5 palestras do TED sobre o Brasil

E o que podemos aprender com as inovações dos brasileiros.

Foto: Marla Aufmuth / TED

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Quando pesquisamos no site do TED alguns assuntos de palestras para assistir, nos deparamos também com o assunto “Brasil”. Lá, há diversos vídeos sobre o nosso país e, melhor, de brasileiros que compartilharam grandes ideias. Vamos prestigiá-los?

(Para colocar legendas em português, clique na caixa de diálogo no rodapé do vídeo e escolha a opção: “Português brasileiro”.)

1. O que o nosso cérebro tem de tão especial? | Suzana Herculano Houzel

A neurocientista Suzana Herculano Houzel é brasileira, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e dedica sua vida a descobrir as maravilhas do cérebro humano. O que o cérebro humano tem de tão especial? A cientista conta que, há pouco tempo, existia um pressuposto de que os cérebros de todos os mamíferos são feitos da mesma maneira e com a mesma lógica de que quanto maior o cérebro, maior a quantidade de neurônios. Isso faria concluir que, quanto maior o cérebro, maiores as habilidades cognitivas de seus donos, uma vez que os neurônios são as células funcionais do cérebro. Ela começou a se perguntar se esse pressuposto fazia sentido, afinal, o cérebro de uma vaca e de um chimpanzé têm o mesmo tamanho, mas um chimpanzé tem muito mais habilidade cognitiva do que uma vaca.

O cérebro humano tem uma série de particularidades: ele é maior do que deveria ser em termos proporcionais, quando nos comparamos a outros animais; e ele gasta muita energia para se manter ativo, cerca de 25% de toda a energia do nosso corpo. Foi então que ela começou a se perguntar, afinal, o que era o cérebro humano? Quantos neurônios ele têm? Como ele se relaciona aos cérebros de outros animais? E ela chegou a uma resposta por meio de um método, no mínimo, interessante: fazendo uma sopa. Assista a essa ideia brilhante!

2. A beleza da pele humana em todas as cores | Angélica Dass

O racismo é, em todo o mundo, um problema. No Brasil, também. Para 56% da população brasileira está correta a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”, de acordo com uma pesquisa feita pelo Senado Federal e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social. Esses dois pesos e duas medidas são um exemplo de como o racismo está presente nas mentes das pessoas. Mas, além da mentalidade, o racismo causa males terríveis, como a morte de um jovem negro a cada 23 minutos por assassinato no Brasil.

Todos esses problemas estão relacionados à cor da pele das pessoas ser diferente. Mas não são todas as peles de tons diferentes? A fotógrafa Angélica Dass conta que sua família tinha pessoas de todas as cores: brancas, rosadas, negras, mulatas, e que isso nunca havia sido um problema até que ela saísse de casa. “A cor tinha vários outros significados. Eu me lembro das minhas primeiras aulas de desenho na escola que me provocavam um monte de sensações contraditórias. Eram empolgantes e criativas, mas eu nunca entendi o porquê de apenas um lápis ‘cor-da-pele’. Eu era feita de pele, mas ela não era rosada. Minha pele era marrom e as pessoas diziam que eu era negra”, conta a fotógrafa.

Foi então, compreendendo a imensa quantidade de cores-de-pele das pessoas que ela começou um projeto fotográfico chamado Humanae. Ela faz um retrato das pessoas e depois procura uma cor na paleta de cores da Pantone que mais se aproxime ao tom de pele da pessoa em questão. “O Humanae é uma tentativa de destacar as nossas verdadeiras cores”, diz Angélica. Ela começou com sua família e seu amigos, mas rapidamente outras pessoas se interessaram em ser fotografadas. O convite de Angélica é que repensemos nossos conceitos de cor de pele. Confira essa palestra emocionante no vídeo acima!

3. O silencioso drama da fotografia | Sebastião Salgado

É possível – e provável – que você já tenha visto uma fotografia de Sebastião Salgado. São fotos de lugares, animais, pessoas, famílias, ruínas, minas… De pobreza, de alegria, de cooperação, dentre tantas outras qualidades. Sebastião Salgado é um fotógrafo muito renomado no mundo inteiro. Para ilustrar um pouco o seu currículo, ele foi o fotógrafo designado para acompanhar os 100 primeiros dias de governo do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan em 1981 e, dentre suas fotos, ele fez a captura do ataque a tiros sofrido pelo presidente. Fez livros de fotografias sobre as secas na África, sobre o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas… E ver tantas tragédias no mundo fez com que ele quisesse parar de fotografar.

Foi então que ele retornou à sua terra natal: o Brasil. Em que outra tristeza lhe acometeu quando ele percebeu que em nome do desenvolvimento, estávamos devastando as nossas florestas. A fazenda de sua família foi exemplo disso, pois consiste numa área que era coberta em 50% por floresta e, quando ele recebeu essas terras, só havia 0,5%. Ele fez da reconstrução dessa floresta o seu projeto de vida, fazendo crescer todas as plantas nativas ali, o que lhe fez enxergar as possibilidades de vida no mundo. Nessa palestra, ele fala da sua história e de como a fotografia é a sua forma de ativismo, mostrando alguns dos seus trabalhos e o que eles significam. Assista aqui!

4. O animal mais legal que você não conhece – e como podemos salvá-lo | Patrícia Medici

Qual você acha o animal mais incrível do mundo? A bióloga conservacionista Patrícia Medici acredita que é a anta. Mas por quê? Ela, que dedicou mais de 20 anos de sua vida na empreitada de proteger essa espécie em extinção, afirma que as antas são fascinantes. A anta-brasileira é o maior mamífero terrestre da América do Sul!

Depois de muito trabalho, chegou um momento em que ela se perguntou se o seu trabalho realmente estaria ajudando a conservar a existência das antas ou se ela estaria simplesmente documentando a sua extinção. Assim, ela pensou sobre como nós, pessoas comuns, podemos contribuir na conservação das antas. Nessa palestra, entenda por que antas são conhecidas como as jardineiras da floresta e se pergunte: queremos ser responsáveis pela sua extinção?

5. Arte com arame, açúcar, chocolate e cordel | Vik Muniz

O que é arte para você? Pinturas, esculturas, quadros, retratos, devem vir à sua mente, certo? Já pensou em arte feita de açúcar, chocolate, linhas de costura, arame, poeira, papel? Vik Muniz é um artista que usa métodos e materiais para as suas obras de arte que não são os mais comuns – ao menos não no mundo da arte. Sua intenção é ser um paradoxo na arte e impressionar quem aprecia o seu trabalho. Ele representa pessoas, paisagens, interpreta quadros (como a Santa Ceia feita de chocolate!), faz desenhos em grandes espaços de terra e até no céu. Como uma imagem vale mais de mil palavras, a palestra de Vik Muniz é uma verdadeira viagem sobre a sua trajetória, a qual vale a pena ver.

Seja com arte, meio ambiente, ciência, fotografia, tanto o Brasil como os brasileiros têm muito a oferecer para mundo. Seja por meio de ideias, de projetos ou iniciativas, ou mesmo sendo cabeças pensantes sobre como melhorar certas realidades e partes do mundo. E você, que ideias teve hoje?

Publicado em 19 de dezembro de 2017. Última atualização em 21 de dezembro de 2017.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.