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73 anos em 5 (pontos): conheça Juscelino Kubitschek

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Juscelino Kubitschek de Oliveira, também conhecido como JK, é um dos presidentes mais populares da história brasileira. A construção de Brasília, o Plano de Metas e o fomento da indústria automobilística no Brasil foram algumas das principais marcas de seu governo. No entanto, vários outros aspectos podem ser citados sobre sua história.
 
 
Quer entender um pouco mais sobre essa figura, seus feitos importantes e os principais objetivos do seu governo? A Politize! traz 5 pontos que você precisa saber sobre Juscelino Kubitschek.
 

Para conhecer mais presidentes brasileiros, leia o nosso texto sobre “todos os presidentes do Brasil”.

1. Quem foi Juscelino Kubitschek?

Nascido em 12 de setembro de 1902, na cidade de Diamantina, Minas Gerais (MG), Juscelino Kubitschek cursou medicina em Belo Horizonte e atuou como médico até os anos de 1940. Durante o exercício de sua profissão, no Hospital Militar da Força Pública de MG, Kubitschek integrou as tropas que combateram os paulistas na Revolução Constitucionalista de 1932 e fez apoio ao Governo Vargas.
 
 
Em 1935, elegeu-se deputado federal, após filiar-se ao Partido Progressista (PP). Kubitschek exerceu o cargo até o fechamento do Congresso com o golpe de 1937, que deu início ao Estado Novo. Nos anos seguintes, foi nomeado prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), participou da criação do Partido Social Democrático (PSD) em Minas Gerais e foi eleito governador do estado em 1950.
 

Veja também nosso vídeo sobre nacionalismo!

 

Durante sua gestão no governo de Minas, foram priorizadas as pautas ligadas à energia, ao transporte e à industrialização. Nesse sentido, criou, por exemplo, a CEMIG, a Centrais Elétricas de Minas Gerais, a partir de recursos advindos da iniciativa privada, do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

 

Com o final do governo de Café Filho, Juscelino Kubitschek tomou posse como presidente do Brasil em 31 de janeiro de 1956, tendo João Goulart como seu vice.
Foto oficial de JK como Presidente. Imagem: Gov BR
 
Enquanto mandatário brasileiro, JK ficou conhecido como o presidente bossa-nova. O apelido se popularizou, pois Juscelino Kubitschek era visto como uma figura com espírito jovem e empreendedor, e recebeu uma homenagem do compositor Juca Chaves, na música intitulada “Presidente Bossa Nova”. Como explicado pela página do Senado Federal, a canção fala de JK como um presidente risonho, simpático e original.
 
 
Em 22 de agosto de 1976, Juscelino Kubitschek faleceu, aos 73 anos, em um acidente automobilístico na via Dutra, próximo à cidade de Resende, no Rio de Janeiro.
 

2. O que Juscelino Kubitschek fez de importante?

A presidência de Juscelino Kubitschek foi marcada principalmente pelas diretrizes do seu Plano de Metas. Tal plano ficou conhecido pelo lema “50 anos em 5” e tinha por objetivo acelerar o crescimento econômico do país. Ele foi pensado a partir de estudos realizados pela Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para entender quais seriam os principais pontos de estagnação da economia do nosso país.
 
 
Diante disso, o programa de Juscelino Kubitschek foi dividido em 30 metas e focou em cinco setores estratégicos da economia nacional: energia, transportes, indústria de base, alimentação e educação.
 
 
Outra iniciativa famosa desenvolvida durante seu governo foi a construção de Brasília e a transferência da capital para o Centro-Oeste brasileiro. A mudança da capital do Brasil para o interior do país não foi uma ideia criada no governo JK. Na verdade, ela já era bem antiga, mas foi Juscelino Kubitschek quem decidiu transformá-la em realidade.
 
 
As elites econômicas da época não queriam trocar o Rio de Janeiro para viver no centro do país. No entanto, a política desenvolvimentista de Kubitschek estava ganhando bastante popularidade naquele período. Como explica a TV Senado, a construção de Brasília seria mais uma forma de aquecer a economia do Brasil e uma equipe robusta foi mobilizada para concretizar o projeto – incluindo Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.
 
 
Oscar Niemeyer e o projeto de Brasília. Imagem: Arquivo Público do Distrito Federal.
 
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília levou cerca de 40 meses para ser construída. A data do “nascimento” da nova capital brasileira era simbólica não só por representar um novo momento para o país, mas também por marcar o dia da morte de Tiradentes.
 
 
De acordo com o governo do Distrito Federal, “o simbolismo [desta data] ajudou a fortalecer em Brasília o ideal de liberdade de um povo e a coragem de uma nação, associando a inauguração à ideia de independência e rendendo homenagem aos inconfidentes que haviam sonhado com um Brasil livre”.
 
 
Outro ponto importante do governo de Juscelino Kubitschek está ligado à ascensão da indústria automobilística no país. Para alcançar tal objetivo, JK via a necessidade de priorizar a entrada de capitais estrangeiros no Brasil.
 
 
Ganster destaca que, até o início da década de 50, o país apenas importava veículos. Entretanto, o autor explica que o governo JK promoveu uma mudança importante nesse cenário: o período do seu mandato “é compreendido como fase de consolidação do setor automotivo no Brasil, pois marca a entrada de grandes montadoras no país assim como a fabricação nacional de veículos automotores, estimulada pelas audaciosas metas de nacionalização estabelecidas pelo então presidente”.
 
 
Por conta de iniciativas como essas, o governo de Juscelino Kubitschek costuma ser lembrado na história do país como parte dos anos dourados do Brasil. Como destaca João Daniel Lima de Almeida, “Juscelino soube traduzir politicamente as expectativas desenvolvimentistas de otimismo e euforia de vários setores da sociedade para seu governo”, o que trouxe um caráter positivo para a sua gestão.
 

3. Qual foi o principal objetivo do Governo JK?

Em resumo, o principal objetivo do Governo de Juscelino Kubitschek foide levar o desenvolvimento econômico ao país, principalmente pelo meio industrial.
 
 
Dessa forma, podemos destacar que seu governo foi orientado, majoritariamente, pelo projeto nacional-desenvolvimentista. Mas como tal modelo de orientação econômica é caracterizado?
Esse tipo de projeto pode ser conceituado, segundo o professor Reinaldo Gonçalves (2012, p. 6), “como o projeto de desenvolvimento econômico assentado no trinômio: industrialização substitutiva de importações, intervencionismo estatal e nacionalismo”.
 
 
Assim, podemos observar, como sublinha João Daniel Lima de Almeida (2013), que no Governo JK, o Estado brasileiro teria um papel central de indutor, regulador e coordenador do desenvolvimento planejado, mas também atuaria como como investidor nas áreas de infraestrutura e bens de capital.

Para entender mais sobre o desenvolvimentismo, leia nosso texto: O que é desenvolvimentismo? Conheça as suas características.

4. A política externa do Governo JK

Ao falarmos sobre a gestão de Juscelino Kubitschek também é importante que olhemos a forma como ele buscava pautar as relações do Brasil com o mundo. Em relação à política externa do Governo JK, devemos levar em conta duas questões: o período histórico em que ele estava inserido e o peso da pauta da industrialização na sua agenda de governo.
 
 
Diante disso, é fundamental lembrar que o governo de JK estava inserido no contexto da Guerra Fria e que o desenvolvimento da indústria nacional foi fortemente associado à entrada de capitais estrangeiros no país. Assim, entender esses dois fatores é essencial para se compreender a política externa do seu mandato.
 
 
Nesse sentido, ao olharmos para tais fatores, uma questão importante que podemos citar sobre o governo de Juscelino Kubitschek está ligada à apresentação da proposta da Operação Pan-Americana (OPA) aos Estados Unidos.
 
 
De acordo com Altemani de Oliveira (2017), a tentativa de implementação dessa iniciativa representava uma estratégia de sensibilizar os Estados Unidos para a problemática do subdesenvolvimento brasileiro e regional. Assim, buscou-se um redirecionamento dos investimentos estadunidenses para o Brasil e para a América Latina.
 
 
Ainda segundo o autor, o incentivo para a instalação da Operação Pan-Americana ajudou a reintroduzir o tema do multilateralismo na política externa brasileira. A inclusão dessa pauta veio em oposição ao bilateralismo do alinhamento com os Estados Unidos, mesmo ainda existindo vinculação prioritária do Brasil aos EUA.
 
 
Por fim, é importante entender que, no contexto do Governo JK, a pauta que trazia uma relação entre o subdesenvolvimento e o comunismo ganhou um destaque importante. Isso porque, para o presidente brasileiro, a ameaça comunista era a consequência da falta de desenvolvimento e investimentos no país, como explica João Daniel Lima de Almeida (2013). Assim, ele buscou angariar apoio dos Estados Unidos para o projeto desenvolvimentista no Brasil.

 

5. Críticas ao governo de Juscelino Kubitschek

 
Apesar de ser comumente lembrado pelos grandes projetos desenvolvidos no país, o que trouxe um caráter de esperança para o seu governo, Juscelino Kubitschek também foi alvo de fortes críticas durante e depois de seu mandato.
 
 
Os altos gastos para o financiamento de seus projetos, por exemplo, são apontados por muitos como uma questão problemática de sua administração. Tais despesas geraram uma grande inflação no país e constituíram um endividamento crescente dos cofres públicos. Além disso, a utilização de capital estrangeiro para fomentar o Plano de Metas gerou desequilíbrio monetário no Brasil.
 
 
Outro ponto bastante criticado é em relação à distribuição do orçamento. Durante seu governo, as pastas ligadas à energia, aos transportes e à indústria de base receberam mais de 90% dos recursos ligados ao Plano de Metas, enquanto que menos de 10% foi alocado para a alimentação e a educação. Nesse sentido, muitas vezes o seu governo é associado a uma minimização das questões sociais e à continuidade das desigualdades regionais.
 
Charge utilizada no ENEM de 2013. Imagem: Exame Nacional do Ensino Médio.
 
 
A pauta automobilística também é uma questão de desaprovação por alguns: certos autores explicam que, ao incentivar a produção de carros, o governo também acabou por valorizar o modelo de rodoviarismo em detrimento das hidrovias e ferrovias, o que teria trazido problemas ao longo prazo para o Brasil.
 

E aí, conheceu um pouco mais da história de Juscelino Kubitschek? Sabia que sua vida pessoal e seu governo tinham tantos pontos interessantes de atenção? Fale para a gente nos comentários!

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Conteúdo escrito por:
Filha do menor estado do Brasil. Tenho os pés na minha cidade de Aracaju, mas a mente no mundo. Graduanda em Relações Internacionais pela UFS. Fã de carteirinha dos Jonas Brothers e dos estudos sobre Política Externa Brasileira.

73 anos em 5 (pontos): conheça Juscelino Kubitschek

17 jun. 2024

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