Escreva aqui o que você tem interesse em aprender e veremos o que podemos encontrar:

Assine a nossa newsletter

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

Apoie a democracia e receba conteúdos de educação política

O ditador chileno Augusto Pinochet em 1997, um ano antes de sua prisão em Londres. Imagem: EPA.

Publicado em:

Atualizado em:

O ditador chileno Augusto Pinochet em 1997, um ano antes de sua prisão em Londres. EPA
O ditador chileno Augusto Pinochet em 1997, um ano antes de sua prisão em Londres. Imagem: EPA.

Você provavelmente já ouviu falar a respeito das ditaduras que ocorreram na América Latina por volta dos anos 70, certo? Da mesma forma que no Brasil, a situação do Chile não foi muito diferente: sob o comando de Augusto Pinochet, o presidente da época foi deposto por um golpe em 1973.

Assim, foi instaurada uma ditadura que resultou em um cenário de extrema violência em todo o território nacional.

Mas quem foi Augusto Pinochet?

Nesse texto, a Politize! te explica mais a respeito dessa figura enigmática responsável pelos 17 anos mais trágicos da história chilena. Vamos nessa?

Leia também: Afinal, o que é ditadura?

Um breve resumo sobre a trajetória de Pinochet

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte nasceu em Valparaíso, no Chile, em 25 de novembro de 1915. Após concluir seus estudos na Academia Militar de Santiago, assumiu o posto de segundo-tenente, dedicando-se totalmente a essa carreira, na qual obteve grande sucesso.

Durante esse período, Pinochet conheceu María Lucía Hiriart Rodríguez, casando-se com ela em 1943 e tendo, posteriormente, cinco filhos: Inés Lucía, Augusto, María Verónica, Marco Antonio e Jacqueline.

A prova de seu crescimento na carreira militar veio com o grande reconhecimento de ser promovido, em 1969, a general de brigada e, em 1971, a general de divisão; até que, em 1973, foi nomeado comandante chefe do exército chileno, alcançando a posição mais elevada da instituição.

Tal recompensa foi a virada de chave para os desdobramentos políticos na história do Chile, já que, assumindo essa posição, coordenou as ações para o golpe militar no dia 11 de setembro de 1973.

Desdobramentos e o golpe militar

Com a crise econômica mundial de 1929, o movimento popular no Chile ganhou força. As dificuldades impostas e o aumento do custo de vida resultaram no surgimento de organizações da esquerda, como a famosa Unidade Popular.

Em 1970, a população chilena foi às urnas e elegeu Salvador Allende como presidente. Seu programa de governo foi intitulado como “via chilena para o socialismo, desencadeando diversas reformas no país. Ao longo do tempo, foram nacionalizados bancos, empresas e minas de cobre. Além disso, teve início a reforma agrária.

Trazendo tais fatos para o Brasil, o Chile, sob o comando de Allende, foi o país que recepcionou os brasileiros exilados após o golpe de 1964. Inúmeros professores e políticos saíram do nosso país por causa das perseguições e encontraram um bom abrigo. Alguns, especialmente, conseguiram concluir os seus estudos e lecionar em universidades, como é o caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Entretanto, esse modelo de governo não agradou a todos. Uma parcela da elite econômica chilena iniciou um processo para sabotá-lo e, com sucesso, conseguiu. Com a economia chilena em crise, o cenário se tornou propício para os militares derrubarem Salvador Allende do poder.

Veja nosso vídeo sobre o que é uma ditadura!

Contexto histórico: a influência dos Estados Unidos da América

O golpe militar no Chile, assim como nos outros países da América Latina, contou com o suporte dos Estados Unidos. Em um contexto de Guerra Fria, era primordial impedir o avanço do socialismo na América Latina, principalmente após a Revolução Cubana em 1959.

Assim, desde o começo do governo de Allende, os americanos implementaram uma série de obstáculos comerciais. Além disso, buscaram influenciar na opinião pública contra o presidente, financiando um jornal no país de posição oposta.

Nesse período, também vigorava o que denominamos Operação Condor, formalizada em uma reunião secreta realizada no Chile, em 1975. Esse nome é dado às alianças formadas entre as ditaduras militares que governavam os países da América do Sul.

Dentre as nações presentes, destacavam-se Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. As atividades eram coordenadas, de forma clandestina, para vigiar, sequestrar e torturar militantes da oposição.

Esses fatores, em conjunto, são fundamentais para entendermos a força da oposição ao governo e o quão difícil seria para Allende resistir ao golpe que viria a seguir.

A tomada de poder

No dia 11 de setembro de 1973, as ações militares aconteceram cedo e, logo, a Marinha se rebelou na cidade litorânea de Valparaíso. Em Santiago, as tropas tomaram as ruas. Diante disso, o presidente Salvador Allende se recusa a se entregar com vida contra os golpistas e se suicida, ainda no Palácio La Moneda, sede do governo.

Após o golpe, foi formada uma junta militar por Pinochet, almirante Merino, César Mendonza e o general Gustavo Leigh. Juntos, eles governariam o Chile, por meio de um poder rotativo entre os quatro comandantes. Mas isso não durou muito: logo Pinochet tomou o controle do país.

Assim, com o fim do governo de Salvador Allende, o Chile iniciava o seu período ditatorial: mais um país da lista na América do Sul a sofrer um golpe de Estado e ser governado por militares.

Veja nosso vídeo o que é um golpe de Estado!

O governo Pinochet: políticas e estratégias

A ditadura chilena é considerada uma das mais violentas da América Latina. Ao tomar o poder, Pinochet ordenou perseguir milhares de pessoas que se opuseram ao governo. Para se ter uma noção, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) estimou cerca de 430 mortes enquanto o Brasil vivia sob o governo dos militares. Em comparação, no Chile, são estimados mais de 3 mil mortes e desaparecimentos, além de milhares de chilenos exilados para escapar da repressão.

Na economia, também foram promovidas algumas reformas contrárias às adotadas por Allende. Inspirado por economistas chilenos da Escola de Chicago – os “Chicago Boys”, Pinochet buscou implantar o neoliberalismo no Chile.

Enquanto o ex-presidente buscou ampliar as ações estatais, nacionalizando empresas e bancos, Pinochet optou por medidas liberais, diminuindo o papel do Estado e permitindo o controle do capital privado e de empresas estrangeiras.

Em 1980, foi decretada uma nova Constituição, a qual prolongou o mandato de Pinochet até 1988, quando os chilenos foram convocados a um plebiscito. Questionou-se, então, sobre a continuidade do militar no poder. Assim, com 56% dos votos, foi decidido o fim da ditadura e a convocação de novas eleições no ano seguinte.

Leia também: Plebiscito no Chile: uma nova Constituição?

O retorno ao regime democrático: condenações e desafios

Mesmo ausente do cargo da presidência, Pinochet seguiu como comandante do exército chileno e senador até 1998, quando foi preso. Entre os crimes principais, destacaram-se as violações aos direitos humanos e a denúncia de manter contas secretas no exterior com dinheiro desviado do governo chileno. No entanto, seu tempo detido foi curto: em 2001, entregou um atestado de debilidades mentais, sendo libertado.

Posteriormente, foi alvo de outras investigações em relação à produção de drogas em laboratórios clandestinos no Chile. Entretanto, a polícia não obteve avanço. O seu desfecho veio em seguida, no dia 10 de dezembro de 2006, em consequência de um ataque cardíaco, aos 91 anos. A sua morte e o escape às condenações e às punições ainda é, até hoje, uma causa de muita revolta entre os chilenos.

Por fim, apesar de Pinochet deixar o governo em 1990, o Chile ainda conviveu com diversas leis do período ditatorial. Em 2020, foi iniciado um processo para elaboração da nova Constituição, o qual está em andamento até os dias atuais. Esse é considerado um importante passo para adequar o país ao governo democrático.

Se você se interessa pelo tema, não deixe de acompanhar o processo e as notícias do Chile. Qualquer dúvida ou sugestão, coloque nos comentários!

Referências:

Juliana Ribeiro Lobato

A Ju é estudante de Relações Internacionais na UFRGS e desde pequena sempre foi apaixonada por história e por redes sociais, o que levou ela a trabalhar também no setor de Marketing de uma empresa. Ela adora se aventurar na cozinha com receitas vegetarianas, escutar Coldplay nas horas vagas, passar tempo com os seus três gatos de estimação e assistir novamente todos os episódios de Friends.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Conteúdos relacionados

últimos vídeos:

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Passe o mouse e descubra:

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Clique abaixo e descubra: