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imagem ilustrativa monetarismo. Imagem: Pxhere.com
Imagem: Pxhere.com

Você já ouviu falar do Monetarismo? Independente da resposta ser positiva ou negativa, é inegável que esse conjunto de ideias está muito presente no cenário econômico, seja ele mundial ou nacional.

Para entender a teoria econômica conhecida como Monetarismo, é preciso conhecer o seu principal porta-voz, o economista norte-americano Milton Friedman, que lecionou na Universidade de Chicago por mais de 30 anos.

Debate econômico sobre tamanho do Estado

Um ávido defensor das liberdades individuais, Friedman era entusiasta de pautas como as taxas de câmbio flutuantes, a redução do papel estatal na economia, as privatizações, a desregulamentação do mercado e, até mesmo, a retirada do Estado em assuntos essenciais, como educação, saúde e segurança.

O economista começou a ganhar destaque no final da década de 1960. Na época, a principal corrente econômica defendida era o keynesianismo, de outro economista reconhecido, John Maynard Keynes.

O keynesianismo está diretamente ligado à intervenção estatal na economia, sobretudo, no combate ao desemprego. O Estado intervencionista de Keynes entende que gastos em políticas públicas e em projetos de infraestrutura teriam um papel fundamental para geração de empregos para o aquecimento da economia, especialmente em períodos de recessão.

Keynes interpretava que a quantidade de dinheiro em circulação na economia não era um critério de relevância para ditar a política econômica. Aliás, o teórico defendia a injeção de papel moeda nos setores de atividade e a impressão constante de dinheiro, estratégias que eram colocadas em prática por meio de obras públicas e políticas de incentivo, respectivamente.

Então, quem foi Milton Friedman? o que ele pensava?

Friedman era veementemente contra essa postura do keynesianismo. Assim, ele propôs uma política macroeconômica que aceitava uma taxa “natural” de desemprego, ao defender governos que interpretavam um certo nível de desocupação como necessária à economia. Ao contrário de Keynes, Friedman ressaltava que a inflação cresceria em um cenário com maior papel moeda em circulação.

Friedman não era favorável ao Federal Reserve System (conhecido como Fed nos Estados Unidos, uma entidade que funciona como o Banco Central no Brasil), mas já que sua existência era um fato, o teórico afirmava que a instituição financeira deveria operar com funções específicas. Para ele, o Fed deveria atuar de forma totalmente independente, bem como ter o controle da oferta monetária (monitorar a quantidade de dinheiro em circulação) e da taxa de juros, de modo a controlar a inflação.

Para exemplificar, Friedman criticou o modo como a Grande Depressão, nos anos 30, foi levada a uma solução por meio da intervenção estatal e políticas intervencionistas, como o New Deal, do presidente Roosevelt, que levou o keynesianismo ao seu ápice prático.

Na interpretação de Friedman, o Governo agravou uma crise que, a princípio, seria momentânea, por meio da injeção de dinheiro na economia com projetos estatais de infraestrutura para geração de emprego e impressão de papel moeda.

Era nesse ponto que Keynes (política fiscal expansionista) e Friedman (política fiscal contracionista) divergiam fortemente, de modo a constituir dois polos opostos.

Aspectos como o desemprego, a oferta e a procura, a produtividade nacional (PIB) e o crescimento econômico seriam conduzidas por si só, apenas com intermediação estatal no controle do fluxo monetário, de acordo com a teoria de Friedman, chamada de monetarismo.

Suas ideias ganharam força durante a década de 1980 e, na atualidade, seu pensamento está ainda presente. Adeptos da Escola de Chicago se encontram espalhados pelo mundo todo e alguns ocupam posições de poder, como é o caso do Brasil, através do Ministro da Economia, Paulo Guedes.

Monetarismo: contexto histórico

Vale destacar que as ideias de Friedman tiveram o segundo momento da Guerra Fria e a polarização mundial entre o Capitalismo e o Socialismo como contextos históricos. Sendo assim, o monetarismo que o teórico propôs moldou o pensamento capitalista tal como o conhecemos hoje.

Na década de 1970, os Estados Unidos passavam por um período de estagflação, isto é, quando há estagnação econômica junto com o excesso de circulação de moeda (inflação).

Friedman entendeu que papel moeda em larga quantidade no mercado causava inflação e foi nesse ponto que as políticas keynesianas encontravam dificuldades para aquecer a economia.

Assim, Friedman propôs justamente o contrário do que era o praticado na época: a diminuição de demanda pelo consumo e o aumento do desemprego iria fazer com que os Estados Unidos superassem a estagflação.

O teórico afirmava que a inflação sempre seria uma falha estatal – ao imprimir dinheiro demais ou não agir de forma efetiva quando necessário -, ou seja, resultado de uma política monetária mal executada.

A política fiscal (trata-se de um conjunto de iniciativas do Poder Executivo, na figura dos Governos Federais, que se voltam ao equilíbrio das contas públicas e ao ajuste de gastos de um país) não é capaz de resolver o problema da estagflação (quando a inflação e o desemprego se apresentam em níveis altos, ao mesmo tempo), ao contrário da política monetária (iniciativa que preza pelo controle de moeda em circulação). A taxa de juros teria um papel fundamental nesse quesito ao induzir uma recessão.

O monetarismo na prática

Friedman ganhou destaque como conselheiro em assuntos econômicos do presidente norte-americano Ronald Reagan (Partido Republicano), quando o chefe de Estado assumiu o cargo, em 1981, em um período de fragilidade econômica. Na época, o economista propôs uma economia de livre mercado com intervenção mínima e foi com essa estratégia que Reagan conseguiu atenuar a crise causada pela estagflação da economia norte-americana.

Em 1983, a economia norte-americana saltou 4,5%; no ano seguinte, mais 7,2%; e, em 1985, o crescimento foi de 4,1%. O desemprego, em 10,8% em 1982, caiu para 6,6%, no fim de 1986, e chegou a 5,3% em 1988, a porcentagem de desemprego considerada como “natural” pelos preceitos do Monetarismo e economistas dessa escola.

Todavia, suas medidas econômicas acabaram por aumentar a desigualdade social nos Estados Unidos. Para manter o equilíbrio fiscal, Reagan reduziu significativamente os programas de auxílios governamentais e o salário mínimo dos norte-americanos foi mantido em US$ 3,35 por hora, valor que foi congelado durante a sua administração.

Enquanto o desequilíbrio se alargava, Reagan não economizou ao financiar a Defesa dos Estados Unidos, enquanto a disputa ideológica com a URSS se mantinha ativa. De US$ 154 bilhões gastos em 1981, houve o crescimento de 11% no financiamento para as tropas americanas e equipamentos em 1989, totalizando US$ 295 bilhões.

Monetarismo e Liberalismo

Friedman se considerava um liberal. Ou seja, para o economista, nenhum valor deveria ser priorizado em detrimento da liberdade, nem mesmo a igualdade entre as pessoas.

Sendo assim, o teórico se opunha fortemente às atitudes do Estado que restringiam a liberdade entre as pessoas. A ideia de liberdade para Friedman estava intrinsecamente ligada com a economia, pois apenas em um sistema econômico livre as pessoas poderiam fazer total uso de sua liberdade.

Para Friedman, o Governo não passava de um mal necessário para que as liberdades individuais não fossem violadas. Os seres humanos são seres imperfeitos e precisam de uma entidade, mesmo que com atuação mínima, para controlar o meio social. Nesse ponto, Friedman se afasta do anarquismo, doutrina que visa à eliminação total do Estado.

O Governo só deve estar onde a iniciativa privada não consegue atuar. Essa é a ideia central do pensamento de Friedman. Sendo assim, o Estado só estaria presente em questões como a proteção à ataques internos e entre cidadãos de uma mesma sociedade. Sendo assim, o Monetarismo pode ser entendido como uma vertente dentro do pensamento liberal, que se ocupa, sobretudo, de assuntos relacionados à economia.

A Escola de Chicago

Nos últimos anos, muitas ideias outrora defendidas pela Escola de Chicago voltaram à tona, junto com a disseminação de ideias neoliberais que avançaram pelo mundo.

Basicamente, os adeptos aos preceitos da Escola de Chicago rejeitam fortemente os ideais keynesianos de um Estado interventivo na economia e defendem a filosofia de economistas liberais, como George Stingler e Milton Friedman.

Vale ressaltar que a Escola de Chicago – termo que surgiu em meados de 1950 para designar o Departamento de Economia da Universidade de Chicago, onde os preceitos de Friedman e a sua teoria monetarista eram discutidos – foi primeiramente influenciada pela Escola Austríaca de pensamento, sendo esta um conjunto de ideias que refutavam a leitura de Karl Marx e Friedrich Engels do Capitalismo, encontradas na obra “O Capital”. Dessa maneira, a Escola Austríaca defendia o Liberalismo Econômico e tem como principal representante o economista Friedrich Hayek.

A Escola de Chicago recebeu esse nome pois era em uma universidade dessa cidade norte-americana que estudiosos se reuniam para discutir ideias políticas e econômicas na década de 1950. Era no Departamento de Economia da Universidade de Chicago, bem como na Escola Superior de Administração e na Faculdade de Direito, que os ideias liberais foram voltando ao cenário mundial em um contexto altamente desfavorável às políticas intervencionistas estatais.

Na década de 70, os assuntos discutidos na Escola de Chicago ganharam tamanha força mundial que líderes políticos chegaram a ser influenciados por suas ideias.

Influências da Escola de Chicago pelo mundo

No Chile, por exemplo, Augusto Pinochet, acompanhado dos “Chicago Boys” (um grupo de 25 economistas que elaboram a política econômica de Pinochet), tomou o poder com promessas embasadas na filosofia dessa escola de pensamento.

Mais tarde, na Inglaterra, Margaret Thatcher também alcançou uma posição de prestígio, como Primeira-Ministra, com a promessa de colocar em prática os ideais do pensamento liberal, ao combater movimentos comunistas na Inglaterra, acabar com a política sindical trabalhista e iniciar um plano amplo de privatização estatal.

Nos Estados Unidos, como mencionado, o presidente Ronald Reagan era forte adepto aos preceitos da Escola de Chicago, pois o líder de Estado teve uma postura econômica voltada à redução de gastos públicos, à redução do imposto pago sobre ganhos de capital, à redução da regulação da economia e ao controle da oferta da moeda para reduzir a inflação, sendo isso tudo diretrizes do monetarismo de Friedman. Nesses governos, a ideia de Estado Mínimo de Friedman era central.

Além do Chile e da Inglaterra, a Escola de Chicago influenciou instituições internacionais, como o Banco Mundial, o Departamento do Tesouro Americano e o Fundo Monetário Internacional. Nos anos 80 e 90, muitas estatais, especialmente as localizadas em países em desenvolvimento, foram privatizadas, seguindo os preceitos da Escola de Chicago.

Sendo assim, a Escola de Chicago é influenciada pela ideologia do monetarismo, ou seja, uma doutrina que defende que o foco do Estado deve ser na política monetária e defensora do livre comércio.

Entre os pilares que sustentam a Escola de Chicago estão a privatização de estatais, a eliminação do Estado na economia, o mercado guiado por sua força natural (a “mão invisível” de Adam Smith), a redução de tributos aos consumidores e para companhias, e a negação ao protecionismo econômico, uma postura que tem como base a priorização do mercado nacional, em detrimento do mercado internacional.

Enquanto a Escola Austríaca rejeitava o Socialismo na segunda metade do Século XIX e início do Século XX, a Escola de Chicago criticou o Keynesianismo praticado nas nações depois dos conflitos mundiais, especialmente na questão do intervencionismo estatal.

Apesar das políticas defendidas pela Escola terem encontrado solo firme na história, o neoliberalismo, que teve como berço a Escola de Chicago, é considerado responsável por aumentar a desigualdade social e precarizar o sistema trabalhista nos Estados Unidos de Reagan e na Inglaterra de Thatcher, além de ter dado espaço ao autoritarismo de Pinochet.

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