5 palestras do TED sobre políticas públicas

Foto: Marla Aufmuth / TED

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Você já viu as 5 palestras sobre política mais vistas do TED né? Bom, o que esta lista tem de diferente, então? Para começar, o TED é uma plataforma em inglês, portanto os filtros de conteúdo também o são. O filtro utilizado no conteúdo anterior é politics e o neste conteúdo, sobre políticas públicas, é policy. E o que essas palavras têm de diferente?

Usando como referência o Dicionário de Cambridge, essas palavras são, apesar de similares, tão diferentes quanto política e políticas públicas em termos de sentido. A palavra politics é o sinônimo de política no português e se refere “a atividades do governo ou a pessoas que tentam influenciar a forma com que o país é governado”. Os exemplos de frase são: “Muitas pessoas não são interessadas em política atualmente” e “A política é o poder em ação”.

Já a palavra policy é traduzida como política para o português muitas vezes, mas tem um significado diferente, similar ao de políticas públicas para o português. Policy é “um plano de ação ou um conjunto de regras acordadas por um negócio, grupo político ou governo, dizendo o que farão em determinada situação”. Exemplo de frases são: “não é política da empresa vender isso” ou “a política econômica do governo está em ruínas por conta da crise de crédito global”.

Esta lista de palestras do TED é sobre pessoas que falam sobre policy, isto é, sobre ação, regras e inovação em termos de políticas públicas. Fizemos uma seleção das 5 mais vistas até hoje. Vamos ver quais são?

1. Tudo o que você acha que sabe sobre vício está errado – Johann Hari

100 anos após a decisão da Inglaterra e dos Estados Unidos de criminalizar o uso de drogas em seus países, na qual grande parte dos países incorporaram uma política de combate às drogas, o jornalista Johann Hari começou a se perguntar: o que causa o vício realmente? Por que insistimos num modelo de políticas de drogas que não parecem estar funcionando? Existe uma forma melhor de tratar esse problema? Tendo pessoas com vícios em sua família, Hari questionou as políticas públicas empregadas contra pessoas com vícios e foi atrás de resposta sobre como melhorar esse sistema.

Ele viajou o mundo procurando essas respostas, com pessoas que lidam tanto com o vício, como com o combate e o estudo do vício. Teve descobertas fantásticas e curiosas experiências. Conta um exemplo interessante: você sabia que ao tomar diamorfina no hospital, um remédio muito forte contra a dor, você está ingerindo um tipo de heroína? Inclusive mais “forte” do que a heroína “das ruas”, pois é medicamente pura, de acordo com Hari. E por que há diferença entre uma pessoa que coloca isso no seu organismo na rua ou no hospital? O jornalista traz essas discussões que precisamos ter sobre as drogas.

Leia a trilha do Politize sobre as drogas!

2. Qual país faz mais bem ao mundo? – Simon Anholt

Você já se fez essa pergunta: que país faz mais bem ao mundo? E se fez, a fez em que sentido? Pode ser em termos econômicos, políticos, democráticos, de bem-estar, políticas de segurança, políticas de saúde, mobilidade, urbanismo? O que faz das ações de um país, boas? Que país mais faz bem ao mundo? E se fosse possível medir esse impacto?

Simon Anholt, renomado consultor de policy, isto é, de políticas públicas, questionou como a globalização significa unir mais o mundo, e como isso tem lados positivos e negativos. Na verdade, parece que os países estão demorando a progredir em questões mais inerentes às políticas mundiais, como direitos humanos e questões ambientais, pois não passaram a agir de maneira global, mas continuam agindo de maneira individual. Como podemos agir de maneira mais global? Qual o nosso papel, como cidadãos, para encorajar que isso ocorra? E se pudermos medir o nível de “bem” que um país faz ao mundo? Veja esta palestra para entender como isso seria possível!

3. As leis que as pessoas que trabalham com sexo realmente querem – Juno Mac

A terceira palestra mais vista em termos de política é sobre o Brexit – a saída do Reino unido da União Europeia, com o título “Por que o Brexit aconteceu e o que fazer agora”, feita pelo cientista político Alexander Betts. Como essa palestra também está na lista das 5 palestras mais vistas do TED sobre política, prosseguiremos nesta lista com a 4ª palestra mais vista…

Que é sobre leis a respeito de prostituição, trabalho com sexo. A ativista Juno Mac conta sobre a sua perspectiva do trabalho com sexo e como as pessoas chegam até essa atividade, normalmente por conta do desespero e buscando a sobrevivência. Ela apresenta as quatro maneiras com que os países ao redor do mundo tratam a prostituição e argumenta porque nenhuma delas funciona. Ela fala sobre a total criminalização de prostitutas, até a regulamentação do trabalho de prostituição e o que, na visão dela, deveria ser levado em conta ao se pensar em leis e regulamentações.

No Brasil, a prostituição é uma ocupação profissional reconhecida pelo Ministério do Trabalho desde 2002, que não é regulamentada, como no exemplo que ela traz sobre alguns países. Como ela diz na palestra, as regulamentações são variadas e podem ser discutidas de local para local, mas o perigo é não existir nenhuma. No Brasil, a confusão entre prostituição e exploração sexual – que é ilegal – é enorme e as pessoas que trabalham com sexo estão vulneráveis à violência a qualquer momento, uma vez que nem a prostituição nem a exploração sexual são fiscalizadas. Uma proposta de lei foi revivida para regulamentar a prostituição no Brasil em 2016: leia esta matéria do Nexo Jornal para saber detalhes!

4. Por que pessoas normais precisam entender o poder – Eric Liu

Quem fica entediado ao ler ou ouvir a palavra cívico? A palavra remete a questões sobre o país, como o entendimento das instituições, o hino nacional, a bandeira e, para muitos brasileiros, têm a ver com a educação que receberam. No Brasil, em 1969 – durante a ditadura militar – foi instituída uma nova disciplina em todo o ensino brasileiro, quaisquer fossem os graus: a Educação Moral e Cívica. A disciplina só foi extinta completamente em 1993. O intuito era colocar nas cabeças, principalmente dos jovens, a importância do patriotismo, da moral e do reconhecimento desses símbolos nacionais. Mas por que essas disciplinas sempre são tão quadradas, muitas vezes chatas e que não ensinam sobre ética, por exemplo, mas sim sobre moral (ou moralismo)?

O professor Eric Liu fundou a Universidade Cidadã, em que é ensinada a poderosa arma da cidadania e como aproximar as pessoas comuns, nós, do entendimento do que é a cidadania, da sua prática e como podemos fazer isso ao compreender os mecanismos de poder. Para ele, cívico é o cidadão que toma a frente na resolução de problemas numa comunidade autogovernada:

“Civismo tem a ver com a arte da cidadania, que engloba três coisas: uma fundação de valores, um entendimento dos sistemas que fazem o mundo girar e uma série de habilidades que permitem com que se persiga objetivos e ter outras pessoas que adentrem essa busca também”.

Vamos ver como podemos praticar melhor a cidadania?

5. A visão de um promotor de justiça para um sistema judicial melhor – Adam Foss

Conhecido pela sua demora, o sistema judicial brasileiro é alvo de críticas por todos os lados. Mas não se espante ao saber que o sistema judicial dos Estados Unidos também é criticado, assim como outros mundo afora. O que é, afinal, o sistema judicial? É um modelo de ação que busca responsabilizar uma pessoa por algo “errado” que ela fez, de acordo com um conjunto de regras estabelecidas. O sistema judicial desemboca diretamente em outro, o prisional. Há quem cometa esses erros e não tenha punição, assim como há quem seja punido. Mas esses erros deveriam definir o resto das nossas vidas? E, mais, existe um perfil de pessoas que, mais provavelmente, será punida – e de maneira mais severa – por tê-los cometidos?

O promotor Adam Ross questiona o sistema judicial estadunidense, principalmente levando em conta as suas experiências no meio: por que o sistema policial e judicial levam, inevitavelmente, uma pessoa a um julgamento numa corte? O dinheiro gasto para julgar essas pessoas e, se condenadas, mantê-las presas por anos – ou até décadas – não poderia ser utilizado para evitar que esses “erros” não fossem cometidos? Atuar na prevenção, em vez da punição. E mais, faz uma mea culpa e uma análise sobre qual o papel dos atores dentro do sistema judicial e como seria possível humanizá-lo.

O que você achou das reflexões e propostas políticas, e de ação, dos palestrantes? Deixe seu comentário!

Publicado em 15 de novembro de 2017.

Carla Mereles

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curadora do TEDxBlumenau e assessora de conteúdo do Politize!.