Você conhece o partido Missão?

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O Brasil é um dos países com mais siglas partidárias e, em 2026, alcançou seu 30º, o partido Missão. Sob a bandeira da direita liberal, o partido afirma se diferenciar do bolsonarismo.

Nesse texto, a Politize! apresenta o partido caçula do Brasil que, apesar de miúdo, não passa despercebido.

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Como surgiu o partido Missão?

A materialização de um partido próprio sempre esteve nos horizontes do MBL. Para a abertura do partido, apresentaram 577.999 assinaturas (de uma forma polêmica, segundo críticos) e comprovaram a constituição de diretórios estaduais em pelo menos nove estados brasileiros. Adotaram a onça pintada como seu mascote e o número 14 do extinto PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

Dessa maneira, o Missão é fundado pelo MBL como um todo mas encabeçado por Renan Santos, Kim Kataguiri, Arthur do Val, Amanda Vetorazzo, entre outros candidatos. O partido não segue a mesma estrutura dos partidos políticos clássicos, ele se parece, na verdade, com uma marca e adota o slogan “o futuro é glorioso”. Até agosto de 2026, contavam com 29.911 filiados.

O partido Missão surgiu em um cenário polarizado, relembrando as eleições de 2018 em que o Brasil se dividia entre bolsonaristas e petistas, mas sua trajetória não começa agora. Ele nasceu da vontade do Movimento Brasil Livre de lançar seus próprios candidatos por não se sentir representado nem pela esquerda, direita ou mesmo o famoso “centrão”. Esse partido se denomina, portanto, uma alternativa direitista aos “políticos tradicionais”.

O MBL nasceu de cunho liberal, acusando a esquerda de cometer censura com o chamado “politicamente correto”. Entretanto, com o passar dos anos, o grupo se aproximou de uma agenda mais conservadora e passou a participar ativamente da dita “guerra cultural”, distanciando-se, por consequência, do discurso liberal.

Você sabia que Olavo de Carvalho propagou a ideia de “guerra cultural”? Veja mais sobre Olavo de Carvalho: gênio ou louco? 

Por que não um partido já existente?

Segundo Renan Santos, candidato a presidente em 2026 pelo partido, alugar uma legenda seria ficar à mercê de caciques políticos e limitar o escopo de atuação de seus representantes. 

Para ele, criar o “Missão” é uma forma de resistir a um ciclo vicioso de políticos antigos. Se, por um lado, conseguem se manter mais fiéis aos princípios do movimento, por outro, têm que conquistar do zero um espaço no Congresso.

Além disso, buscam se desvincular do “centrão”, que está representado na maioria dos partidos brasileiros e que, segundo Renan, é um problema maior que a esquerda.

Dessa forma, o Missão se apresenta como um partido sem centrão, antiBolsonarista, antipetista e antiesquerda.

Qual a ideologia do partido Missão?

Apesar de abrigar várias linhas de pensamento político, o Missão se apresenta oficialmente como um partido liberal. Declaram-se como um partido de direita com membros variados, entre liberais, conservadores e nacionalistas de direita.

Criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidido por Renan Santos, seu estatuto prevê “defender o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, as liberdades civis (…)”, tendo a economia liberal e o discurso anticorrupção como suas principais bandeiras. 

Também defendem o endurecimento contra o crime organizado, penas mais duras para o delito e maior autonomia para policiais em situação de risco. Esse posicionamento pode ser evidenciado pelo slogan “prendeu, matou”, amplamente utilizado por suas lideranças e militantes em redes sociais. 

Outras bandeiras defendidas são o “fim dos privilégios do funcionalismo público, industrialização do Nordeste, responsabilidade fiscal, endurecimento de leis penais, guerra contra o narcotráfico, aumento da qualidade em saúde e combate à poluição e ao desmatamento.”

Apesar de seus valores e projetos serem reunidos no Livro Amarelo, um conjunto de fascículos escrito pelas lideranças acadêmicas e colaboradores do movimento, não estão disponíveis para o público, sendo necessária uma assinatura anual de R$589,68 para acessar o conteúdo.

A guerra cultural é atrelada ao marxismo cultural. Leia mais em: Marxismo cultural: o que é isso?

O Missão se apresenta como um partido antipetista, antiesquerda e antiolsonaro. Com 577.999 assinaturas, conseguiram aprovação no TSE para formar o partido. Entretanto, segundo opositores, o Missão considerou “comprar assinaturas e mudar leis eleitorais para fundar partido”, além de haver denúncias sobre não haver clareza para as assinaturas do abaixo-assinado. 

O partido não tem direito ao fundo partidário por não possuir representantes no Congresso, mas fará uso do fundo eleitoral com um valor entre 3 e 4 milhões de reais. Essa foi uma mudança de discurso significativa, pois a abolição do fundo partidário e eleitoral era uma das maiores bandeiras do MBL.

Veja mais sobre a diferença entre fundo eleitoral e fundo partidário em: Fundo Eleitoral X Fundo Partidário: quais as diferenças

Argumentos contra e a favor do partido Missão

Apesar de o partido ser criado pelo MBL, para se filiar não é necessário ser militante do MBL. Contudo, uma das estratégias para o crescimento do movimento e, por consequência, do partido é o investimento na formação de seus militantes na Academia MBL, com vários cursos sendo oferecidos, desde escrita até produção de cortes rápidos para o YouTube.

Dessa maneira, o partido tem crescido, sobretudo nas redes sociais. Até o momento (2026), Renan Santos é o nome que lidera a vaquinha eleitoral com mais de 350 mil arrecadados.

Uma das formas que tem conseguido chegar ao público jovem é através do uso de memes e cortes rápidos. Para os “missioneiros”, o Missão é um partido de “outsiders” (de fora da política) e, portanto, sem vínculo com problemas da política brasileira.

Seus críticos, entretanto, apontam que o MBL já esteve ao lado de figuras conhecidas da política brasileira e, por isso, não são novos integrantes da política brasileira. Criticam também a forma agressiva de fazer conteúdo, além de alegarem ataques direcionados por parte do grupo com a prática de disseminação de fake news. 

Você sabe identificar uma fake news? Leia mais em Redes Sociais e Fake News

Em suma, a estratégia do partido de manter distância e purismo associativo tem pontos positivos e negativos. Por um lado, pode limitar suas alianças e sua capilaridade eleitoral, além de afastar potenciais apoiadores que temem desagradar parcelas significativas do eleitorado. 

Por outro lado, preserva sua coerência interna, fortalece sua identidade programática e mantém o partido preparado para aproveitar crises futuras no campo adversário, especialmente se conseguir capitalizar sobre o apoio jovem e o engajamento digital.

E aí, o que achou da história do partido Missão? Conte-nos o que achou nos comentários!

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Conteúdo escrito por:

Mariana Benate

Mariana Silva Benate

Três coisas me definem: cafés da tarde, vegetarianismo e piadocas. Sou nascida em Franca (culturalmente mineira, oficialmente paulista) e moro em Campinas – SP. Estudo Ciências Sociais pela Unicamp, com foco em ativismo digital e atuação das cooperativas populares. E assim aprendo que a diversidade é que constrói a democracia.
Benate, Mariana. Você conhece o partido Missão?. Politize!, 28 de setembro, 2026
Disponível em: https://www.politize.com.br/voce-conhece-o-partido-missao/.
Acesso em: 28 de set, 2026.
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