Política e Carnaval: entenda a relação!

Na imagem, um bloco de carnaval de rua em Olinda. Conteúdo sobre carnaval e política

Carnaval em Olinda, 2008 Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

Que o Carnaval é uma das épocas do ano mais festivas no Brasil, e talvez a maior de todas, não é novidade para ninguém. Um festival repleto de samba, diversão e pessoas totalmente diferentes unidas em prol dessa diversão. Analisando dessa forma, seria difícil a política e o carnaval se relacionarem. Afinal, enquanto um lado exige seriedade e o outro é totalmente descontraído, não é mesmo?

Então, como o Carnaval e política poderiam se cruzar? É só durante o carnaval que a política vai ao encontro do entretenimento? Onde estão as manifestações sociopolíticas no carnaval? Perguntas como essas serão respondidas nesse post. Vem com a gente conferir!

A política em Megaeventos

Antes de mais nada, é importante entendermos que não é só no carnaval que acontecem movimentos para expressar algum caso social ou opinião política. Aproveitar eventos e épocas que sejam focadas pela mídia para expor algo já é uma tática conhecida pelos brasileiros.

Um exemplo de evento internacional em que os brasileiros expuseram inquietação política foram as Olimpíadas de 2016. O presidente em exercício naquele momento, Michel Temer, disse em entrevista que estava preparado para ser vaiado na abertura da Rio-2016. E foi como ocorreu.

O costume, de acordo com o protocolo das Olimpíadas, é o presidente ser cumprimentado em discurso pelas autoridades do Comitê Olímpico Internacional e Brasileiro. Porém, Temer não foi citado nos discursos. Foi entre vaias e aplausos que Temer declarou aberta a Rio-2016.

Veja vídeo do ocorrido na cerimônia de abertura:

Outro exemplo é a parada LGBT+, em especial a de São Paulo que tem atraído pessoas de todo território brasileiro e também de fora do Brasil. O evento é uma é uma comemoração, mas não se trata apenas disso. É o momento de maior visibilidade LGBT+ no Brasil e é utilizado para a comunidade cobrar seus direitos. Um exemplo é a Parada LGBT de 2006 onde foi pedida a criminalização da homofobia, assim como em outras sete edições seguintes.

Saiba mais sobre o movimento LGBT a criminalização da homofobia!

Em 2020, de acordo com o CartaCapital, o tema da Parada será democracia e não foi escolhida só por uma questão LGBT, mas por uma questão nacional, tendo em vista as eleições de 2020.

Fonte: São Paulo 23/06/2019 – 23ª Parada LGBT na Avenida Paulista em São Paulo . Foto Paulo Pinto/FotosPublicas

Fonte: São Paulo 23/06/2019 – 23ª Parada LGBT na Avenida Paulista em São Paulo . Foto Paulo Pinto/FotosPublicas

 

História do Carnaval brasileiro

Para falar um pouco sobre a origem do carnaval brasileiro, o Politize! tem uma entrevista com a professora Fátima Costa de Lima.

Você poe conferir a entrevista completa no vídeo a seguir:

Quando olhamos historicamente, podemos pensar em elementos do carnaval até mesmo na Grécia antiga. Em Atenas, o teatro era voltado mais para a música e dança do que para a atuação. Assim como é feito com as atuais escolas de samba, eram feitos concursos de gênero drama, satírico e entre  outros para eleger um dramaturgo vencedor.

Ali, as “festas de carnaval” eram ligadas às festas dionisíacas. Na festa (apresentação), Dionísio era trazido em um carro alegórico (que para muitos estudiosos é uma das primeiras representações do carnaval).

A festa carnavalesca vem para o Brasil com a colonização portuguesa. A coroa produzia festas para o povo admirar a vida e costumes da realeza, festas com características europeias. Porém, por conta de todo processo histórico e escravocrata, surge um fenômeno em que principalmente os negros começam a guiar essa festas, gerando algo genuinamente brasileiro. E, principalmente no século XIX, o carnaval de rua cresce e evolui até se tornar o “fenômeno vivo” que temos hoje.

Política no Carnaval

O carnaval é uma das épocas mais esperadas no Brasil, apesar de também possuir um caráter internacional. Não é difícil encontrar turistas que vem especialmente para a festa, ainda mais em grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador. As mais visadas são as cidades do litoral,como visto no vídeo da pesquisadora Fátima Costa de Lima.

Os turistas que visitam o país durante o carnaval não querem simplesmente conhecer a festa, mas se envolver com ele e o povo brasileiro, conhecer sua cultura e sociedade. Confira no vídeo abaixo um pouco mais sobre cultura e carnaval.

Mas o elemento político mais marcante são as marchinhas e as fantasias usadas pelas pessoas. Elas são os métodos mais fáceis para conseguir a visibilidade e se expressar. Enquanto as fantasias chamam a atenção tanto dos turistas internacionais quanto da imprensa a música atrai a atenção de quem está aproveitando o carnaval. As fantasias também podem causas polêmicas sociais, como no caso das fantasias de índios utilizadas no carnaval. Confira uma entrevista ao cacique Raoni, importante nome da comunidade indígena, sobre isso.

Marchinhas de Carnaval e Política

As marchinhas de carnaval surgiram a partir de estilos musicais portugueses, mais precisamente a marcha portuguesa. Este gênero produz músicas engraçadas e as letras possuem dupla sentido. Sempre foi um estilo musical aberto para crítica social. E até hoje muito utilizadas para expor críticas à política e questões sociais.

Um exemplo de marchinha é Ódio do Bem que foi feita para satirizar a relação esquerda x direita. Um lado sempre acha que está correto e não aceita as opiniões divergentes o que resulta em conflito, algumas vezes com agressão. São posições divergentes que buscam que querem fazer o bem, mas não sabem lidar com suas diferenças:

“Eu sou o ódio do bem

 É uma delícia ser assim

 Jamais vou tolerar alguém

 Que não pense igual a mim!”

          Ódio do Bem, dos Marcheiros.

A primeira marchinha de carnaval já feita foi a “Ô ABRE ALAS” em 1899 por Francisca Edwiges Neves Gonzaga. Foi produzida por uma mulher em uma época ainda mais preconceituosa e intolerante.

Já no século XIX,  “Chiquinha Gonzaga” lutava pelos direitos das mulheres e contra o machismo.  Isso não fica presente nessa marchinha de carnaval, mas a vida dela por si só já demonstra isso. Divorciada de dois casamentos, com um filho em cada um, ainda levava um relacionamento com um homem 36 anos mais novo. Se isso já é mal visto nos dias de hoje, imagina naquela  época.

Ouça a famosa marchinha:

Caso queira saber mais sobre marchinhas com teor político, aqui no Politize! mesmo tem um post que fala mais sobre isso 5 MARCHINHAS DE CARNAVAL PARA DISCUTIR POLÍTICAS

Fantasias para politizar e tendência para carnaval 2020

Fonte: G1

As fantasias também são uma excelente forma de protestar. Fazendo uma breve pesquisa na internet você encontra um acervo imenso de fantasias criados com o intuito de protestar algo ou divulgar uma ideia. A foto acima foi tirada de um site que estava mostrando várias fantasias com um teor de crítica sociopolítica.

Caso queira ver outras fantasias que tem o intuito de expôr, acesse o portal do G1

De acordo com uma reportagem realizada pelo Inter TV na sexta-feira, dia 14 de fevereiro de 2020, uma provável fantasia que deve estar rolando nas ruas durante o carnaval será a fantasia da água. Mas não daquele meme “dessa água não beberei”, mas sim falando sobre a crise da água. 

Os repórteres foram ao centro do Rio em lojas conhecidas por venderem roupas e acessórios de carnaval. Os vendedores disseram que a maior parte de suas vendas são roupas e utensílios para fazerem fantasias abordando o drama da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. A crise tem se arrastado há algum tempo em vários bairros do Rio de Janeiro.

E você? Qual sua ideia de fantasia para o carnaval? Se ainda não pensou em nenhuma, ainda há tempo! Aproveite a oportunidade para politizar. Faça uma fantasia sobre uma questão sociopolítica que você queira abordar e conta para a gente.

 

Publicado em 20 de fevereiro de 2020.

Nathan de Paula

 

Graduando em turismo pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonzeca (CEFET-RJ). Nascido e criado na Serra Carioca, está sempre em busca de adquirir e transferir conhecimento, ama escrever e deseja se tornar um pesquisador acadêmico na temática LGBT.

 

 

Referências:

Agência Brasil – Carolina

BrasilTur – Leonardo Neves

Estudo Prático – Katheryne Bezerra

Exame – Carla Araújo

Folha de São Paulo – Dhiego Maia

G1 – Cristina Boeckel

Notícias R7 – Thais Skodowski

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