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Israel e Palestina: entenda o conflito do início!

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Este é o primeiro texto de uma trilha de conteúdos sobre o tema Israel e Palestina. Confira os demais posts da trilha: 

  1. Entenda o início do conflito 
  2. Conflito entre Israel e Palestina da Resolução 181 ao início dos anos 90 
  3. Conflitos entre Israel e Palestina de 1979 aos dias atuais 
  4. Jerusalém

Você provavelmente ouve falar há muito tempo sobre o conflito entre Israel e Palestina. Este embate dura décadas e se acirrou, principalmente, depois da Segunda Guerra Mundial. Mas você sabe a origem do conflito entre o povo judeu de Israel e o palestino? Sabe o que cada um alega para clamar para si o direito à região? E por que a solução parece estar tão distante?

Nessa trilha a Politize! vai explicar a sucessão de acontecimentos entre esses povos desde o ano zero. Vamos lá?

Palestina: como esse nome surgiu?

Veja também nosso vídeo sobre o conflito Israel x Palestina!

Para facilitar, vamos começar nossa história no ano zero da era comum, ou o ano em que Jesus nasceu. Nessa época, a região onde viviam os judeus – o Reino de Israel – era dominada pelo Império Romano. No ano 70 d.C., os judeus se rebelaram e entraram em guerra contra Roma, mas foram derrotados e expulsos do território.

Cerca de 60 anos depois, por volta do ano 130 d.C, os judeus tentaram retomar o lugar e mais uma vez foram derrotados. O imperador romano Adriano, além de expulsá-los novamente, aplicou uma punição: rebatizou o lugar de Palestina, em homenagem aos filisteus, um dos principais inimigos dos judeus.

Ao longo dos próximos séculos, ainda sob domínio romano, todos os povos que moravam na região, independente da religião que seguiam, ficaram conhecidos como palestinos: havia os muçulmanos palestinos, os cristãos palestinos e até os poucos judeus que ficaram por ali eram conhecidos como judeus palestinos.

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Depois da queda do Império Romano em 1453, a região foi passando por diversos domínios diferentes, e em 1516 foi conquistada pelo Império Turco-otomano, que ficou com seu controle até o final da Primeira Guerra Mundial.

Quer entender melhor as consequências da Primeira Guerra Mundial? Vem com a gente!

Conflito israel-palestina

Sionismo e o retorno dos judeus

Os judeus se espalharam pelo mundo, mas não deixaram de ser perseguidos e hostilizados. Durante a Idade Média, por exemplo, viviam marginalizados e eram culpados por qualquer revés, como uma colheita perdida ou a chegada da peste. Na Europa oriental, os pogroms – linchamentos coletivos de judeus – eram frequentes.

Como resposta a essas perseguições, no fim do séc XIX surge o movimento sionista. Dentro dele, os judeus defendiam que a melhor forma de garantir sua própria segurança era criar um Estado judeu, um lar onde todos os judeus pudessem ser protegidos. Como para a religião judaica Israel havia sido prometida por direito divino, esse foi o lugar escolhido para a formação do Estado.

Declaração de Balfour (1917)

Até perto do final da Primeira Guerra, a região estava sob o domínio do Império Turco-Otomano. É só em 1917 que os britânicos fazem a Declaração de Balfour. Nela, manifestam a possibilidade de apoio à causa sionista e à criação de uma pátria para os judeus na Palestina. Para que isso acontecesse, no entanto, a Inglaterra deveria derrotar o Império Turco-otomano e assumir o controle do território. Na interpretação dos judeus, isso significava que haveria apoio, o que os colocava do lado britânico do conflito.

Domínio Britânico da Palestina e o retorno dos judeus (1918)

Ao mesmo tempo, os britânicos ajudaram os árabes da Palestina a lutar contra o Império Turco-Otomano (os otomanos eram, no momento, um inimigo comum) e, ao fim da guerra, o local passou a ser parte do Império Britânico. Até esse momento, todos os povos que ali viviam dividiam a região sem maiores conflitos.

Contudo, a partir do domínio britânico e da Declaração de Balfour, os judeus passam a retornar para a região.

Como reação, em 1919 foi realizado o 1º Congresso Palestino, que se posicionou contra a imigração de judeus para a criação de um Estado. É importante ressaltar que a decisão era a de se opor à imigração de novos judeus. Os judeus que viviam ali, conhecidos como judeus palestinos, deveriam ter o direito de permanecer.

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Haganá: a força de defesa dos judeus (1920)

Com o passar do tempo, as tensões entre judeus e palestinos continuaram a crescer. Em 1920, um ano após o Congresso Palestino, vários líderes religiosos muçulmanos deram declarações reforçando o repúdio à migração de judeus. Brigas, tumultos e linchamentos eclodiram e várias pessoas morreram em conflitos.

A partir desses episódios e alegando que os britânicos não conseguiam proteger nem um lado, nem outro, os judeus formam a sua própria força de defesa: a Haganá.

No decorrer da década de 1920, o Império Britânico reconheceu entidades judaicas, mas não reconheceu nenhuma entidade dos árabes palestinos. Isso acentuou as tensões entre os dois grupos.

1929: Ponto sem volta ao conflito entre Israel e Palestina

Para alguns estudiosos, o ano de 1929 é o “point of no return”: o ano em que as coisas pioraram de vez e qualquer esperança de uma divisão pacífica do território foi perdida. Neste ano aconteceu um conflito entre judeus e muçulmanos sobre o acesso ao Muro das Lamentações. Isso gerou uma escalada de violência, que deixou centenas de mortos dos dois lados. 

Muro das lamentações, com simbologia reliogosa para Israel e Palestina
Muro das Lamentações.

A ascensão de Hitler (1930)

Durante a década de 1930, em várias partes da Europa, mas principalmente na Alemanha, com a ascensão de Hitler, a perseguição aos judeus se intensificou. Como resultado disso, a migração de judeus para a Palestina aumentou consideravelmente.

Para tentar frear a imigração, os britânicos estipularam quotas anuais e estabeleceram limites para aquisição de terras palestinas por judeus, mas essas iniciativas não deram resultado. Os muçulmanos viram a imigração como uma ameaça e as tensões continuaram aumentando.

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Em 1936 a situação se intensificou ainda mais. Um sheik (líder) árabe foi morto pela polícia britânica e isso fez explodir uma revolta nacionalista árabe, contra a imigração judaica em massa e o domínio colonial britânico.

Com argumentos de que os britânicos favoreciam os judeus e eram contra os árabes, foram organizados diversos protestos e uma greve geral. Esse levante foi duramente reprimido pelos britânicos, que receberam auxílio dos judeus e da sua Haganá. Nesse período, cerca de 10% da população adulta masculina palestina foi morta ou exilada.

A Segunda Guerra Mundial e o Holocausto (1939-1945)

Em 1939 começa a Segunda Guerra Mundial e, com ela, o Holocausto. O Holocausto foi a perseguição e eliminação em grande escala – materializada em campos de concentração e de extermínio – dos judeus e outras etnias pelos alemães seguidores do Nazismo.

No fim da guerra, com a derrota da Alemanha e devido ao Holocausto, a ideia da criação do Estado de Israel ganhou muita força dentro da comunidade internacional. Auxiliados principalmente pelos judeus dos Estados Unidos, os judeus europeus sobreviventes passaram a imigrar em massa para a região.

O lugar ainda estava sob domínio britânico e os ingleses adotaram outras medidas para tentar barrar a imigração dos judeus. Os judeus, por sua vez, criaram mais organizações paramilitares e começaram a fazer ações para ocupar o território e tornar Israel independente da Grã-Bretanha.

Organizações Paramilitares Judias e a Questão Palestina

Ao longo do período do Mandato Britânico na Palestina, as tensões entre judeus e árabes aumentaram, levando à formação de diversas organizações paramilitares. Fundada em 1920, a Haganá (a principal dessas organizações) nasceu como resposta às crescentes preocupações de segurança das comunidades judias. No início, seu propósito defensivo: garantir a segurança dos assentamentos judaicos contra ataques árabes.

Entretanto, à medida que as relações entre os árabes e judeus pioraram durante os anos 1930, especialmente após a revolta árabe de 1936-1939, a Haganá começou a expandir sua atuação. Durante esse período, a organização passou por uma fase de modernização e ampliação, desenvolvendo táticas e estratégias mais ofensivas.

Com a Segunda Guerra Mundial e o aumento do fluxo migratório judaico para a Palestina, a Haganá desempenhou um papel crucial na facilitação da imigração judaica, muitas vezes contornando as restrições impostas pelos britânicos. Além disso, enquanto a Haganá adotava uma postura mais colaborativa em relação à administração britânica, outras organizações paramilitares judias, como o Irgun e o Lehi, eram abertamente hostis, levando a ações violentas contra os britânicos e os árabes.

Após a resolução da ONU em 1947, que propôs a divisão da Palestina em um estado judeu e um estado árabe, a Haganá começou a preparar-se para o inevitável conflito armado. Durante a Guerra de  1948, a Haganá participou ativamente de operações ofensivas e teve um papel central na conquista e ocupação de territórios palestinos para o recém fundado Estado de Israel. Após a guerra, a Haganá foi integrada ao recém-formado Exército de Defesa de Israel (IDF).

Quer saber como a questão Israel-Palestina continuou a se desenrolar nos anos seguintes a 1948 até o presente? ! Continue acompanhando essa história com o segundo texto da trilha: Israel-Palestina: da Resolução 181 da ONU ao início dos anos 90.

Veja também nosso vídeo sobre movimentos de extrema direita no mundo:

Referências

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Israel e Palestina: entenda o conflito do início!

19 jul. 2024

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