Conheça a Marinha do Brasil

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A Marinha do Brasil é uma das três forças componentes das Forças Armadas do Brasil. Está subordinada ao Ministério da Defesa e ao Presidente da República. Neste texto, vamos mostrar como a Marinha Brasileira está organizada. Você sabe quantos distritos navais existem no Brasil? Quantas bases navais e onde elas estão? Vamos responder perguntas como essas e outras mais.

História

A história da Marinha brasileira começa ainda no século XVIII. A data de 28 de julho de 1736, quando D. João V, rei de Portugal, criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos, é considerada um dos primeiros marcos legais ligados à origem da marinha.

No entanto, foi em 1808, com a transferência da família real lusitana para o Rio de Janeiro, que a Marinha Brasileira deu um salto em sua estrutura. Com a vinda do rei D. João VI, grande parte da estrutura e do pessoal da Marinha Lusa também foi transferida para o Brasil. Essa estrutura seria a base, durante e após a independência, da Marinha Imperial brasileira.

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A Marinha Imperial

Durante o Brasil Monárquico, a Marinha Imperial tomou parte em praticamente todos os conflitos em que o país se envolveu, desde a guerra de independência, a Confederação do Equador e a Guerra Cisplatina, ainda no reinado de Pedro I, até a Guerra do Paraguai e as diversas revoltas populares do século XIX.

Na Guerra do Paraguai, foi travada uma das batalhas mais importantes da Marinha Brasileira, a Batalha de Riachuelo. Durante todo o Império, a Armada Nacional, como era chamada a Marinha, se manteve relativamente bem equipada dentro do contexto sul-americano.

A Marinha do Brasil no século 20

Quando da proclamação da República, a Marinha Imperial era uma das instituições mais fiéis a D. Pedro II. Mas, durante a República Velha, perdeu importância em detrimento do Exército, vendo seus meios navais ficarem obsoletos rapidamente.

No século 20, a Marinha Brasileira tomou parte na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Na Primeira Guerra, foi enviada uma esquadra para patrulhamento do Oceano Atlântico. Já na Segunda Guerra, participou de patrulhas anti-submarino e de proteção aos comboios de suprimentos que cruzavam o oceano atlântico.

Na década de 1970, entraram em serviço as fragatas da classe Niterói, até hoje os principais navios da Marinha Brasileira.

No ano de 2017, o maior navio que a Marinha já operou, o porta-aviões São Paulo, foi desativado após anos de serviço (grande parte deles estacionado no Arsenal da Marinha para reparos e manutenção).

Atualmente, a Marinha brasileira participa da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, conhecida como Unifil. Desde 2011, quando entrou na missão, a Marinha Brasileira lidera a Unifil com uma fragata e uma aeronave embarcada. Em conjunto com navios de outros países, como Alemanha, Grécia, Turquia, Indonésia e Bangladesh, participa de patrulhas para impedir a entrada de armas e contrabandos no Líbano e no treinamento da força naval libanesa (veja mais aqui).

Organização e Distritos Navais

O órgão máximo da Marinha Brasileira é o Comando da Marinha, nascido em junho de 1999, após o fim do Ministério da Marinha. O Comando é subordinado ao Ministério da Defesa e ao Presidente da República.

O comandante da Marinha é assessorado por diversos órgãos de assistência. Sete órgãos de direção estão subordinados ao Comando da Marinha. Eles são responsáveis por dirigir toda a parte administrativa, de formação militar e emprego dos meios navais da esquadra. Dentre estas sete diretorias, o Comando de Operações Navais é a responsável pelo emprego e comando dos navios e meios da Marinha (semelhante ao Coter do Exército brasileiro).

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Figura 1: Organograma da Marinha. Fonte: Livro Branco da Defesa Nacional

O ComOpNav (Comando de Operações Navais) é responsável pela prontificação, adestramento e emprego das Forças Navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais nas operações militares, de acordo com o Livro Branco de Defesa.

O ComOpNav é formado pelas seguintes organizações militares:

  • Comandos dos distritos Navais (ComDN) – Cada comando é responsável por um dos 9 distritos navais do Brasil. Cada distrito naval é um território subordinado a um comando naval de área responsável por administrar e dirigir os meios da Marinha naquela região;
  • Comando da Força de Fuzileiros Navais da Esquadra (ComFFE) –  Responsável pelo emprego do corpo de fuzileiros navais. Esta unidade militar desenvolve operações terrestres que estejam no contexto de operações navais;
  • Comando de Controle do Tráfego Marítimo – Esta é a Organização Militar responsável por garantir a segurança do tráfego marítimo e de atender a compromissos internacionais assumidos pelo País, relativos ao Controle Naval do Tráfego Marítimo;
  • Comando-em-Chefe da Esquadra (ComemCh) – É o centro de decisão do Poder Naval brasileiro. É responsável por manter os comandos subordinados em prontidão para operações navais e por operar a esquadra em si(vide próxima seção).

Na figura 2, você pode ver como o território brasileiro está dividido em distritos navais.

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Figura 2: Distritos navais brasileiros. Fonte: Livro Branco da defesa Nacional.

Além dos nove distritos navais, existem cinco áreas na região costeira chamadas de salvamar, e outras duas no interior do país. Salvamar é o nome dado ao Serviço de Busca e Salvamento da Marinha.

Divisões de Recursos humanos: Armas, Quadros e Serviços

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Figura 3: Distritos navais e salvamars. Fonte: Marinha

A região de busca e salvamento abrange toda a região costeira e está dividida em cinco sub-regiões, existindo em cada uma delas um Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo (salvamar Brasil). As águas interioranas, mais especificamente as vias navegáveis da Amazônia Ocidental e da bacia do Rio Paraguai, também possuem Centros de Coordenação de Busca e Salvamento.

A esquadra brasileira

A Esquadra é subdividida em forças, as quais são organizadas de acordo com o ambiente operacional em que suas unidades atuam. São elas:

  • Comando da Força de Superfície (ComForSup) – Consiste nos navios de superfície como fragatas e corvetas;
  • Comando da Força de Submarinos(ComForS) – Consiste nos submarinos da Marinha brasileira;
  • Comando da Força Aeronaval (ComForAerNav) – consiste na força aeronaval da Marinha, composta por helicópteros e aviões.

A Esquadra brasileira está sediada na ilha de Mocanguê, Rio de Janeiro (RJ),  e é apoiada pelas seguintes bases e centros navais:

  • Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ) – responsável pelo apoio aos navios de superfície, como fragatas e corvetas;
  • Base Almirante Castro e Silva (BACS) – responsável pelo apoio aos submarinos
  • Centro de adestramento Almirante Marques Leão – responsável pela formação profissional do pessoal da Marinha;

A esquadra brasileira

Os navios da Marinha

A esquadra brasileira é formada principalmente pelas fragatas da classe Niterói, fabricadas no Reino Unido e transferidas ao Brasil na década de 70, e duas fragatas da classe Greenhalgh. São elas;

  • Classe Niterói:
    • Fragata União;
    • Fragata Liberal;
    • Fragata Constituição;
    • Fragata Defensora;
    • Fragata Niteroi;
    • Fragata Independência.
  • Classe Greenhalgh;
    • Fragata Rademaker;
    • Fragata Greenhalgh.

Fragata Liberal disparando míssil Exocet mm-38. Créditos da imagem: Brazillian Navy (foto: Serviço de divulgação da Marinha – SDM).

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No início da próxima década, as fragatas já entram no final do ciclo de vida. Em janeiro de 2017, foi noticiado que a MB tem trabalhado com a ideia de substituí-las por corvetas da classe Tamandaré, um navio menor e mais condizente com a realidade orçamentária. Além disso, as corvetas Tamandaré foram desenhadas pelo centro de projetos da própria Marinha Brasileira, e seriam fabricadas em estaleiros locais.

Além das fragatas, a MB conta também com o seguintes navios:

  • Submarinos classe tupi e tikuna:
    • Tupi;
    • Tamoio;
    • Timbira;
    • Tapajó;
    • Tikuna.
  • Submarinos em construção/desenvolvimento;
    • 4 submarinos Scorpene em construção planejados para serem entregues até 2021;
    • 1 Submarino nuclear em fase de desenvolvimento com entrega prevista para 2024.

Há ainda três corvetas operacionais, duas da classe Inhaúma e uma da classe Barroso. Outras embarcações, como os Navios de Desembarque de Docas Almirante Saboia, Mattoso Maia e Garcia D’avilla, embarcações de apoio logístico e de instrução completam a esquadra.

Destaca-se o navio veleiro Cisne Branco, cuja principal atribuição é desempenhar funções diplomáticas e representar o Brasil em eventos nacionais e internacionais. Em 2017, o Navio Aeródromo São Paulo, outro destaque e até então o único porta-aviões da MB, foi desativado e já não faz parte da frota brasileira.

Navio veleiro Cisne Branco. Créditos da imagem: Navy of Brazil.

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Considerações finais

Essa foi uma breve exposição sobre como está organizada a Marinha Brasileira e alguns dos principais navios. Lembrando que os navios que mencionamos são apenas os da Esquadra Naval. Fora eles, há ainda inúmeras embarcações fluviais, de pesquisa e cartografia.

Este não é um texto exaustivo, por isso recomendamos o leitor a fazer uma visita ao site oficial da Marinha do Brasil e conhecer mais sobre a força naval. Esperamos que tenha gostado e aprendido um pouco mais sobre a Marinha Brasileira. No próximo texto, será a vez da Força Aérea Brasileira.

Referências

Livro Branco da Defesa Nacional | Site Oficial da Marinha Brasileira | Blog Naval | Sociedade Militar | Brasil Imperial

Publicado em 05 de junho de 2017.

Vitor Vidal de Negreiros

Engenheiro eletricista graduado pelo CEFET-MG. Escritor e redator voluntário do portal Politize!.