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Sistemas totalitários. Imagem: Freepik.
Sistemas totalitários. Imagem: Freepik.

Os sistemas totalitários foram regimes políticos que existiram na primeira metade do século XX e foram baseados no autoritarismo, um processo caracterizado pelo domínio absoluto de uma pessoa, partido ou ideologia política.

Dentro desses sistemas, a liderança detém todos os poderes sobre a vida pública e privada, controlando – de forma autoritária – toda e qualquer situação dentro do Estado. E para tal comando, existe uma presença grande de militarismos dentro das cidades, servindo de intimidação e medo nas pessoas que são comandadas por tais líderes.

Neste texto, vamos trazer não apenas o que foi, mas de onde e quando tudo isso surgiu? Quem usou deste sistema para controlar o seu povo?

Continue na leitura e entenda!

Leia também: Autoritarismo: 3 pontos para reconhecer um governo autoritário

Surgimento dos Sistemas Totalitários: contexto entre guerras

Na Europa, os sistemas totalitários iniciaram aos poucos como uma adaptação ao cenário da época e como uma possível forma de solução para os problemas que estavam ocorrendo naquele período. Datado entre as décadas de 1920 e 1930, que é conhecido como o período entre guerras, os regimes começaram a surgir como resposta ao sentimento após a primeira guerra mundial.

O cenário na Europa no pós-guerra foi de muita tristeza, pela destruição, imensas perdas e, claro, pelas crises econômicas, políticas e sociais que começaram a perturbar a vida das pessoas que lá viviam. Foi algo que jamais havia acontecido daquele jeito e, além disso, as pessoas nunca esperavam que algo de tamanho nível iria passar por suas vidas.

Naquele momento, o sentimento era de muita desconfiança e insegurança com as políticas e os caminhos tomados antes da primeira guerra mundial. Questionamentos sobre democracia e liberalismo, por exemplo, existiam como uma alternativa política ruim, que não agradava.

Veja também nosso vídeo sobre democracia!

Porém, algo estava sendo visto como uma tomada de solução: o autoritarismo. Essa saída política foi um caminho escolhido pelos dois extremos do espectro político, à direita e à esquerda.

O totalitarismo se iniciou com o fascismo, na Itália, na década de 1920, depois na Alemanha, com o nazismo, em 1933. Também durante a década de 1930, em Portugal com o salazarismo e na Espanha, com o franquismo, todos estes com ideais de extrema-direita.

No espectro político da extrema-esquerda, o totalitarismo se manifestou na antiga União Soviética – atual Rússia – com o stalinismo.

Mas quais foram as suas características e quais eram os líderes?

Características dos sistemas totalitários

Como características básicas do totalitarismo e que foram usadas em ambos lados, elencamos algumas:

  • Culto ao Líder: De forma a enfatizar a sua importância e soberania, a sua imagem era fixada em fachadas de prédios, escolas, praças e em todos lugares onde havia grande circulação, justamente com a intenção de doutrinar o povo e as novas gerações.
  • Uni partidarismo: Só havia um partido, o do líder. E somente este partido era permitido, nenhum outro mais, centralizando ao máximo a tomada de decisões.
  • Censura: Não podia existir circulação de nenhum tipo de jornal ou produto midiático, criticando, denunciando ou apoiando uma oposição política.
  • Uso do terror: Foi uma estratégia para amedrontar seus opositores e os inimigos do Estado.
  • Criação dos inimigos internos e externos: Distração ou uma alegação para explicar os atos autoritários.
  • Militarização: Usar a força militar – o exército – de forma acentuada.
  • Nacionalismo exacerbado: No totalitarismo, o nacionalismo apropriou-se de forma extremista, difundindo exclusão e perseguição contra outros povos ou etnias.

Fascismo

O Fascismo surgiu de fato em 1919, com a criação do Fasci Italiani di Combattimento. Grupo esse encabeçado por Benito Mussolini, posteriormente passou a ser chamado de Partido Nacional Fascista. E só em 1922, começou a ganhar fama com a Marcha sobre Roma, quando Mussolini foi nomeado primeiro-ministro italiano.

Essa ascensão de Mussolini ao poder aconteceu no contexto que já comentamos anteriormente. A Itália estava passando por uma crise política e econômica logo após a primeira grande guerra, e numa tentativa de solução destes problemas, os italianos estavam dispostos a concordar com essa nova tomada política. Em 1925, Benito Mussolini se autodeclara ditador da Itália, o que consolidou o totalitarismo no país.

O Fascismo pode ser identificado como o primeiro movimento totalitário na Europa, além de ser um dos precursores de políticas conservadoras – e justamente por isso – foi um dos exemplos a ser seguido pelos demais autoritarismos europeus, como o nazismo, que foi um de seus aliados no Eixo durante a Segunda Guerra Mundial.

Nazismo

O período entre guerras para a Alemanha foi delicado e cheio de ressentimentos, ainda mais depois do Tratado de Versalhes em 1919, que determinava que a Alemanha fora a responsável por causar a guerra e, por termos do tratado, estava obrigada a reparar os danos de algumas Nações da Tríplice Entente.

Com o contexto gerado, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães foi criado em 1919 com o objetivo de reparar o caos que estava instalado. Com a liderança de Adolf Hitler, o Partido Nazista foi a favor de medidas autoritárias para resgatar a Alemanha dos tempos passados.

A ideologia nazista, baseada do livro “Minha Luta” de Hitler, pregava o antimarxismo, antiliberalismo e o antissemitismo – o ódio contra o povo judeu. Ideais esses que foram usados, de maneira autoritária, para defender a raça alemã como algo superior a todos os demais povos do mundo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Partido Nazista usou de retóricas militaristas, expansionistas e de pureza de raça, para exterminar milhões de pessoas que eram contra ou pessoas que não se encaixavam dentro do padrão de raça alemã.

Veja também nosso vídeo sobre o nazismo!

Salazarismo e franquismo

Além dos dois últimos exemplos de movimentos totalitários que viveram na Europa do Século XX, alguns outros surgiram, com a mesma temática e mesmo objetivo de um regime autoritário. São eles: o Salazarismo, em Portugal, e o Franquismo, na Espanha.

Com o mesmo contexto de perdas e tristeza do pós-guerra, os cidadãos espanhóis e portugueses estavam desacreditados nos mesmos discursos. E como na Alemanha nazista, a vida nestes dois países, também foi sob olhares autoritários.

O salazarismo foi um regime ditatorial entre 1933 a 1974 em Portugal. O termo faz menção a Antonio de Oliveira Salazar, chefe do governo português durante o início deste período até 1968. Também conhecido como o Estado Novo português, o salazarismo foi iniciado com a promulgação da Constituição de 1933.

Seu encerramento foi em 1974, partindo da Revolução dos Cravos, golpe civil-militar que destituiu Marcello Caetano, o substituto de Salazar como chefe do governo português. O período foi marcado por políticas antidemocráticas, antiliberais, centralizadoras, colonialistas e conservadoras.

O Franquismo faz referência ao general Francisco Franco, que detinha o poder na Espanha entre 1939 a 1975. Desde o início da República Espanhola, o país sofria com vários debates nos setores conservadores e militares, dizendo que essa mudança fora comandada pela esquerda.

Com o passar dos anos, Franco e outros simpatizantes do fascismo italiano, articularam um golpe contra o governo de esquerda. E com a vitória consolidada no mesmo ano do início da segunda guerra mundial, Francisco Franco instalou um período autoritário na Espanha, que só teve fim após algumas décadas do fim da guerra.

Stalinismo

Apesar de existirem vários movimentos totalitários durante a Europa do século XX com o espectro político extremo à direita, houve sim um movimento à extrema esquerda também.

Os ideais não foram todos iguais, mas como autoritarismos, ambos os lados compartilham de algumas tomadas políticas.

O Stalinismo é utilizado para se referir ao período que a União Soviética, atual Rússia, foi governada por Josef Stalin, que assumiu a frente do país após a morte de Vladimir Lênin em 1924. Entretanto, o início do stalinismo é datado apenas em 1929.

A partir deste momento, Stalin tornou-se líder supremo da União Soviética e ficou até 1959, quando morreu. Os primeiros planos do governo foram incentivar a industrialização e planificar a economia, mas com o passar dos anos, esse novo plano econômico começou exigir demais dos trabalhadores, que eram forçados a alcançar os objetivos a todo custo.

Todo o período é compreendido como um totalitarismo de extrema esquerda e ficou conhecido por perseguir os opositores, eliminar aqueles que não concordavam com o governo e pela crise de fome, principalmente nos outros países que faziam parte da União Soviética, como a atual Ucrânia.

E você, aprendeu algo novo sobre os sistemas totalitários? Nos conte nos comentários! E para saber mais sobre autoritarismos, continue lendo os textos da Politize!

Referências:

Matheus Ribeiro Jeremias

É nascido e criado no ABC Paulista, Bacharel em Relações Internacionais e tem grande interesse por assuntos relacionados à América Latina, Política Externa Brasileira e Educação. Tem experiência em coordenar projetos de Simulações das Nações Unidas. Ativista a favor do acesso à educação, acesso à oportunidades de aprendizado e preservação do meio ambiente.

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