O que é intolerância?

Se você abrir um dicionário e procurar o significado da palavra “tolerância” uma das definições que encontrará é: “boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas.” A intolerância então, seria o oposto disso, isto é, quando a tolerância não acontece.

Aceitar aquilo que não se quer, ou ouvir com paciência opiniões diferentes das suas, são virtudes necessárias para a convivência em uma sociedade democrática. Porém, de tempos em tempos, vemos o enfraquecimento desses valores, não só no Brasil, mas no mundo todo.

Imagem: Pixabay

intolerância

Intolerância: a dificuldade de conviver com as diferenças

Conviver com as diferenças: você com certeza sabe que essa não é uma tarefa fácil. Somos quase 8 bilhões de indivíduos com opiniões, crenças, valores e contextos diferentes. E é com frequência que escutamos ou lemos sobre relatos de desrespeito e intolerância em razão de opiniões políticas, orientação sexual, religião, nacionalidade, raça, entre outros. Muitas vezes, as manifestações de intolerância resultam em violências. Como exemplo podemos citar uma das maiores tragédias da humanidade: o Holocausto – durante o Nazismo na Alemanha. Naquela ocasião, cerca de 6 milhões de judeus foram mortos.

Motivada pela prevenção de atrocidades como as que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, em 1948, as Nações Unidas aprovaram a Declaração Universal dos Direito Humanos (DUDH). Esse documento define os direitos fundamentais dos seres humanos, sem distinção de cor, sexo, língua, raça, opinião, nacionalidade ou classe social.

A intolerância sempre existiu ou é um fenômeno recente?

A dificuldade em aceitar o diferente não é um fenômeno apenas da nossa época. Não precisamos ir muito longe, basta lembrar que em nosso processo de “colonização” as diferenças entre as populações que aqui viviam e os europeus foram motivos de violência e perseguições. Em seguida, a crença da superioridade racial dos colonizadores foi o que motivou a escravidão dos negros, que durou quase 4 séculos.

Mas se formos ainda mais longe na história, encontraremos exemplos de impérios que se construíram à base de muita violência e de extermínio de populações. Os romanos, por exemplo, impunham a sua cultura sobre outros povos por se considerarem superiores. Na Idade Média, a Igreja Católica perseguiu e puniu aqueles que possuíam uma crença diferente da que pregava.

Intolerância e regimes autoritários

Podemos encontrar diversos exemplos de intolerância extrema em regimes ditatoriais, como foi o caso do Nazismo na Alemanha, do Fascismo na Itália e do Stalinismo na União Soviética. Em todos esses casos houve restrição das liberdades individuais e diversos tipos de violência. É bastante evidente nesses regimes a ideia do ultranacionalismo. O ultranacionalismo é uma corrente de pensamento que valoriza de maneira extrema as características de uma nação. Nesses casos, é muito comum que haja desvalorização e intolerância ao que vem de fora.

Crianças em Auschwitz, campo de concentração nazista.

Foto: Alexander Voronzow

Intolerância no Brasil e no mundo

Segundo dados do Dossiê Intolerâncias visíveis e invisíveis no mundo digital 44% dos casos de assassinatos de homossexuais no mundo acontecem no Brasil. Os casos de xenofobia no país vêm crescendo nos últimos anos. De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos a cada 15 horas há uma denúncia de intolerância religiosa no Brasil.

No mundo, a intolerância tem se mostrado bastante evidente com as complicações geradas por uma das maiores crises migratórias de todos os tempos. Diversos imigrantes – principalmente da África e Oriente Médio – saem de seus países por motivos de guerra, instabilidade econômica e perseguição política. Alguns países têm adotado uma política restritiva para a entrada desses imigrantes, que são entendidos como ameaças por parte da população.

Quais as origens da intolerância?

Mas afinal, por que a sociedade se torna intolerante? De acordo com o Dossiê sobre Intolerância do Guia do Estudante, são três as principais motivações para comportamentos intolerantes. Vamos entender cada um deles?

Intolerância: isolamento e cultura do medo

A dificuldade em aceitar diferenças faz com que se veja uma ameaça naquele que não é um semelhante, o que como consequência gera um isolamento de grupos. Exemplos de situações como essa são o isolamento de minorias historicamente excluídas, como os negros e os índios. Atualmente, devido à crise imigratória, também há casos de isolamento em relação à imigrantes e refugiados, que pelo impacto que podem causar nos países que chegam, passam a ser vistos como inimigos.

Intolerância: individualismo e imediatismo

A coletividade e solidariedade dão lugar ao individualismo. Isso significa que o indivíduo está mais preocupado com as satisfações pessoais do que em pensar no coletivo. O imediatismo, por sua vez, retrata uma sociedade de pessoas que não se interessam em ouvir opiniões divergentes das suas. Ou seja, se há uma crença definida e pouca disposição para entender diferentes pontos de vista, há maiores chances de que comportamentos intolerantes sejam praticados.

Intolerância: as crises políticas e econômicas

As crises, tanto políticas quanto econômicas, costumam fortalecer grupos políticos que defendem comportamentos intolerantes. Isso porque, quando um país enfrenta uma crise, é comum que se busquem culpados – nesses momentos, surgem figuras políticas de posicionamento mais extremo com propostas simples para problemas complexos.

Para ficar mais claro, vamos pegar o próprio exemplo do Holocausto. A Alemanha enfrentava uma situação econômica difícil desde que foi derrotada na Primeira Guerra Mundial. A ideologia Nazista defendia que os judeus eram culpados pela crise e, bom, o final da história você já sabe.

Outro exemplo mais recente é o surgimento de vários partidos de extrema direita na Europa, que defendem o fechamento das fronteiras para evitar a entrada de imigrantes, que são entendidos como uma ameaça à seu padrão de vida, segundo alguns grupos de pessoas. Fenômeno semelhante ocorre nos Estados Unidos, onde se propõe construir um muro para evitar a entrada de imigrantes.

Intolerância e as redes sociais

O crescimento das redes sociais nos últimos anos contribuiu para que comportamentos intolerantes se tornem mais evidentes. Segundo a ONG Safernet, entre 2010 e 2013, as denúncias contra páginas que divulgam conteúdos racistas, xenófobos, misóginos, homofóbicos, neonazistas e de intolerância religiosa, cresceram 200%.

Isso se deve, em primeiro lugar, à velocidade com que as informações circulam na rede. Em questão de minutos, vídeos, textos e imagens, podem ser vistos por milhares de pessoas. Além disso, a rede social permite um certo distanciamento – o que leva a pessoa a dizer coisas que talvez se sentisse constrangida em falar pessoalmente.

As redes sociais também contribuem para a polarização política devido à criação de bolhas virtuais. Bolhas virtuais? Bom, nossas redes sociais não nos mostram todo o conteúdo disponível ou publicado pelos nossos amigos, você sabia disso?  Os próprios mecanismos das redes sociais identificam aquilo que gostamos e evitam nos mostrar conteúdos que não nos interessam. Assim, acabamos nos isolando de opiniões diferentes e fortalecendo os extremismos políticos, que por sua vez fortalecem comportamentos intolerantes.

A busca pela tolerância

Se buscamos viver em uma sociedade saudável e justa, é preciso tomar cuidado com comportamentos intolerantes. Não se pode imaginar que todos terão as mesmas opiniões, crenças, origem ou classe social, a sociedade é diversa e viver em democracia é saber respeitar o diferente, é ter empatia. A história nos mostra que os resultados de movimentos políticos extremos foram prejudiciais à população. Especialmente quando se trata das redes sociais, é preciso atenção. Se por um lado, são ferramenta para nos conectar com amigos, elas podem também fragilizar os laços de uma sociedade.

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Publicado em 04 de maio de 2018.

Talita de Carvalho

Assessora de conteúdo no Politize!, formada em Economia pela UFPR e mestranda em Planejamento Territorial na UDESC. Acredita que pessoas bem informadas constroem uma sociedade mais justa.