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A presença da mulher no mercado de trabalho está cada vez mais intensa e a tendência é só aumentar. 

Imagem ilustrativa: mulher no mercado de trabalho. Imagem: Pexels.com/Christina Morillo
Imagem: Pexels.com/Christina Morillo

Esbanjando competência e qualificação profissional, elas estão se desprendendo dos antigos trabalhos domésticos e de cuidados para ocupar a ciência, a economia, a engenharia, a tecnologia e, inclusive, a política. 

Hoje, são lideranças, empreendedoras, juízas e doutoras. Enfim, estão em todos os setores do mercado e seguem lutando por seus direitos. 

Se você quer saber mais sobre os avanços, desafios e encontrar dicas para lidar com os perrengues que o mercado de trabalho traz no dia a dia para as mulheres, esse artigo é para você!

VIOLÊNCIAS SUTIS, MAS CORRIQUEIRAS PARA A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

Manterrupting, Mansplaining, Bropriating e Gaslighting são termos criados pelo pensamento feminista para explicar e reagir à postura machista e, de certa forma, são termos criados para repreender uma violência silenciosa sofrida pelas mulheres.

Essa violência ocorre dentro de casa, entre amigos, no ambiente de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e, principalmente, nas relações afetivas, mas é no ambiente de trabalho que podemos identificar com maior clareza. 

Mas afinal, o que significam esses termos?

Veja também nosso vídeo no YouTube sobre violência contra a mulher!

O que é Manterrupting?

É um contexto onde o homem interrompe constantemente uma mulher, de maneira desnecessária, não permitindo que ela consiga concluir sua frase.

A palavra é uma junção das palavras em inglês “man” (homem) e “interrupting” (interrupção) e, em tradução livre, quer dizer “homens que interrompem”.

Exemplo: Uma reunião, na qual a mulher não consegue desenvolver e concluir sua ideia, pois é constantemente interrompida pelos homens ao seu redor. E caso ela insista em concluir sua ideia, acaba saindo como agressiva ou histérica.

O que é Mansplaining?

É o cenário no qual o homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio a uma mulher, de forma didática, muitas vezes de forma paternal, como se ela não fosse capaz de entender. 

O termo é uma junção das palavras em inglês “man” (homem) e “explaining” (explicar).

Exemplo: Quando um homem acha que sabe mais sobre um tema do que uma mulher, e faz questão de explicá-lo a ela.

O que é Bropriating?

Ocorre quando um homem se apropria da mesma ideia expressada inicialmente por uma mulher, levando os créditos por ela. 

O termo é uma junção de “bro” (de brother, irmão, mano) e “appropriating” (apropriação).

Exemplo: É comum no ambiente de trabalho, mulheres serem menos ouvidas em momentos de decisão, isso faz com que as mesmas sejam desacreditadas, ocupando menos cargos de liderança nas empresas, já que suas ideias servem de degrau para os homens.

O que é Gaslighting?

Derivado do termo inglês Gaslight, ‘a luz [inconstante] do candeeiro a gás’ no inglês, o termo também pode ser usado para descrever “um gaslighter”, que significa uma pessoa que vende uma ideia falsa. 

É também um dos tipos de abuso psicológico que tem o objetivo de fazer o outro duvidar de suas percepções. 

Essa violência costuma acontecer frequentemente com mulheres, levando-a a achar que enlouqueceu ou está equivocada sobre um assunto, sendo que está originalmente certa. 

É um jeito de fazer a mulher duvidar do seu senso de percepção, raciocínio, memórias e sanidade.

Exemplo: No dia a dia, temos algumas frases que são características deste tipo de comportamento: “Você está exagerando”; “Pare de surtar”; “Não aceita nem uma brincadeira?”; “Você está louca!”; entre outras. 

Agora que já sabemos um pouco mais sobre alguns tipos sutis, ou não tão sutis assim, de violências enfrentadas no cotidiano da mulher, agora vamos levar esse panorama à prática do mercado de trabalho.

Leia também: Violência contra a mulher na pandemia: conheça seus direitos!

A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO 

A mulher no mercado de trabalho vem constantemente evoluindo através de seus esforços e méritos, sabemos que nem sempre foi dessa forma, pois foi longo o caminho percorrido por diversas lutas, até chegar ao ponto de ter de fato reconhecimento. 

Sabemos como foi e como ainda é, toda a trajetória: longa e cheia de altos e baixos.

O PRECONCEITO E A VIOLÊNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

Muitos homens ainda enxergam as mulheres como frágeis e incapazes. Como se não tivessem inteligência suficiente para lidar com questões mais complexas, exigidas por cargos mais altos, ou se não merecessem o mesmo tipo de tratamento na empresa, ou também de liderança.

Isso pode trazer algumas situações que gerem grandes constrangimentos, agressão verbal e não verbal, assédios, torturas psicológicas, etc.     

Em pesquisa realizada em 2020, pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com o apoio da Laudes Foundation, foram entrevistadas 1.500 pessoas, tendo como objetivo colher relatos e experiências de mulheres e homens sobre as violências que são sofridas por mulheres no ambiente de trabalho.

A pesquisa traz dados de conhecimento da maioria da população, como a diferença salarial, a necessidade da mulher conciliar as tarefas familiares com o trabalho, entre outras

No entanto, o que mais chama atenção nos dados trazidos são os números de assédios no ambiente de trabalho, o que dificulta, e muito, o dia a dia da mulher no mercado de trabalho.

Perguntas como: 

“A aparência física de uma pessoa que lida com o público deve ser avaliada no momento de sua contratação.” Ou “É normal que homens elogiem a aparência de mulheres colegas de trabalho, não há nada de errado nisso.”

57% disseram que concordam com a primeira colocação e 49% que concordam com a segunda colocação.

São esses tipos de assédios, historicamente considerados normais, que tornam a experiência profissional da mulher, cada vez mais, desanimadora. 

Ter que se enquadrar em percepções masculinas do que é aceitável, belo, e correto dentro do ambiente profissional, só potencializa a violência que o machismo impõe na vida das mulheres.

Além desses dados, a pesquisa também aponta que para 59% das mulheres jovens, não há a necessidade de dizer se pretendem engravidar, em uma entrevista de emprego. 

70% das mulheres já contratadas possuem mais medo de contar sobre uma gravidez ao seu superior, do que um homem.

Um comparativo de situações de assédio entre homens e mulheres no ambiente de trabalho, também foi realizada, vejamos:  

Pesquisa: Percepções sobre a violência e o assédio contra mulheres no trabalho (Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva, 2020).
Pesquisa: Percepções sobre a violência e o assédio contra mulheres no trabalho (Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva, 2020).

Vemos a disparidade de situações de assédio que tornam o local de trabalho um ambiente hostil para as mulheres, trazendo mais desafios do que os aceitáveis para uma carreira profissional. 

Podemos verificar, também, o que os impactos da pandemia trouxeram sobre as trabalhadoras, como: novos desafios para as mulheres – instabilidade financeira, preocupações, desentendimentos e a ampliação da sobrecarga do trabalho doméstico –, tornando ainda mais difícil conciliar o trabalho remunerado e o cuidado com os filhos e a casa.

Ainda falando de violência, voltada agora para a psicológica:

Gaslighting

Pode-se dizer que o termo surgiu após o filme “Gas Light” (À Meia Luz), de 1944. Na trama, o marido tenta convencer a mulher de que ela é louca, manipulando pequenos elementos de seu ambiente e insistindo que ela está errada ou que se lembra de coisas de maneira incorreta. 

O nome faz referência às lâmpadas que, alimentadas a gás, em certo momento, piscam. Ela nota, mas o marido a faz acreditar que está imaginando, fazendo com que a mulher duvide da própria sanidade.

“Nesse sistema, as mulheres carregam o estigma de ‘loucas, histéricas e exageradas’, mas muitas vezes estão simplesmente contestando os homens e não querem seguir as normas e padrões sociais impostos”, Natália Marques, psicóloga

Como se proteger da violência contra a mulher no mercado de trabalho?

Primeiramente, segundo orientações de profissionais, é necessário identificar o que está acontecendo, há a necessidade de percepção de atitudes que te fazem duvidar de sua capacidade, sanidade, criar dependência, e constantemente pedir desculpas. 

Frases do tipo fazem parte da violência: “você está ficando louca”, “está exagerando”, “eu não disse isso”, “você não sabe do que está falando” “você inventa”.

Posteriormente, é necessário criar coragem e dividir o que está acontecendo com pessoas próximas, e que podem te ajudar a ter forças para conseguir encontrar um caminho para sair desse tipo de situação. 

Se isso acontecer no ambiente de trabalho, é importante procurar um superior, ou até mesmo o RH, e relatar o que vem acontecendo, e se não for suficiente, procure um advogado, esse com certeza te ajudará a impedir que essas situações se repitam com outras pessoas.

Para além do ambiente de trabalho, é importante que sempre que você se deparar com situações de assédio, procure um acompanhamento terapêutico, pois essas situações podem desencadear outros sintomas, como ansiedade e depressão.

E não é o que queremos, pelo contrário, esse artigo vem para te alertar e oferecer algumas ferramentas para que você se destaque onde estiverem! Você não está sozinha!

E por fim, todas essas trajetórias foram e ainda são percorridas por mulheres guerreiras, que em meio às lutas, dores, medo e opressão, saem vitoriosas, isso porque temos que ressaltar os ganhos de cargos e posições. 

Se antes era atribuído às mulheres somente os trabalhos domésticos ou de cuidados, como enfermeiras, costureiras, professoras ou cozinheiras, hoje as coisas são bem diferentes. 

As mulheres estão presentes em praticamente todos os setores do mercado, muitas já assumem cargos de liderança. Elas estão na política, na engenharia, na ciência e na tecnologia. São protagonistas do próprio negócio, empreendedoras, juízas e doutoras. 

Estão por toda parte, lutando por seus direitos, igualdade e mostrando a evolução da mulher no mercado de trabalho. Vencer desafios “está no sangue”, já que se acostumaram a ter que “matar um leão por dia”. 

Mas o que fica de positivo é que o caminho já está sendo seguido e a tendência é que ele se torne ainda melhor daqui em diante. 

A MULHER EM ESPAÇOS DE PODER

A remuneração da mulher, em relação ao homem, continua inferior, o que representa a consequência de condutas e posturas destinadas a reduzir a mulher em sua trajetória histórica de lutas pela equidade

O grande desafio se consolida em ocupar o seu espaço legítimo na sociedade, tal qual preconiza a Constituição de 88, que consagrando o princípio da isonomia, define o fato de que: “Todos somos iguais perante a lei”, instituindo os termos “igualdade de gênero” e “não discriminação”, referendada na ODS5, um dos objetivos do milênio instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), que significa:

“acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas em toda parte. Eliminar todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e outros tipos”. 

Notadamente, a luta da mulher atravessou fronteiras e é mundial.   

Diante de tantos eventos, as mulheres devem unir forças e ocupar espaços de poder, a fim de promover uma conscientização na sociedade, exercendo e buscando, na prática, a vivência dos direitos conquistados por força de lei.

A mulher no trabalho

Em relação à efetiva entrada da mulher no mercado de trabalho, deve-se observar o recorte histórico associado a tal fato. 

Mariana Muaze (2016) relata em sua pesquisa científica que, à época da escravatura, o processo de alforria e as relações de trabalho no período após a abolição são imprescindíveis para entender como funciona a atual conjuntura trabalhista feminina.

Primeiramente, segundo a autora supracitada, as mulheres libertas foram contratadas para executar trabalhos em condições semelhantes à escravidão. 

Posteriormente, no século XIX, a mulher branca passou também a ser associada ao trabalho doméstico do lar, isso porque a sociedade da época considerava essa uma função da esposa: “mãe de família” e o marido dedicava-se a criar os filhos e do sustento financeiro.

No entanto, as mulheres saíram de casa, não se limitaram aos cuidados domésticos, à família, e esse serviço passou a ser exercido como um campo de trabalho para mulheres, tanto as negras, quanto as brancas; visto que, nos séculos passados, o trabalho doméstico, como fonte de renda, se limitava às mulheres negras, sejam elas escravas ou alforriadas. 

Além disso, negros e negras tem dificuldade em ocupar cargos com mais exposição, como recepcionista.

O trabalho doméstico só foi reconhecido como na legislação trabalhista em 2006, através da alteração da Lei nº 5.859/72 e aprovação da Lei nº 11.234/06 que acrescentou às domésticas direitos trabalhistas, de acordo com o Planalto.

De acordo com dados do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 6,2 milhões de pessoas atuam com serviço doméstico, sendo que 5,7 milhões são mulheres e 3,9 milhões são negras. Esses dados, demonstram que:

  • 12,3% são homens
  • 87,7% é composto por mulheres – 60% são mulheres negras

Por isso, a fim de retratar recortes históricos excludentes, diversas empresas tais como MagaLu, Zé Delivery, Pepsico, Empodera, O Boticário, Startup Se Candidate, Mulher!, Movida e Ebanx, abrem processos seletivos exclusivos às mulheres negras. 

Um outro dado também assombra o universo da mulher. As mulheres ocupam mais espaço na educação e em todas as esferas, o que condiciona a evolução do desenvolvimento pessoal da mulher em nosso país. 

No entanto, a mulher só ocupa 36% dos cargos de gerência, e adicionado à este dado, existe um outro fato condicionante, quase metade desse universo são compostas por jovens até 29 anos, configurando um percentual de 43%, o que denota uma exclusão do mercado ao serem consideradas velhas pela sociedade.

As mulheres, em suas profissões, vão de professora à presidente da república. Como registro histórico, alçaram voo na década de 40, por meio das vagas abertas nas indústrias. 

Em 1970, no Brasil, despertaram para as lutas feministas. Na educação, são maioria com nível superior completo, onde as mulheres com 25 anos ou mais atingem o percentual de 19,4% contra 15,1% do percentual masculino com a mesma formação, no ano de 2019, conforme retrata a pesquisa “Estatística de Gênero: indicadores sociais das mulheres nos Brasil” (IBGE). 

Porém, o mesmo documento demonstra o perfil das profissões, e reafirma as barreiras projetadas historicamente, onde mulheres migram para as ciências humanas em sua maioria, por exemplo, o serviço social com 88,3% dos profissionais sendo mulheres. 

Quando verificados os cursos de Computação e Tecnologia da Informação (TIC), esse percentual reduz drasticamente, somando 13,3% de mulheres que integram esse grupo. 

A mulher na Política

Quando falamos da participação da mulher nos espaços políticos no Brasil, atentamos para um dado ainda mais grave e digno de atenção, pois nas últimas eleições para vereadores em 2020, apenas 16% dos eleitos eram mulheres, e as candidaturas para deputado federal foram de 32,2%. 

Verificamos uma chamada urgente para a participação da mulher em eventos políticos, considerando que a participação política aliada ao conhecimento sobre política referenda os movimentos da sociedade. 

“Temos uma grande missão enquanto mulheres que somos, de todas as idades, de todos os credos, de todas as cores de pele, de todas as classes sociais, de todas as Diversidade Sexuais e de Gênero, de claramente dinamizar esse complexo sistema.” (Magda Santos, Embaixadora Politize).

É importante ressaltar um fator que contribui para fragmentar o sentido da equidade nesses espaços políticos, a manutenção do pensamento tradicional de submissão da mulher nos partidos mais conservadores. 

E o pensamento de busca pela equidade onde as garantias devem ser similares entre homens e mulheres nos partidos mais progressistas. Não há convergência de ideias, e os partidos temem abraçar essa causa demonstrando conservadorismo.       

Todos esses eventos promovem um caos na vida das mulheres, cujo efeito social se traduz na fragilidade das lutas. A sociedade ousará mudar esses sentimentos de disputas? 

Há um discurso no sentido de contribuir e garantir a existência de uma sociedade que valorize suas mulheres em todas as suas fases da vida com a mesma elegância. A principal porta se abre por meio da educação.

A Comunicação Não Violenta como aliada para a mulher no Mercado de Trabalho

Aliados a todos esses fatores, a mulher ainda enfrenta uma peculiaridade instalada em seus campos de gerenciamento, ainda precisam lidar com atitudes como mansplaining, manterrupting, que tem como consequência e/ou objetivo, calar a mulher em seu espaço de trabalho, seja ele em que campo for, como explanado anteriormente. 

A atenção deve sempre estar voltada para esses termos e práticas, devendo ser repetidamente lembrados, pois uma mulher em algum lugar pode estar passando por alguma dessas situações, sem entender ou conhecer formas de lidar com essa violência psicológica, que mina com a sua capacidade de coordenar ideias e pensamentos.

Esse tipo de violência visa quebrar todas as possibilidades de demonstrar seu conhecimento e autocontrole.

É possível lidar com tais situações e encontrar respostas positivas para reduzir diálogos que reverberam violências, pautadas nas ideias de gestão positiva de conflitos. 

Uma dessas formas de enfrentar essa questão envolve um tipo de comunicação condicionada por uma abordagem desenvolvida por Marshall Rosenberg, na década de 60 e que se amplia pelo mundo; é importante se apropriar das técnicas da “comunicação não-violenta – CNV“, que implica em se conectar com quem nos comunicamos, e consiste em possibilitar uma comunicação empática composta por quatro passos que se complementam.

São eles: 

  1. Observação: É importante observar atentamente a conduta do seu interlocutor, para ter clareza do que ele está trazendo naquela informação;
  2. Sentimento: identificar o sentimento vivido na pauta;
  3. Necessidade: Avaliar qual necessidade não atendida está sendo trazida para a situação posta, dessa forma poderá ter a possibilidade de refletir e fazer o seu pedido.

Agora usando uma frase como: Sr. Paulo, o senhor está trazendo novamente esse tema, certo? – falando de forma segura, pois o tema é seu e você o domina.

Atualmente, os conflitos são vistos como desafios e oportunidades, se constituindo fontes de amplas possibilidades de crescimento. 

É necessário compreendê-los e administrá-los, contudo, é importante se apropriar de técnicas de gestão positiva de conflitos, posto que estes fazem parte da rotina de todos em quaisquer campos da existência.

MULHERES EM DESTAQUE NO MERCADO DE TRABALHO

As lutas, historicamente, revelam grandes mulheres, temos inúmeros exemplos, em diversos campos, cada uma com suas singularidades. Porém vale destacar algumas recentes mulheres que vinham trabalhando de forma incansável e se projetaram para o mundo em função de seus feitos.

Mulheres na Arte 

Gê Viana é uma artista de origem indígena, LGBTQi+, que discute questões de gênero e de identidade a partir de fotografias e colagens com imagens que retratam os povos originários pela visão do colonizador, e também se utiliza da performance e experimentos urbanos e rurais. 

Ela nasceu em 1986, vive e trabalha em São Luís, Maranhão, é formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão, ganhou um dos maiores prêmios da arte contemporânea, o Prêmio Pipa. 

Em 2021, foi membro do comitê de indicação do Prêmio Pipa, e atualmente algumas de suas obras mais conhecidas, como a série de fotomontagens “atualizações traumáticas de Debret”, estão presentes na exposição Brasilidade- Pós-Modernismo, no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília. 

Sobre a própria produção artística, ela diz:

“Criar um caminho na arte hoje parte da ideia de denúncia, lançando mão das categorias estéticas. Penso no legado deixado pelxs fotógrafxs que denunciaram em cliques o cotidiano das grandes metrópoles, guetos e povos tradicionais.

Mulheres na Ciência

Raquel Soares Bandeira é uma jovem de 24 anos, estudante de enfermagem, que criou um tratamento alternativo para leishmaniose durante seu trabalho de Iniciação Científica do Laboratório de Infectologia e Medicina Tropical da UFMG. 

Ela ganhou o prêmio Carolina Bori (organizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), na categoria Meninas na Ciência, organizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. 

Não poderia faltar Sue Ann Costa, carioca e atuante no campo da Ciência. Pesquisadora e chefe do comitê científico da Fundação Bill e Melinda Gates, e de forma determinada, com sua luta incansável garantiu em setembro de 2021 a aplicação de testes das vacinas Oxford/ Astrazeneca. 

Coordenou os estudos nos seis centros de testagem no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Porto Alegre e Santa Maria, no Rio Grande do Sul).

Sua atitude, diante dos grandes desafios e divergência de pensamento e sentimento aflorados, contribuiu para mudar positivamente a história da pandemia do coronavírus em nosso país.

Sua trajetória está revelada no livro “História de uma Vacina”, lançado em outubro pelo selo “História Real” da editora Intrínseca.

Mulheres na Academia 

Cida Pedrosa é poetisa, advogada e política em Pernambuco, nasceu em Bodocó, interior do estado, e vem de uma família de 15 filhos, tendo sido alfabetizada pela própria mãe (a qual nunca frequentou uma escola). 

Ela ganhou o Prêmio Jabuti 2020 na categoria de Livro do Ano e Livro de Poesia com seu livro Solo para Vialejo, em que discute a trajetória de uma banda de jazz de sua cidade, Bodocó, para também falar sobre a inviabilização de artistas negros, tudo a partir da poesia. Em 2020, também foi eleita vereadora pelo PCdoB. 

Ela diz que:

“esse livro é um caminho de volta do mar ao sertão, onde eu caminho com negros e indígenas e vou também descobrindo a mim mesma nessa volta. Ao mesmo tempo, vou falando dos músicos e dos artistas da minha cidade que na grande maioria são negros e são invisibilizados. Solo para Vialejo é o livro de uma mulher sertaneja, que conta a sua história e conta memórias coletivas da sua cidade e das cidades que percorrem a BR- 232. É um livro que tenta entender a mim e tentando entender a mim, eu tento também entender o Brasil.”

Mulheres no Empreendedorismo

Amanda da Cruz Costa é uma jovem negra de 25 anos, ativista ambiental formada em relações internacionais, jovem embaixadora da ONU, delegada do Brasil no G20 Youth Summit e em 2021 entrou para a lista Under30 da revista Forbes. 

Ela é fundadora e diretora executiva do Instituto Perifa Sustentável, que busca mobilizar jovens e criar ações para uma nova agenda de desenvolvimento sustentável no Brasil, levando em conta a justiça racial e ambiental.

Mulheres na Política

Rannya Freitas é a mais jovem vereadora do Brasil, tendo sido eleita com apenas 18 anos na cidade de Sanharó, interior de Pernambuco, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). 

Ela é a única mulher eleita para a câmara legislativa da cidade, e tem por objetivo colocar em prática políticas públicas para inclusão, como um Centro de Especialização da Saúde da Mulher.  

Em seguida, destaque para Dilma Rousseff, primeira mulher eleita para presidir o Brasil, independente da ideologia, vale destacar o fato de alcançar o cargo máximo de gestão do Brasil. 

Com sentimentos e ideais voltadas ao socialismo, chegou a ser presa e torturada no período da ditadura militar, mas sobreviveu, formando-se posteriormente em economia, ocupou cargos públicos e logo após ser Ministra das Minas e Energia foi eleita presidenta, exerceu um mandato completo, tendo sofrido impeachment no segundo mandato.

Temos também, Maria da Penha, que transformou sua trágica história de vida em um instrumento de luta materializado na lei que leva seu nome, se tornando um exemplo na luta contra o feminicídio e violência contra a mulher. Sofreu tentativa de assassinato por seu esposo por duas vezes, ficando tetraplégica na segunda vez.

CONCLUSÃO

Como vimos, a disparidade de gênero ocorre a partir de fatos históricos e ainda persiste no mercado de trabalho. No entanto, apesar dos desafios, as mulheres seguem perseverantes na luta por direitos, o que nos prova as grandes personalidades femininas. 

Sendo assim, a frase “lugar de Mulher é onde ela quiser” pode até ser clichê, mas é uma verdade incontestável na atualidade. 

Mulheres estão cada vez mais presentes em espaços antes ocupados apenas pelo sexo masculino, tomando decisões, demonstrando competência profissional e contribuindo não só para o progresso de empresas, mas também para o desenvolvimento do nosso país.

E aí, este conteúdo foi útil para entender todo o cenário da mulher no mercado de trabalho? Conta para a gente nos comentários!

Referências:

Renata Vieira de Lima

Redatora do Eixo de Produção Textual Projeto Politize! Mulheres. Embaixadora Politize! Beberibe/CE. Formação técnica em Noções de Liderança e Gestão de pessoas; formação técnica em Negociações e vendas; Atualmente, é estudante na área da Administração.

Magda Maria Pereira dos Santos

Redatora do Eixo de Produção Textual do Politize! Mulheres. Embaixadora Politize! de Fortaleza/ Ce. Professora, especialista em Gestão Escolar, formação em Círculos de Diálogos. Com permanente interesse nas questões ligadas aos temas democracia, política, movimentos sociais e gestão positiva de conflitos.

Lara Barril

Coordenadora Adjunta Eixo de Produção textual Projeto Politize! Mulheres. Embaixadora Politize! São Paulo/MG. Tornou-se estagiária da Magistratura no TJSP por dois anos. Se destacou no jurídico de uma empresa de recuperação de crédito. Bacharel em direito pelo UNIFAI-PUC; Membro do coletivo Jurídico nas Ruas. E atualmente atua no setor de Desenvolvimento Institucional de uma das 100 Melhores ONGs do Brasil, eleita pelo quarto ano consecutivo.

Lais Vitoria Cunha de Aguiar

Redatora do Eixo de Produção textual Projeto Politize! Mulheres. Embaixadora Politize! Brasília/DF. Aos 16 anos comecei escrevendo para a ONG australiana Climate Tracker, que treina jovens para serem jornalistas climáticos, e com isso publiquei para EcoDebate e outros meios de comunicação. Desde 2015 participei dos Jornalistas Livres como freelancer e por um ano (2015-2016), do Mídia Ninja. Tenho uma coluna no Brasil 247 e público em outra com o Brasil De Fato. Estou no último semestre de Línguas Estrangeiras Aplicadas ao Multilinguismo no Ciberespaço (UnB) e coordeno o Parlamento Mundial da Juventude no Brasil. Desde que entrei para faculdade voluntario com questões de refúgio, por um ano na Cáritas, por dois anos no Ministério da Justiça, e um tempo dando aula de português para estrangeiro, assim como trabalhei com crianças refugiadas.

Jacqueline Aime dos Reis Vilela

Redatora do Eixo de Produção textual Projeto Politize! Mulheres. Embaixadora Politize! Uberlândia/MG. Graduada em Educação Física (UFU). Graduanda em Nutrição (UFU). Especialista em Fisiologia do Exercício e Prescrição para Grupos Especiais (UNIASSELVI). Pós-graduada em Tecnologia, Linguagens e Mídias em Educação pelo (IFTM). Mestre em Genética e Bioquímica pela (UFU). Servidora Pública da Prefeitura Municipal de Uberlândia. Formada em política pelo RenovaBR; Membra do Colegiado do Grupo Mulheres do Brasil Uberlândia.

Gabriela Cipriano Guerra

Redatora do Eixo de Produção textual Projeto Politize! Mulheres. Embaixadora Politize! Caruaru/PE. Formada em Direito e tenho especialização em Ciências Criminais. Atualmente sou advogada autônoma atuante nas áreas: trabalhista e previdenciária. Almejo seguir na área acadêmica pertinho da educação/comunicação. Acredito na educação política como meio de transformação social.

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