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Bruxaria e a representação feminina na sociedade

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Já parou para pensar em como surgiu o conceito de bruxaria e em como isso culminou na caça às bruxas na antiguidade?

As maiores vítimas da perseguição foram as mulheres e é apontado um papel social nessa história.

Continue acompanhando esse texto para entender algumas teorias acerca do assunto e em como isso repercute ainda hoje.

silhuette de bruxa de halloween
Vetor grátis silhuette de bruxa de halloween. Imagem: Freepik

Como surgiu o conceito de bruxaria e como isso reflete hoje

Os conceitos de bruxaria variam de acordo com a realidade sociocultural de cada localidade e de cada época.

Em algumas culturas a bruxaria tem importância na comunidade e está presente na religião local.

Em algumas outras culturas existem diferentes tipos de magia e bruxaria.

As acusações de bruxaria e as penalidades sucedentes também estão extremamente atreladas às determinações religiosas de cada cultura.

É difundida a ideia que um dos motivos para o surgimento da demonização humana fosse a necessidade de culpar alguém pelas diversas mazelas que acometiam as pessoas.

Isso se deve, de certa maneira, a falta de conhecimento científico da época.

A partir da Renascença no século XIV as crenças sociais, especialmente europeias, culminaram em uma perseguição sistematizada.

Entretanto precebe-se uma certa uniformidade na visão de bruxaria independentemente das diferenças geográficas e de tempo.

Por mais que alguns homens fossem acusados de feitiçaria, o perfil traçado como padrão de bruxaria era em sua maioria de mulheres.

Alguns estudiosos apontam que existe uma paridade na genética humana e que isso faz com que tenhamos estruturas mentais bem parecidas.

Essas estruturas mentais podem produzir arquétipos parecidos mesmo que em regiões muito diferentes.

Logo alguns desses arquétipos similares entre o europeu e o não-europeu derivam do colonialismo.

A bruxaria na Europa passou a se diferenciar mais das outras a partir do século XV graças a influência do cristianismo.

Motivos do surgimento da caça às bruxas

Uma teoria muito difundida, através da comunidade médica, é que a caça às bruxas foi resultado de uma doença nervosa que acometeu os camponeses que enlouqueceram na época.

Já os historiadores sociais apontam que a perseguição de pessoas que eram acusadas de bruxaria tinha uma função social.

Algumas estudiosas, como Silvia Federici, defendem que essa função social era a divisão sexual do trabalho. Essa divisão mantinha as mulheres em um estado de subserviência e com o trabalho não remunerado (como o trabalho doméstico e de cuidados).

A divisão sexual do trabalho era um fator mantenedor do sistema capitalista e de divisão desigual de recursos.

A mulher, dentro da história da bruxaria, era aterrorizada para que não tentasse se emancipar e para que mantivesse a estrutura social enraizada.

Falamos de um período em que as mulheres começavam a ser acumuladoras de conhecimento, de praticar profissões que eram consideradas masculinas.

As mulheres foram, na história do ocidente, as primeiras médicas, farmacêuticas e anatomistas.

Isso incomodou a igreja católica e a população masculina pelo fato de que as mulheres começaram a questionar seu lugar de servidão e de dependência.

As mulheres eram acusadas de bruxaria para manter a dominância social.

As inquisições foram baseadas, principalmente, em ódio de gênero e seriam enquadradas como crimes de feminicídio na contemporaneidade.

De acordo com a pesquisadora Blazquez Graf, as mulheres que eram acusadas do crime de bruxaria tinham um trabalho, uma função na sociedade.

Trabalho esse para além do trabalho doméstico que era o designado ao sexo feminino.

Como isso afetava as mulheres na antiguidade

Midelfort, especialista da história do cristianismo na Europa moderna, apontou a misoginia do século XVI.

O especialista acredita que isso se deu porque na época mais mulheres estavam vivendo sozinhas sem o apoio da família patriarcal. Outros estudiosos apontam que esse fenômeno de mulheres que não se casavam estaria diminuindo a população por não reproduzirem.

Com uma diminuição na população, menos força de trabalho estaria em disponibilidade para o sistema.

A forma como as mulheres eram assassinadas no período de caça às bruxas é um outro ponto que chama a atenção de estudiosos.

Elas eram injustamente acusadas de bruxaria e queimadas na fogueira na maioria das culturas ocidentais, uma das experiências de morte consideradas mais dolorosas.

Em 1484, Heinrich Institoris criou o infame Malleus Maleficarum. Um livro que passou a ser quase um código penal e que se tratava de como julgar crimes de bruxaria. Esse livro dizia que as mulheres eram inferiores aos homens e que eram mais propícias a bruxaria do que os homens.

Houve uma desumanização feminina ao final da idade média. As mulheres foram as principais vítimas do fenômeno histórico de caça às bruxas. Hoje em dia, o evento é reconhecido como violência de gênero de estado ou como genocídio feminino.

Leia mais sobre violência de gênero em: O que é violência de gênero e como se manifesta?

Como isso reverbera nos dias de hoje na representação feminina

A partir do século XVII, a caça às bruxas começou a enfraquecer porém algumas autoridades insistiram em continuar com a persecução injusta.

Há muitas sequelas dessa perseguição ainda nos dias de hoje.

De acordo com a ONU, várias mulheres são vítimas de feminicídio todos os anos por acusação de bruxaria ao redor do mundo.

Em 2022, a ONU chegou a estimar cerca de 22 mil mortes em 10 anos por esse motivo. Em São Paulo, no ano de 2014, no Guarujá tivemos o caso da Fabiane Maria de Jesus.

Fabiane sofreu morte por espancamento sob a alegação que praticava bruxaria com crianças.

A violência de gênero e o feminicídio, atualmente, toma outras formas e mais de 300 anos de tolhimento da mulher reverbera na representação feminina na sociedade.

Há uma diferença palpável e mundial no reconhecimento dos direitos humanos concedidos às mulheres e aos homens.

Saiba mais sobre os direitos humanos em: O que são direitos humanos?

Como um exemplo podemos citar o direito ao voto dentro de democracias.

Veja também nosso vídeo sobre os direitos das mulheres!

As mulheres brasileiras só tiveram o direito ao voto em 1932 depois de muita luta.

Antonio Augusto/Secom/TSE.
Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE.

Outro exemplo vemos no campo da medicina que, embora as mulheres sejam as que mais trabalham em hospitais e que tenham sido as primeiras a praticarem essa ciência, são poucas as mulheres em cargos altos nessa área e em várias outras.

Então, em 1975, houve a Conferência Mundial sobre a Mulher que debateu a desigualdade e discriminação feminina no mundo.

Há uma estrutura desenvolvida historicamente que lesa a participação feminina e que tardou muito na conquista de direitos das mulheres.

Ficou curioso(a) sobre a história da bruxaria e quer saber um pouco mais? Nos conte nos comentários.

Referências:

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2 comentários em “Bruxaria e a representação feminina na sociedade”

  1. Muito interessante, importante e pertinente este conteúdo. Obrigado a equipe do Politize por buscar democratizar o acesso a conteúdos como este.

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Conteúdo escrito por:
Da terra do pão de queijo, uai! Graduanda em Ciência Política e falante de politiquês. Amante de todas as ciências e com diversas certificações divertidas.

Bruxaria e a representação feminina na sociedade

19 jul. 2024

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