vai muito além da quantidade de pessoas que moram nas cidades. Esta é uma questão que permeia uma série de épocas e áreas do conhecimento e que ainda vem sendo pauta política e científica no mundo.

Muitos imaginam que esta é uma questão que passa apenas pelos moradores do espaço central urbano, mas isso não é verdade. É muito importante saber o que significa esse termo, já que é uma questão que faz parte da realidade de todos.

Mas, afinal, o que é o inchaço urbano? Como ele acontece? Por que se apresenta na vida de todos? Veja a seguir!

O que é o inchaço urbano?

O inchaço urbano é o crescimento desordenado das cidades, que ocorre em pequenos centros de determinadas regiões urbanas. A falta de planejamento durante a expansão da cidade faz com que haja uma área que concentra as atividades e os serviços locais. Isto atrai uma quantidade de pessoas que não cabe no espaço dado.

Portanto, a cidade fica com uma pequena região central onde a maior parte dos recursos estão e, quanto mais nos afastamos desse local, menos deles são encontrados. Isso inclui hospitais, saneamento básico, ruas asfaltadas, entre outros elementos fundamentais para a população. Tal fenômeno é chamado de macrocefalia urbana.

Já em relação ao centro, os engarrafamentos e a superlotação do transporte público são algumas coisas que a falta de infraestrutura característica do inchaço urbano faz. Um exemplo é o bairro da Freguesia, no Rio de Janeiro. A Linha Amarela local não consegue suportar a quantidade de automóveis que circulam diariamente.

As ruas amontoadas são uma das consequências do inchaço urbano. Imagem: Pixabay

Porque o inchaço urbano ocorre?

As causas do inchaço urbano estão relacionadas com a variação do espaço da cidade ao longo do tempo e a falta de planejamento estrutural dela neste processo.

Voltando no tempo

Desde a colonização, o Brasil sempre foi conhecido por ser um país agrícola. Porém, a partir do fim do século XIX e começo do XX, iniciou-se um processo extenso de industrialização, que foi sendo levado para as décadas seguintes. Esse movimento gerou uma demanda maior de trabalhadores nas indústrias. Eles precisaram, então, se deslocar para o meio urbano. Assim, iniciou-se uma aceleração do êxodo rural e da ocupação das cidades.

Além disso, a concentração fundiária no país não é um fato recente. Isso levou uma grande quantidade de pequenos proprietários de terra a se deslocarem para o meio urbano durante séculos.

Entretanto, a forte mecanização do campo a partir da década de 1970, com a Revolução Verde, fez com que o êxodo rural se acentuasse novamente: uma grande quantidade de trabalhadores teve suas funções substituídas pelo maquinário. Assim, eles precisaram migrar para a cidade, ampliando a superlotação.

Essa eclosão de pessoas no meio citadino foi extremamente acelerada e não planejada no sentido da organização do espaço. Assim, a construção dos serviços básicos para o funcionamento urbano não foi efetiva. A área foi sendo rapidamente ocupada pela nova população em torno da antiga região. Isto causa o inchaço urbano: o centro, que possui a concentração dos serviços fundamentais, atrai um maior número de pessoas, superlotando.

Onde mais ocorrem esses fenômenos?

Não coincidentemente, a maioria dos países em que acontecem esses fenômenos são emergentes. Suas histórias e realidades são muito parecidas, pois possuem um passado de condição de colônia. Nesse sistema, o objetivo central é o domínio das terras para a exploração da região e a exportação de matéria-prima para os colonizadores.

Após o período de exploração, esses locais iniciaram seus processos de industrialização. Entretanto, o passado foi quem definiu toda a estrutura agrária desses países e, portanto, a urbana também. Portanto, encontra-se neles a concentração fundiária, que gerou o êxodo rural acelerado e, por fim, a precariedade dos serviços dentro das cidades.

Além dos aspectos de migração, nas potências desenvolvidas o processo de urbanização foi lento, pois acompanhou a transição para o capitalismo industrial. Isso permitiu um maior tempo de desenvolvimento das cidades.

Veja também nosso vídeo sobre capitalismo!

Já os locais que foram rapidamente da maioria rural para a maioria urbana, como o Brasil, presenciam superlotação e desigualdade nas cidades centrais. Alguns desses locais são Pequim, na China, Delhi, na Índia, e a Cidade do México.

Existem outras cidades, como Nova Iorque, que também passam pelo inchaço urbano. Imagem: Pixabay

Quais são as consequências do inchaço urbano?

O inchaço urbano, ao desembocar na macrocefalia urbana, tornou a cidade um local de desigualdade. Por isso é tão evidente a diferença, por exemplo, na cidade de São Paulo, entre um morador do bairro central de Moema e um da região periférica de Cidade Tiradentes. Segundo o mapa da desigualdade de 2021, No primeiro lugar, a expectativa de vida é de 80 anos, enquanto, no segundo, é de 57 anos.

Como consequência da superlotação, há o congestionamento das vias de locomoção, falta de empregos e precariedade dos serviços. Isto porque se torna difícil a manutenção deles em regiões em que a densidade demográfica é acima da estimada. Isso dá espaço também para a poluição e a disseminação de doenças. Não é à toa que a Covid-19 se alastrou mais rapidamente nos centros urbanos.

Quem são os afetados pela superlotação?

Nas cidades, tanto a periferia quanto a parte central têm problemas com relação ao meio urbano inchado. Porém, quanto mais à margem da sociedade, maior o impacto sentido em relação ao inchaço, já que a desigualdade é um de seus principais aspectos.

Um exemplo é a diferença de acesso ao transporte público na cidade de São Paulo, segundo o Mapa da Desigualdade de 2022. O distrito da República, no centro, tem 194 vezes mais disponibilidade dessa infraestrutura do que o de Vila Medeiros, que fica no extremo nordeste.

As dores de cabeça com o trânsito das estradas e a poluição do Rio Tietê, em São Paulo, e do Rio Ipojuca, em Pernambuco, são também alguns exemplos. Portanto, o inchaço está presente no dia a dia daqueles que se locomovem entre cidades, que passam pelos rios, ou que veem, em um pequeno deslocamento, a desigualdade entre bairros.

Também é importante destacar que esse problema é multifatorial. Assim, ele inclui diversas instituições e governos que passaram pelos locais onde ocorre a superpopulação nas cidades. Desta forma, não há um único partido, grupo, ou organização que carrega a culpa dos empecilhos metropolitanos.

Como resolver esses problemas?

Como o inchaço urbano é uma questão complexa e ampla, não há somente um meio apontado por estudiosos para resolvê-lo. O planejamento da cidade é o ponto que mais influencia a problemática. Portanto, é fato que é mais simples evitar do que reverter a superlotação.

Do ponto de vista da reformulação do meio urbano já existente, é impossível impedir o crescimento da população. Por isso, algumas medidas podem ser tomadas dentro da legislação. Podem ser usados instrumentos de reestruturação urbana, de gestão ambiental e de mobilidade urbana, visando a função social da cidade, como consta na Constituição.

Outro ponto de destaque nesta discussão é a realização do Plano Diretor. Ele é uma lei municipal que, junto dos cidadãos, cria um plano de desenvolvimento urbano. A partir das demandas das cidades, esse projeto passa por diversas revisões em várias delas. E você, leitor, pode participar delas no seu município! Por isso, fique de olho nas revisões da lei.

Leia também: como a população pode participar do plano diretor?

Em São Paulo, por exemplo, houve a revisão do PDE (Plano Diretor Estratégico) de abril de 2021 a abril de 2023. Aconteceram diversos processos participativos, como webinars e votações diretas. É possível acompanhar essa trajetória no site do Plano Diretor SP.

E aí, você sabia que o inchaço urbano era tão abrangente assim? Vai ver o lugar onde mora de um jeito diferente depois de ler esse texto? O que você acha que deve ser feito para diminuir a macrocefalia urbana? Deixe nos comentários!

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Conteúdo escrito por:
Paulista, devoradora de livros, estudante de Jornalismo na faculdade Cásper Líbero. Apaixonada pela escrita, ficcionada em política e em sociologia. Nos tempos livres, cantora de chuveiro.

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17 jun. 2024

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