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Notícias falsas e pós-verdade: o mundo das fake news e da (des)informação

notícias falsas

Com certeza você tem ouvido falar muito sobre notícias falsas, as famosas fake news, correto? Afinal, vivemos numa avalanche de informações a cada segundo. O mundo inteiro está a um clique de distância. No celular, o whatsapp está o tempo todo alerta, com mensagens de amigos e de grupos sobre diversos temas; no Facebook, o painel de novidades – o newsfeed – está repleto de vídeos, notícias urgentes, postagens de páginas que você curte e comentários fazendo juízos de valor sobre qualquer assunto. Em meio a todo esse cenário, às vezes é difícil saber o que é verdadeiro ou não.

Nos últimos tempos, houve um aumento de notícias falsas, as famosas fake news, em inglês. Quantas vezes você sai falando sobre uma matéria de jornal e, na verdade, só leu a manchete? Quantas vezes você checa a informação que um colunista do qual você gosta publicou? Quantas vezes você assiste a um vídeo polêmico e o compartilha com seus amigos? Vamos conversar sobre o nosso mundo da (des)informação? 

Fake News: afinal, o que são notícias falsas?

Notícias falsas sempre existiram, não é mesmo? Principalmente no ramo da política, onde não é novidade um candidato plantar uma informação sobre seu adversário para que ele perca votos ou que boatos sobre a vida privada dessas figuras sejam espalhados. Historicamente, diversas fake news foram disseminadas com determinados objetivos. Mas fiquem tranquilos, não estamos deduzindo isso: tiramos essa informação de uma entrevista do historiador Robert Darnton para a Folha de São Paulo.

O historiador Robert Darnton, que é professor emérito da Universidade Harvard , conta que as notícias falsas são relatadas pelo menos desde a Idade Antiga, do século 6: “Procópio foi um historiador bizantino do século 6 famoso por escrever a história do império de Justiniano. Mas ele também escreveu um texto secreto, chamado “Anekdota”, e ali ele espalhou “fake news”, arruinando completamente a reputação do imperador Justiniano e de outros. Era bem similar ao que aconteceu na campanha eleitoral americana”, diz Robert Darnton ao jornal Folha de São Paulo.

Leia a entrevista completa aqui!

Notícias que aparentam ser verdadeiras, que em algum grau poderiam ser verdade ou que remontam situações para tentar se mostrar confiáveis: isso são as fake news que vemos atualmente. Por isso há de ser ter cuidado: as notícias falsas não são apenas aquelas extremamente irônicas, que têm o intuito de serem engraçadas e provocar o leitor. As notícias falsas atualmente buscam disseminar boatos e inverdades com informações que não estão 100% corretas sobre pessoas, partidos políticos, países, políticas públicas… Elas não vão aparentar ser mentira, ainda mais se nós acreditamos que elas podem ser verdadeiras – mas não são.

Isso se deve também a um fenômeno contemporâneo presente no mundo: a pós-verdade. Vamos entendê-la?

Pós verdade: o que tem a ver com as notícias falsas?

Pós-verdade foi eleita a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford. De acordo com o Dicionário Oxford, pós-verdade é: um substantivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais”.  

A explicação da palavra pós-verdade de acordo com o Oxford é de que o composto do prefixo “pós” não se refere apenas ao tempo seguinte a alguma situação ou evento – como pós-guerra, por exemplo –, mas sim a “pertencer a um momento em que o conceito específico se tornou irrelevante ou não é mais importante”. Neste caso, a verdade. Portanto, pós-verdade se refere ao momento em que a verdade já não é mais importante como já foi.

Para o  jornalista Matthew D’ancona, autor do livro “Pós verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news”, o ano de 2016 marcou o início da “era da pós verdade”, ou seja, o início de um período em que os fatos são cada vez mais desvalorizados, enquanto que paixões e crenças ganham força.

O termo pós-verdade já existe desde a última década, mas as avaliações do Dicionário Oxford perceberam um pico de uso da palavra exatamente no ano de 2016, no contexto do referendo de saída do Reino Unido da União Europeia – o Brexit – e das eleições estadunidenses. Além disso, é bastante usado com o termo política depois, então, pós-verdade política. Durante esses dois grandes eventos políticos, a pós verdade ganhou força através da massiva propagação de fake news na internet (afinal, as campanhas do Brexit e de Trump foram altamente digitalizadas, favorecendo a propagação de notícias falsas). 

Qual o real impacto das notícias falsas na política?

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Conforme mencionado, dois acontecimentos que tiveram relevância internacional em 2016 foram o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – e as eleições presidenciais estadunidenses. Além de serem os principais motivos do crescente uso da palavra pós-verdade, também foram onde o próprio fenômeno das notícias falsas foi muito intenso. Mas porque?

Bom, isso ocorreu especialmente em função da alta digitalização dessas campanhas políticas. A campanha pelo Brexit, bem como a campanha de Trump, foram desenvolvidas com foco em internet e redes sociais.  A estrutura desse ambiente digital é essencialmente favorável à propagação de notícias falsas. A principal razão para isso é que na internet é possível realizar campanhas personalizadas: Ou seja, enviar anúncios diferentes para cada pessoa, de acordo com o perfil de personalidade dos usuários. O impacto disso é o que veremos a seguir. 

O caso da eleição dos Estados Unidos

Em 2016, 33 das 50 notícias falsas mais disseminadas no Facebook eram sobre a política nos Estados Unidos, muitas delas envolvendo as eleições e os candidatos à presidência. Durante a campanha presidencial, notícias falsas foram espalhadas sobre os dois candidatos: o republicano Donald Trump – depois eleito – e a democrata Hillary Clinton. No monitoramento de 115 notícias falsas pró-Trump e 41 pró-Hillary, os economistas Hunt Allcott e Matthew Gentzkow concluíram que as postagens pró-Trump foram compartilhadas 30 milhões de vezes, enquanto as pró-­Hillary 8 milhões. 

Sobre Trump, a “notícia” de que o Papa Francisco havia apoiado sua candidatura e lançado um memorando a respeito foi a segunda maior notícia falsa sobre política mais republicada, comentada e a qual as pessoas reagiram no Facebook em 2016. Outra notícia falsa,  diretamente relacionada com Trump, afirmava que ele oferecia uma passagem de ida à África e ao México para quem queria sair dos Estados Unidos – a postagem obteve 802 mil interações no Facebook. Quanto à Hillary Clinton, uma notícia falsa com alta interação no Facebook – 567 mil – foi de que um agente do FBI (órgão de investigação federal) que trabalhava no caso do vazamento de e-mails da candidata foi supostamente achado morto por causa de um possível suicídio. 

O site PolitiFact, de checagem de informações e ganhador do Prêmio Pulitzer, 69% das declarações de Trump são ‘predominantemente falsas’, ‘falsas’ ou ‘mentirosas’. Quando pensamos que trata-se do Presidente da maior potência mundial, é possível imaginar que isso tenha consequências em todo o mundo.

Notícias falsas no Brexit

Nigel Farage, líder da campanha Leave EU, na inauguração de um outdoor de campanha. O outdoor apresenta a imagem de uma suposta fila de imigrantes turcos aguardando para entrar no país, junto a frase “A União Europeia falhou”. A notícia falsa de que 76 milhões de turcos entrariam na UE foi central na campanha pelo Brexit.

Quanto ao Brexit, houve diversas informações truncadas disseminadas pela campanha Vote Leave – em tradução livre, “vote para sair” – para a saída do Reino Unido da União Europeia. As questões envolviam principalmente as políticas de imigração da UE e questões econômicas. O jornal The Independent reporta que um dos líderes da campanha pelo Brexit afirmou que mais 5 milhões de imigrantes iriam ao Reino Unido até 2030 por conta de uma licença dada a 88 milhões de pessoas para viver e trabalhar lá – uma informação que não tem fundo de verdade. Um dos pôsteres da campanha clamava: “Turquia (população de 76 milhões) está entrando na UE” – quando, na verdade, o pedido de entrada na UE pela Turquia é antigo e não mostra sinal de evolução

O fenômeno das fake news no Brasil

Em 2018, foi a vez do Brasil de experimentar a proliferação de notícias falsas, que ganharam força durante a eleição presidencial. É provável que tenha sido durante as eleições que você tenha ouvido falar no termo fake news pela primeira vez. Ao contrário dos casos do Reino Unido e dos Estados Unidos, no Brasil a rede social que protagonizou a disseminação de notícias falsas foi o Whatsapp. Você pode conferir um pouco mais sobre isso nesse podcast do Nexo.

Qual o papel da imprensa com as notícias falsas no mundo da pós-verdade? 

Podemos dizer que o jornalismo sempre foi o canal que disseminava as notícias e conteúdos às pessoas, seja a respeito da sua própria comunidade ou sobre o mundo. Hoje há, porém, um ruído na relação entre os jornalistas, os meios de comunicação tradicionais e o público. Em alguns casos, o público não quer mais ser informado por apenas o que uma emissora de TV, de rádio ou jornal impresso têm vontade de veicular. Em outros, acredita-se que a cobertura de situações é parcial e partidária para algum lado. 

Desde a massificação da internet, mas principalmente das redes sociais, não há mais filtro entre a informação e o público. O público pôde se emancipar da necessidade em se conectar com veículos tradicionais de informação e, portanto, há quem se informe somente pelas redes sociais e nunca abra um jornal. Aí reside o problema: muitas vezes são disseminadas informações inexatas, exageradas ou erradas de alguma maneira. Isso traz à tona a importância da imprensa, que tem a formação jornalística necessária para o combate a notícias falsas, pois envolve apuração dos fatos, a checagem de informações e as entrevistas com diversas partes envolvidas numa situação (pluralidade de fontes).

Em um estudo da USP sobre as “Eleições 2018 – Perspectivas da comunicação organizacional”, conclui-se que metade das empresas brasileiras não acredita que a imprensa está preparada para a cobertura das eleições de 2018. Por outro lado, a metade que acredita na capacidade da imprensa de cobrir as eleições do ano que vem o faz porque enxerga competência e tradição da mídia brasileira nesse tipo de cobertura.

O jornalismo tradicional, portanto, pode e deve encontrar novos formatos de conteúdo, inovar em suas abordagens para manter a sua credibilidade perante o público que já tem e adquirir o público que ainda não tem – exatamente a população que nasceu em meio à internet e às redes sociais. É papel de imprensa utilizar suas ferramentas para combater a disseminação das notícias falsas e da pós-verdade. Um dos meios para isso é a checagem de fatos feita em agências, redações e coletivos de jornalismo, sobre a qual você pode ler aqui!

Antes de prosseguir a leitura, que tal conferir um vídeo rápido? São dicas fáceis que te ajudam a reconhecer uma notícia falsa:

 

Porque notícias falsas são feitas?

Há diversos fatores para a criação de notícias falsas. Alguns deles são a descrença na imprensa e a utilização das fake news como um negócio, para atingir objetivos de interesse próprio. Em estudos sobre os motivos pelos quais são feitas as fake news, chegou-se ao seguinte resultado: os motivos podem ser um jornalismo mal-feito; paródias, provocações ou intenção de “pregar peças”; paixão; partidarismo; lucro; influência política e propaganda.

Quanto ao lucro, por exemplo, os estudos se referem às notícias falsas terem se tornado um negócio. Há realmente quem lucre com esse advento, com ferramentas de propaganda gratuitas e com as manchetes chamadas de “iscas de clique”. Foi o caso de um brasileiro que chegou a fazer 100 mil reais mensais de lucro com sites de notícias falsas, segundo um mapeamento da  Folha de São Paulo.

A respeito da veiculação desses conteúdos, podemos dizer que são disseminados principalmente pela internet, por meio de redes sociais, portais falsos de notícias e grupos de aplicativos de mensagem, amplificados até por jornalistas que passam informações truncadas às pessoas. Outras notícias falsas são disseminadas por grupos diversos – de política, de religião, de crenças variadas – que fazem comunidades, páginas de Facebook e sites para compartilhar suas crenças e (des)informar as pessoas de acordo com sua fé. Existem também outras maneiras mais sofisticadas, em que há uso de robôs e mecanismos da internet próprios para disseminar conteúdos falsos.

Vamos combater notícias falsas?

Para evitar um mundo que vive na pós-verdade, precisamos combater e prevenir a disseminação de notícias falsas. A pesquisadora Claire Wardle, em um artigo no First Draft News, acredita que para combater de fato as fake news precisamos entender três pilares:

  • Os diferentes tipos de conteúdos que estão sendo criados e compartilhados.
  • As motivações de quem cria esse conteúdo;
  • As maneiras com que esse conteúdo é disseminado.

No gráfico abaixo, você encontra essas informações:

 

Sugestões de aprofundamento 

Ficou interessado no assunto? Nos últimos anos, devido aos acontecimentos políticos mencionados no texto, surgiu uma crescente literatura sobre o tema. Abaixo, trouxemos duas sugestões de leitura:

notícias falsas

E aí, conseguiu entender o que são notícias falsas e o que é a “era da pós verdade”? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários! 

Carla Mereles
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.

 

 

 

Isabela Moraes
Assessora de conteúdo no Politize! e graduanda de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quer ajudar a descomplicar a política e aproximá-la das pessoas, incentivando a participação democrática.

 

 

 

Publicado em novembro de 2017.  Última atualização em 16 de setembro de 2020.

 

REFERÊNCIAS

Historiador Robert Darnton – entrevista Folha de S. Paulo; “Fake news viraram um grande negócio” – Revista Época; Imprensa brasileira na cobertura das eleições de 2018 – Revista Época; O que são as fake news – Professor Doutor Diogo Rais (Mackenzie); Fake news: o novo espetáculo – João Pedro Piragibe, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Mackenzie); Blog Watch – Fake News Types; First draft news – Claire Wardle – 7 types of fake news; 6 tipos de fake news nas eleições dos EUA em 2016 – Claire Wardle – Columbia Journalism; O mundo das fake news – El País; Pós-verdade – Dicionário Oxford; Fact-check.org – Papa Francisco endossou Donald Trump?; Estadão – TSE, Abin e Defesa combatem fake news; New York Times – Como fake news se espalham; The Guardian – Fake news ajudaram Trump a se elegerBuzzfeed News – Top Fake News 2016; Relação Turquia e União Europeia – Exame; O império da pós-verdade – Época;  

 

O que faz um advogado?

Estatua da deusa da justiça. Conteúdo "o que faz um advogado"

A graduação em Direito leva em média 5 anos para ser finalizada, podendo ser feita em faculdades públicas ou privadas e sendo um dos cursos mais procurados do Brasil. Uma vez formado, o profissional recebe o título de Bacharel em Direito. Para que se torne, de fato, um advogado, precisa ser aprovado nos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Nesse texto, traremos um resumo das principais áreas de atuação de um advogado, assim como as possibilidades de carreira no setor público. Vem com a gente!

Antes de mais nada, o que é um advogado?

Um advogado é um profissional de extrema importância em nossa sociedade. Ele visa a garantir os direitos do seus clientes e defendê-los,  embasado nas leis do seu país. No Brasil, hoje  são mais de 1,1 milhão de advogados registrados na OAB, o que faz com que o país tenha 1 advogado para cada 190 habitantes.

Mas onde um advogado pode atuar? Existem diversas áreas e isso dependerá do caso de cada cliente, ou do profissional, que pode se especializar nelas.

Leita também: o que faz um economista?

Se optar por exercer a função em apenas uma área da advocacia, você verá que são diversas opções para escolher:

Direito Trabalhista

O profissional que trabalha com Direito Trabalhista, também chamado de Direito do trabalho ou Direito laboral, pode representar tanto uma empresa quanto seu empregado. Defende aquele que foi afetado pela quebra de lei e é um das áreas que mais demandam profissionais, pois atingem todas as pessoas do país.

Direito Civil

Direito Civil é uma das maiores áreas da advocacia. A depender de sua especialização, ele estará habilitado para representar questões como divórcio e herança, até bens de determinada pessoa. Por ser uma área enorme, é recomendável aprofundar-se em um ramo específico, como: direito da família, responsabilidade civil, fatos jurídicos, etc.

Direito do Consumidor

Quem seguir nessa área, precisa conhecer a fundo o Código de Defesa do Consumidor, para defender os consumidores, fornecedores e prestadores de serviço de determinado setor aconselhando-os da melhor forma para resolver seus problemas. Também é sua função ajudar empresas para possíveis contratempos.

Direito Tributário

O qualificado do Direito Tributário é responsável pelas normas relacionadas a tributos e arrecadação de taxas, atribuições a órgãos fiscalizadores, etc. Esse profissional deve entender sobre impostos e taxas cobradas pelo governo, estados e municípios. Podendo trabalhar tanto para o governo, quanto para empresas, é o encarregado de averiguar taxas cobradas para o cidadão não pagar por algo injustamente e a empresa/governo receber o que é devido para o seu orçamento.

Direito Ambiental

O Advogado Ambientalista é aquele que participa de qualquer processo judicial que envolva à legislação ambiental. É ele que tem por objetivo proteger o meio ambiente fazendo com que se preserve para o bem estar da humanidade. Quaisquer crimes cometido contra o meio ambiente ou prejuízo causado, é passível de penalização, conforme a lei. Você pode entender um pouco mais da área no nosso texto sobre Direito Ambiental.

Direito Empresarial

Área relacionada a vertente jurídica do comércio que cuida dos interesses comerciais de determinada companhia, atendendo e acompanhando a abertura de uma empresa, verificando seus contratos e documentação, inclusive processos de falência e recuperação da mesma.

Direito Penal

O Advogado Criminalista (como é chamado o profissional que exerce a área de Direito Penal) atua na acusação e defesa de seu cliente, que pode ser tanto uma pessoa física quanto uma jurídica. Seu papel é apresentar provas para inocentar ou ao menos diminuir a pena de seu cliente, caso esteja sendo acusado, ou apresentar provas caso esteja acusando alguém. Confira um pouco mais sobre o que é o Código Penal.

Essas são as principais carreiras em Direito no setor privado. Mas além dessas mencionadas acima, existem diversas outras nesse ramo. Como exemplo, podemos trazer: Direito Digital, Direito Imobiliário, Direito Administrativo, entre outros.

O profissional registrado na OAB também pode optar por trabalhar com a Advocacia Geral da União.

Carreira em Setor Público

Para seguir carreira no Setor Público, o graduado precisa participar do concurso público e escolher à área que deseja seguir. É importante lembrar que as carreiras no setor público se diferem da advocacia em si, pois, para elas, não é necessário ao bacharel a aprovação no exame de Ordem da OAB.

Defensoria Pública

O Defensor Público é pago pelo Estado para prestar serviços às comunidades que não podem contratar advogados particulares para sua defesa. Você pode se aprofundar nessa área no nosso texto sobre Defensoria Pública.

Promotor de Justiça

O Promotor de Justiça do Ministério Público fiscaliza o cumprimento ou não de leis do país e promove ações perante o juiz. Para entender um pouco melhor sobre o MP e outros cargos, como Procurador de Justiça, confira nossa trilha sobre o Ministério Público.

Magistratura

Um dos cargos mais cobiçados por quem faz Direito e um dos mais bem pagos do país, para se tornar um juiz é preciso comprovar prática jurídica de, no mínimo, três anos, além de ter feito faculdade de Direito e ter prestado o concurso público. O juiz julga processos, expedem mandados de busca e de prisão, entre outros.

A carreira para quem cursa Direito é ampla e com diversas opções. Você já sabe em qual deseja seguir?

Publicado em 27 de abril de 2020. Última atualização em 20 de maio de 2020.

redatora voluntária

Steffany Nunes

Redatora voluntária do Politize!. Nascida em São Paulo, trabalha com empreendedorismo digital e é redatora freelancer nas horas vagas. Apaixonada por marketing, idiomas e investimentos, procura levar conhecimento àqueles que buscam por sucesso na carreira e em sua vida pessoal.

 

 

 

Destaque-Id-estudantil

ID Estudantil: como ficou essa ideia?

Imagem de quadro de sala de aula com exercício de matemática em aulão. Conteúdo sobre ID Estudantil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas.

Muitos estudantes brasileiros tiveram como novidade a presença da nova carteirinha digital, a ID estudantil, no início de 2020. No entanto, o projeto da ID acabou não avançando como era esperado por seus proponentes. Ainda assim, esse é um tema que tem tudo para voltar no futuro e desde já nós te explicamos do que se trata.

O que é a ID Estudantil?

A ID Estudantil (Carteira de Identificação Estudantil), conhecida como a nova “carteirinha digital” é um formato diferente baseado nas carteiras estudantis que circulam entre os estudantes brasileiros, com mais informações e com o modelo digital.

Esse documento, assim como as carteirinhas estudantis no geral, refere- se a lei 12.933/13, a Lei da Meia entrada, que garante a metade do preço para ingressos de eventos culturais, esportivos, de lazer e etc. O intuito do documento é comprovar a matrícula dos alunos (as).

Quando foram criadas as carteirinhas estudantis?

Nos anos 40, à partir das mobilizações da UNE (União Nacional dos Estudantes) iniciou-se uma movimentação para viabilizar esse documento, com o intuito de promover entradas mais facilitadas em eventos culturais, e como uma maneira de completar a carga horária colocada pelas instituições de ensino. Desde então, membros da UNE iniciaram a confeccionar as carteiras, para que uma  lei entrasse em vigor de maneira mais rápida.

Leia também: como é organizado o movimento estudantil no Brasil?

No período ditatorial brasileiro (1965-1985), as carteiras estavam perdendo aos poucos  sua credibilidade, pois  muitas entidades estudantis foram encerradas, e as carteiras começaram a ser produzidas mais facilmente.

Com a reorganização das entidades estudantis, órgãos oficiais como a Federação Nacional dos Estudantes (FNEL) passaram a emitir a carteira, e o benefício da meia entrada foi garantido por lei oficialmente.

A proposta da nova carteira digital era manter as identificações básicas dos estudantes, e adicionar outras informações complementares, sem a necessidade de o documento passar pelas organizações estudantis. Teriam o direito automaticamente ao documento digital todos os estudantes matriculados no ensino superior, fundamental, médio e técnico.

E o que aconteceu com a ID digital?

O novo formato atribuído a carteira estudantil entrou em vigor após a Medida Provisória 895, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em setembro de 2019. Como você deve lembrar do texto que escrevemos sobre isso, Medida Provisória é uma ferramenta com força de lei ditada pelo presidente em momentos considerados relevantes e que depende da aprovação do Congresso Nacional para se tornar definitiva. As MPs possuem validade de 120 dias, prazo em que devem passar por aprovação no Senado e na Câmara.

A MP  895, no entanto, não foi discutida no Congresso dentro desse prazo, o que gerou na queda de sua validação. Quando isso acontece, dizemos que a medida “caducou”.

A  nova carteira digital também foi criada em desacordo com a UNE, pois a emissão com a taxa da carteira disponibilizada pela organização contribui financeiramente para a União dos Estudantes.

A medida provisória iria alterar a Lei 12.933/13, adicionando a ID Estudantil. Após esta MP, todas as certeiras  estudantis  deveriam ser padronizadas. As carteiras teriam preferencialmente o formato digital, no entanto, poderiam ser emitidas gratuitamente em estabelecimentos da Caixa Econômica Federal, no modelo físico.

Leia também: como é organizado o sistema educacional brasileiro?

Eu tenho a ID Estudantil. Vou poder usar?

As novas carteiras digitais estão nos celulares disponibilizadas através do aplicativo encontrado nas lojas Google play e Apple Store com o nome ID Estudantil. Apesar da MP ter perdido a validade, os estudantes que conseguiram emitir vão conseguir utilizar. Os demais que não a emitiram, continuaram a utilizar os antigos formatos existentes, como os disponibilizados pela UNE.

Em nota, o MEC informou que o aplicativo permitirá a troca de foto por 5 vezes ao ano, e a reativação de conta, no caso de troca de celular. Foi informado ainda que ocorre estudos para a distribuição de carteiras gratuitas futuramente.

É possível apresenta-la nos eventos direto do celular, tais como: teatro, cinema, eventos esportivos e outros e obter a meia-entrada. Não é necessária a impressão em folha para ter os benefícios. A identificação irá acontecer pelo QR Code, que aparecerá embaixo da foto presente no aplicativo do celular. A carteirinha digital perderá a validade quando o estudante parar de frequentar o a unidade de ensino.

Sobre os dados cadastrados 

Os dados cadastrados através do Sistema Educacional Brasileiro (SEB) iriam ajudar no monitoramento dos estudantes, e considerar as frequências escolares, notas, locais de estudo, entre outras informações. Os dados  cadastrados ainda serão válidos para o governo.

Vale lembrar que o Sistema Educacional Brasileiro é um espaço que possui um cadastro no qual as escolas, faculdades e cursos profissionalizantes públicos e privados atualizam dados referente ao  local de ensino. São colocados dados do corpo docente e discente, matrículas,  histórico escolar e tais dados podem ser compartilhados com o governo federal.

Os dados podem ser atualizados periodicamente, conforme a necessidade, garantindo assim  benefícios para novos alunos. Outros programas relacionados a educação serão lançados futuramente, de acordo com o site oficial da SEB, e para utiliza-los, é necessário ter todos os dados referente as instituições escolares atualizados.

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Publicado em 24 de abril de 2020.

Redator voluntário do Politize

Milena Sant’Anna

Cristã Católica, trabalha com Educação Infantil e estuda jornalismo na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Seu  lema é: Levar a informação verdadeira para o máximo de pessoas possíveis, pois acredita que o conhecimento sobre a verdade liberta.

 

 

REFERÊNCIAS

Medida Provisória 895  – Site ID Jovem – Sistema Educacional Brasileiro

O que faz um historiador?

Clio, musa da história. Foto: Wikimedia Commons.

Na mitologia grega, Zeus e Mnemósine tiveram 9 filhas, conhecidas como nove musas que representam áreas distintas do conhecimento, dentre elas está Clio, a musa da História ilustrada na imagem acima.

Escritores de best- sellers, palestrantes, analistas políticos, colunistas, professores, consultores de projetos culturais e sociais. Os historiadores desempenham o relevante papel de investigar e esclarecer processos importantes que geraram o mundo em que vivemos hoje. Entender as ações de homens e mulheres no decorrer do tempo pode nos dar respostas preciosas sobre os problemas que enfrentamos no presente.

Neste texto a gente explica para você o que fazem os historiadores e qual a importância dessa profissão.

A origem da ciência histórica

Conhecido como “pai da História”, Heródoto é considerado um dos primeiros historiadores do mundo. Ele escreveu sobre a invasão persa na Grécia, em meados do século V a. C., evento conhecido como Guerras Médicas. Além de registrar o acontecido, Heródoto concebeu a história como um problema filosófico que pode revelar aspectos importantes do comportamento humano.

O termo criado por ele, “Historie”,  literalmente significa pesquisa. Isso revela a essência do ofício daqueles que se dedicam ao estudo da História: a pesquisa, que, ao contrário do senso comum, não se baseia apenas em documentos escritos e oficiais, mas em toda a produção humana que carrega consigo expressões, ideias e necessidades de um tempo.

Todo historiador é, em essência, um pesquisador. Ele conhece os processos de construção do presente em todas suas esferas: a cultural, econômica, política e assim por diante. Por isso, tem alta capacidade de análise de questões complexas e abstratas que influenciam e ditam os rumos de nossa vida – mesmo que nós não percebamos de forma explícita.

Os historiadores são portanto indivíduos que estudam a vida, a trajetória humana no tempo, suas relações, tradições, sentimentos e ações. Entender como homens e mulheres construíram este mundo até chegarmos no presente é uma ferramenta importante melhorar o mundo ( de hoje) que nossos antepassados criaram, pois, como diria Carlo Levi, ” o futuro tem um coração antigo”.

“Tudo é História”: a diversidade no campo de estudos e atuação 

No século passado, em meados dos anos 20, o historiador Marc Bloch escreveu o que hoje consideramos a Bíblia dos historiadores, sua magnus opus “Apologia da História ou ofício do historiador”. Preso pelo regime nazista, Bloch deixou este livro inacabado como resposta a pergunta de seu filho: “ Papai, para que serve a História? “.

É a partir desse questionamento que Bloch escreve a obra que vai influir em novas concepções acerca do ofício daqueles que se dedicam ao estudo histórico. A História para Bloch não é a ciência do passado, mas sim, a ciência dos homens no tempo.

Bloch foi um dos fundadores da Escola dos Annales, uma das escolas historiográficas muito importantes para renovar a concepção que se tinha acerca da ciência histórica: sua metodologia, que é o como lidar com os documentos, com os fatos, com o tempo. Uma das marcas desta renovação historiográfica foi a necessidade da interdisciplinaridade. Para o historiador poder analisar determinados períodos históricos seria necessário o auxílio de outras ciências, como a psicologia e as Ciências Sociais,  por exemplo.

No diagrama abaixo, retirado do livro “Os Campos da História”, do historiador José D’Barros, conseguimos ver a diversidade e variedade das dimensões, abordagens e domínios da História.

PDF: O Campo Histórico. Quadro sobre as modalidades da História. Conteúdo "o que faz um historiador?"

Créditos na imagem: Reprodução.

O esquema feito pelo historiador José D’ Assunção Barros, mostra a diversidade do campo da história, separando suas dimensões, abordagens e domínios.

Marco legislativo e atuação do historiador

No dia 18 de fevereiro de 2020, o Senado aprovou a regulamentação da profissão de historiador no país. A partir dessa data, são considerados historiadores aqueles que possuem graduação, mestrado ou doutorado na área e, aqueles que trabalham há mais de 5 anos na área. Nas atribuições da Lei, estão:

“I- magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, desde que seja cumprida a exigência da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB quanto à obrigatoriedade da licenciatura;

II – organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas de História;

III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;

IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;

 V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos para fins de preservação;

VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.”

Os historiadores podem atuar em diversas áreas. A mais comum é a docência, mas há uma variedade de atividades que o profissional pode direcionar sua carreira, como: trabalhar como consultores de instituições públicas e privadas; consultores de produções culturais; na gestão de arquivos; técnicos em museus e instituições que trabalham com patrimônio histórico; analistas de  pesquisa; consultoria em produções cinematográficas; teatro; além também de trabalhar com memória empresarial.

Outro campo de atuação é no auxílio de elaboração de políticas públicas. Com o conhecimento da formação social, econômica e cultural do país, os historiadores são profissionais que conhecem processos históricos decisivos para formular as políticas de hoje.

Leia também: o que faz um economista?

Órgão representativo: ANPUH

A Associação Nacional de História- ANPUH, órgão que representa a classe, foi criado em 1961, por professores universitários, afim de profissionalizar a área, composta majoritariamente por profissionais do “notório saber”. Com origem na cidade de Marília, São Paulo, a Associação cresceu por todo país, e, realiza anualmente encontros nacionais e regionais pelo país, discutindo importantes temas em relação à profissão e promovendo a circulação de pesquisas feitas entre os profissionais no país.

Entre os historiadores mais conhecidos estão: Eric Hobsbawm, Yuval Noah Harari , Marco Antonio Villa, Boris Fausto, Sérgio Buarque de Hollanda, Leandro Karnal, Lilia Schwarcz, Laura de Mello e Souza, José Ferreira  e Heloisa Starling. Alguns atuam como políticos ativos no país, como  Marcelo Freixo ( PSOL) e Marina Silva (REDE).

Mas para que serve a História?

Falamos da sua origem e contexto, assim como seus diversos papéis na sociedade. Apesar disso, talvez haja a lacuna nos dias de hoje de entender concretamente e mais pragmaticamente o que significa a história. A história tem um papel concreto e urgente na sociedade atual, não apenas como algum tipo de curiosidade, mas como algo central para resolução de problemas sociais. Entender isso passa pela compreensão de apreender a importância da metodologia de seu ensino, e assim, consequentemente, passa pela importância de seus profissionais.

A História deve ser tratada como uma prateleira de remédios, no qual os historiadores devem analisar e compreender a realidade atual, para encontrar soluções. Isso pode parecer simples e trivial, mas o passado, como disse Bloch é intangível e impossível de ser um objeto de estudo.

Apenas o ser humano pode ser estudado, e, por isso, a História é a arte e a ciência de compreender o ser humano em sua perspectiva temporal, de perseguir a essência de das relações humanas, e como podemos deduzir dos séculos de discussão filosófica que remanescem nos dias de hoje – como o paradoxo das teorias de Heráclito e Parmênides ( a noção de que nada permanece) sobre o mundo e seu funcionamento – o buraco é muito mais embaixo.

Buscar a compreensão da História é buscar caminhos para problemas sociais e, em essência, buscar compreender o homem em sua relação com o tempo.

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Publicado em 16 de abril de 2020.

redatora voluntária do Politize!

 

Karine Rodrigues Firmino

Graduada em História pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Atualmente é mestranda em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

REFERÊNCIAS

ANPUH

Senado: Aprovação da regulamentação da profissão de historiador no Brasil

Historiadores para quê?

What is History for?

O que é Escola dos Annales

O que faz um economista?

Moedas de 1 real caindo. Conteúdo sobre 'o que faz um economista'

Foto: Pexels.

Você sabe o que faz um Economista? Neste texto, iremos explicar ao leitor sobre a profissão do Economista, suas funções, áreas de atuações, curso de formação e as figuras que marcaram época exercendo essa profissão.

Pronto para vir com a gente? Antes de mais nada, que tal descobrir a origem deste campo de estudo.

Origem da Economia

Precisar a origem da Economia não é tarefa fácil. Muitos nomes, filosofias e pesquisas podem ter se perdido ao longo da história. Mas podemos lembrar de alguns dos nomes importantes que o tempo preservou.

A palavra “economia” tem sua origem no latim OECONOM, que por sua vez é derivada do grego OIKONOMIA, ambos tinham o significado de “administração de um lar.” Logo, o economista era entendido como “aquele que administra”.

“Economia é o estudo da humanidade no afazeres cotidianos.” Assim escreveu Alfred Marshall, o grande economista do século XIX, em seu livro “Princípios de economia”. Embora tenhamos visto novos conceitos acerca da economia desde a época de Alfred, a definição do autor é tão verdadeira hoje quanto o foi em 1890, quando a primeira edição do livro foi publicada.

Sendo assim, podemos entender a economia como uma ciência social fundamentada em métodos matemáticos, cuja finalidade é buscar estudar e entender as relações entre os agentes econômicos (Empresas, indivíduos e Famílias). Tendo isso em vista, podemos observar alguns autores marcantes.

Adam Smith (1723-1790)

Em 1796, o Economista e Filósofo Adam Smith publicou seu livro intitulado de “Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações.” Neste (foram 5 livros da coleção), Smith buscou explicar assuntos como divisão do trabalho, relações comerciais entre pessoas e países, divisão de renda e acumulação de capital, termos que passaram a ser cada vez mais fundamentais nesse campo de estudo.

Antes disso, em 1759, em seu livro chamado de “Teorias dos Sentimentos Morais”, Adam falou sobre a “Mão Invisível”, cuja atribuição, segundo o autor, os ricos não conseguem consumir toda a riqueza que possuem.

Ao usá-la para seus próprios interesses – comprando bens e terras, empregando pessoas etc. –, parte considerável dessa riqueza é naturalmente distribuída pela tal mão invisível ao restante da população, e assim um certo equilíbrio da economia é atingido.

Sendo assim, podemos dizer que foi a partir dos livros de Adam Smith que a economia pôde ser considerada como campo de estudo. Ou seja, uma ciência.

David Ricardo (1772-1823)

O Inglês David Ricardo foi um dos mais influentes economistas clássicos ao lado de nomes como Adam Smith e Thomas Malthus.  Em sua época, Ricardo se mostrou bastante preocupado com o fato da substituição da mão de obra humana por trabalhos desenvolvidos por máquinas, algo que foi concretizado pela revolução industrial. Também trouxe grande contribuição nas teorias de lucros, aluguéis e salários.

Outro conceito criado por David Ricardo foi a Vantagem Comparativa (Explica diferenças de produção e comércio entre dois países ou nações diferentes, baseando-se em um mesmo produto. A ideia é analisar qual dos envolvidos possui um menor custo de oportunidade de um mesmo bem), teoria que foi publicada em seu livro “Princípio da Política e da Tributação” (1817). Contrapôs a teoria da “vantagem absoluta”, desenvolvida por Adam Smith.

Suas obras com maiores destaques são:

  • O alto preço do ouro (1810)
  • Princípio da Política Econômica e da Tributação (1817)

Karl Marx (1818-1883)

O Alemão Karl Marx é considerado por muitos como um dos maiores pensadores da humanidade. O filósofo e também economista foi o grande idealizador do comunismo (ideologia política e socioeconômica baseada na igualdade na distribuição de renda e bens, além de defender o fim das classes sociais).

De acordo com o economista, o comunismo deveria ser implementado em um momento específico da história da sociedade. Devido sua visão de mundo materialista histórica, seria necessário que cada país passasse por uma revolução burguesa, adotasse o modelo de produção capitalista, em sequência, estaria pronta para a adesão do socialismo e, finalmente, para o comunismo.

Karl criticava o sistema capitalista, alegando que o sistema era fadado em crises cíclicas e irremediáveis, como ele explica em seu livro O Capital (1867).

As principais obras de Karl Marx são:

  • Manifesto Comunista (1848)
  • O Capital (1867)

John Keynes (1883-1946)

Keynes também teve grande contribuição para a economia moderna. Mesmo após quase um século, suas obras continuam sendo usadas como base de estuda em grandes universidades mundiais.

John foi responsável por fazer uma espécie de “revisão” da teoria liberal, teoria que segundo o próprio autor, apresentava falhas e que por si só não era capaz de garantir o pleno emprego. Partindo desse princípio, ele construiu o Keynesianismo, cuja ideia defendida era a de que o Estado deveria intervir na economia sempre que fosse necessário, afim de evitar a retração econômica e garantir o pleno emprego.

Ou seja, segundo Keynes, o estado deveria atuar onde as empresas privadas não podiam ou não queriam investir, afim de garantir o mínimo de renda aos mais pobres e sustentar a estabilidade empregatícia do país.

Sua obra mais famosa foi:

  • A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936)

Milton Friedman (1912- 2006)

Friedman foi um dos nomes mais influentes da economia no século XX. Ficou conhecido por ser um dos grandes nomes da chamada “Escola de Chicago”, a qual ficou famosa por se opor aos Keynesianos, nome dado aos discípulos do notório economista britânico John Keynes, e por defender uma menor intervenção estatal na economia.

Friedman realizou importantes estudos na micro e macroeconomia e levou o prêmio Nobel de Economia em 1976. Ele criou a Teoria da Função do Consumo, onde ele trouxe uma visão inovadora sobre a relação renda e consumo.

Seus livros Famosos são:

  • Capitalismo e Liberdade (1962)
  • Uma História Monetária dos Estados Unidos (1963)

Agora que já temos uma noção histórica desse tema, podemos partir para a grande pergunta do texto.

O que o Economista faz?

De acordo com a Lei nº 1.411/5 (criada em 13 de agosto de  1951), os economistas podem exercer as seguintes funções:

Assessoria, consultoria e pesquisa econômico-financeira

Essa área tem o objetivo de melhorar os resultados de empresas, agregar valor do patrimônio com atividades operacionais, como planejamento, análise e controle.

Estudos de mercado e de viabilidade econômico-financeira

Esse campo de atuação tem como objetivo estimar o total de investimento necessário para colocar o projeto em prática. Para isso, ele considera diversos fatores, como capital inicial, despesas, receitas, rendimentos e desembolsos de investidores.

Análise e elaboração de cenários econômicos, planejamento estratégico nas áreas social, econômica e financeira

A ideia dessa metodologia é usar um conjunto de ferramentas para conseguir imaginar com segurança possíveis cenários futuros. A partir disso, a empresa pode elaborar estratégias para cada uma das situações.

Estudo e análise de mercado financeiro e de capitais e derivativos;

Analisar o mercado financeiro mobiliário (ações, títulos e câmbio) e apresentar informações que servirão como base para a tomada de decisões dos gestores.

Estudo de viabilidade e de mercado relacionado à economia da tecnologia, do conhecimento e da informação, da cultura e do turismo;

Analisar as variações do mercado nestes campos específicos, demanda e oferta, melhores investimentos a serem feitos, relações entre as empresas e etc..

Porque a Economia pertence a ciências humanas, e não exatas?

Como vimos anteriormente, a economia é a ciência que visa identificar e estabelecer a utilidade dos bens em relação ao ser humano e não uma ferramenta apenas de cálculo e precificação de bens e cálculos de índices (Como muitos pensam).

Para se tentar entender de forma mais clara a classificação de Economia como uma Ciência Humana ou Social, temos de definir o conceito de Utilidade, que pode ser assim definido:

“É um conceito econômico que representa a capacidade de uma bem ou serviço saciar um necessidade humana”

Levando em consideração a esta definição, observa-se que, por ser baseada nas necessidades humanas, ela se constitui numa ciência humana e não exata.

E quais os órgãos representativos da Economia no Brasil:

COFECON (Conselho Federal de Economia)

Órgão responsável pela fiscalização profissional dos economistas brasileiros. Foi criada pela Lei nº 1.411/51, que regulamenta a profissão de Economista, e tem como atribuição assegurar o exercício legal e ético da profissão de economista e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do País.

OEB (Ordem dos Economistas do Brasil)

A Ordem dos Economistas do Brasil é uma entidade civil de utilidade pública que tem por objetivos: Zelar pelo prestígio da classe e pela ética profissional; promover a união de classe, estreitando a convivência social de seus membros; incentivar o estudo, promoção e aperfeiçoamento da cultura das Ciências Econômicas.

Formação Profissional

Para torna-se um economista, é necessário concluir o curso superior em Ciências Econômicas, cuja duração varia de 4 a 5 anos.

Melhores Cursos de Economia do Brasil (RUF – 2019)

1ª – Universidade de São Paulo (USP)

2ª – Universidade de Campinas (Unicamp)

3ª – Faculdade Getúlio Vargas (FGV-SP)

4ª – Universidade Federal de Minas Gerias (UFMG)

5ª – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Conclusão

O economista tem grande participação nas vidas das pessoas, direta ou indiretamente. Através de previsões e aplicações de conceitos econômicos, os economistas podem ajudar a transformar mudar um cenário de crise no campo econômico.

E então, conseguiu entender o que faz um economista? O que você pensa sobre essa profissão?

Publicado em 30 de março de 2020.

Redator voluntário

Jhonattan Henrique


Sempre orgulhoso por ser Brasileiro.  Cursando ensino superior em Ciências Contábeis na Universidade Nove de Julho. Estuda economia e história de forma independente. 

 

 

REFERÊNCIAS

Governo Federal

COFECON

Folha: ranking de cursos

CORECON

Cotas sociais no Brasil

Formandos – Foto: Pexels

Um assunto que divide opiniões e causa longos debates na atualidade é a política de cotas. Nesse contexto, essa ação afirmativa pode ser caracterizada de duas formas: as cotas sociais e as raciais.

Aqui, o objetivo é entender mais sobre as cotas sociais, explicar o que são, por que foram criadas e quem tem direito a elas. Se você está interessado nesse assunto, continue com a gente.

Aliás, você sabe como funcionam as cotas raciais? Não? Sem problemas, temos um texto que explica tudo o que você precisa saber bem aqui!

O que são cotas sociais e por que foram criadas?

As cotas sociais são um método de facilitar o acesso à educação para pessoas pertencentes a algumas minorias. Vale ressaltar, que ao falar sobre uma minoria, não estamos nos referindo necessariamente sobre um conjunto de pessoas em menor número na sociedade, mas sim, sobre um grupo em desvantagem social quando comparado a outros mais privilegiados – maiorias. Entre as minorias estão, os LGBTs, mulheres e negros.

Leia também: Racismo: como essa prática é estruturada no Brasil

Essa parcela da sociedade é considerada, pois está em estado de vulnerabilidade social, ou seja, não tem acesso a alguns direitos, o que os coloca em desvantagem numa disputa com pessoas provenientes de classes que não estão nessa situação. 

Dessa maneira, concursos públicos – como o vestibular, com o objetivo de ingresso em universidades públicas e privadas – tornam-se um pouco mais justos, ao dar a oportunidade de alguns grupos marginalizados terem acesso à educação, já que os mesmos não possuem condição financeira o suficiente para investir em uma educação de qualidade, bem como, em sua maioria, se localizam em regiões periféricas.

Qual a diferença entre cotas sociais e cotas raciais?

Na prática, as cotas sociais e raciais são aplicadas em conjunto, entretanto, há algumas diferenças entre as elas e o nosso portal está aqui para esclarecer o que difere as duas modalidades e quais são as minorias abrangidas. Sendo assim, dê uma olhada no quadro que preparamos para compará-las.

Comparativo cotas sociais e raciais – Fonte: Politize!

Quais grupos têm direito ao benefício?

Segundo a lei Nº 12.711, as pessoas com deficiência (PcD) e estudantes de baixa renda familiar que cursaram o ensino médio, em completude, em instituições públicas são caracterizados como minorias com direito ao benefício para acesso a universidades de ensino superior. Além disso, o decreto também contempla estudantes que cursaram todo o ensino fundamental em escolas públicas e têm interesse em ingressar em alguma instituição federal de ensino técnico, como, por exemplo, os Institutos Federais.

Como funcionam e são distribuídas as cotas sociais?

A legislação atual prevê que 50% das vagas em instituições públicas devem ser reservadas aos cidadãos abrangidos pela lei de cotas, sendo os outros 50% destinados à ampla concorrência – pessoas sem direito às cotas. Dos 50% das vagas reservadas, 25% são destinados a alunos com renda familiar bruta total menor do que 1,5 salário mínimo e os outros 25% a alunos com renda familiar bruta total maior que 1,5 salário mínimo. 

Além disso, as vagas citadas anteriormente ainda são divididas proporcionalmente ao número de pessoas contempladas pelas cotas raciais (Pretos, Pardos e Indígenas) e pessoas com deficiência (PcD) do estado em que a instituição pretendida está localizada. Esses dados populacionais são obtidos a partir de um estudo estatístico chamado Censo, realizado pelo IBGE.

Parece complicado, não? Por isso o Politize! preparou um infográfico para te ajudar a compreender melhor como esse cálculo é feito:

Infográfico Sistema de Cotas – Fonte: Politize!

Cotas sociais – argumentos contra e a favor da ação afirmativa

Como tratamos no início do texto, as cotas sociais geram diversos debates no ambiente político e até mesmo nas rodas de conversa. Sendo assim, vamos conferir alguns pontos de vista e seus respectivos argumentos sobre o tema.

Comparativo de argumentos – Fonte: Politize!

O que você acha sobre as cotas sociais? É a favor ou contra? Agora que você já está informado sobre como essas políticas públicas funcionam no Brasil já pode se posicionar e começar a criar sua própria opinião a partir das diferentes visões sobre o assunto. Compartilhe seu ponto de vista conosco, por meio dos comentários!

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Publicado em 26 de Agosto de 2019

 

Matheus Silveira

Assessor de conteúdo no Politize! e graduando de Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Acredita que o fim da discriminação por raça, gênero, sexualidade e outros é um dos caminhos para uma sociedade mais justa e igualitária.

 

REFERÊNCIAS:

 

A Constituição Cidadã de 1988

A Constituição Cidadã foi promulgada em 1988, depois de mais de vinte anos de regime militar, e completou 30 anos de existência. Trouxe direitos e liberdades civis, assim como determinou deveres ao Estado. Conheça a nossa atual Constituição!

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