Escreva aqui o que você tem interesse em aprender e veremos o que podemos encontrar:

Assine a nossa newsletter

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

Apoie a democracia e receba conteúdos de educação política

Publicado em:

Atualizado em:

Compartilhe

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on reddit

Já vimos em outro de nossos conteúdos que os partidos são uma importante forma de se representar democraticamente o cidadão. Desde o fim da década de setenta, quando o país começou a vivenciar a transição do regime militar para o democrático, os partidos políticos têm ganhado espaço cada vez maior no sistema político brasileiro. Tendo teoricamente a função de representar e canalizar as demandas sociais, eles são indispensáveis ao sistema representativo.

Passados mais de trinta anos desde os primeiros movimentos da transição, o Brasil acaba de ganhar seu trigésimo terceiro partido político, o Partido Novo, e outros tantos aguardam o aval do Tribunal Superior Eleitoral para funcionarem. Por outro lado, juntamente com o crescimento do número de legendas partidárias, aumenta o tamanho da insatisfação popular com os partidos políticos. Você, em algum momento, já se pegou perguntando: “Por que os partidos políticos não me representam?”

Afinal, quais seriam as razões de tanta insatisfação dos representados para com seus representantes? Inúmeros fatores podem responder a essa pergunta. Vamos ver alguns a seguir!

Veja também: para que servem os partidos políticos?

1) O patrimonialismo

Hoje em dia ainda existe uma forte influência do patrimonialismo nas relações político-sociais brasileiras. Mas o que seria esse tal de patrimonialismo? Para Reinhard Bendix, que foi um sociólogo americano, o patrimonialismo ocorre quando o governante utiliza a máquina pública para satisfazer interesses particulares, personalíssimos. Já Sérgio Buarque de Holanda, historiador brasileiro, afirma que o patrimonialismo no Brasil é um traço herdado de sua colonização.  Ele também define membros da elite política brasileira como funcionários patrimoniais cuja gestão é pautada por seus interesses particulares.

Se preferir, ouça nosso episódio de podcast sobre esse assunto!

Listen to “#040 – Nenhum partido nos representa?” on Spreaker.

2) Distância entre eleitos e eleitores

Ao longo da história política brasileira, principalmente após o período militar, verificou-se um aumento significativo do número de partidos no universo político, cujas intenções iniciais eram a de canalizar e representar as demandas sociais. No entanto, o atual modelo representativo faz com que o cidadão, titular do poder, disponha de  pouca ou nenhuma força  – vide as intensas manifestações ocorridas em 2013/14, que resultaram em uma reforma política totalmente diferente das pautas populares. Nesse sentido, Sartori sugere que um dos maiores problemas vividos no universo político representativo consiste na defasagem existente entre a população e as elites no poder.

3) Perda de identidade dos partidos

Outro fato gerador da crise dos partidos políticos pode ser encontrado na constante perda de identidade dos partidos. A ideologia política passou a ser cada vez menos importante, podendo esse movimento ser atribuido a chegada dos partidos às emissoras de tevê. Para o cientista político Bernad Manin, em tempos passados, os partidos apresentavam aos eleitores programas de governo, projetos bem estruturados e se comprometiam a cumprir com as promessas. Nos dias atuais, porém, a preocupação maior gira em torno da construção de uma imagem que possa projetar a personalidade dos líderes.

4) A corrupção

Cabe destacar ainda a corrupção como fator de distanciamento e descrédito da população para com os partidos políticos. Com o recente empoderamento das instituições de controle (Polícia Federal, Ministério Público, Controladorias e outras), e com a produção de leis que visam tornar a gestão de recursos e de políticas públicas mais transparentes, tem trazido à tona volumosos casos de desvio de dinheiro público – em boa medida para a produção e manutenção de um projeto de poder.

Nesse sentido, a atual crise no sistema representativo pode ser entendida se compreendermos que os interesses sociais têm deixado de fazer parte das estratégias políticas dos partidos. Os partidos atuais reforçam a sensação de distanciamento entre representantes e representados, além da perda cada vez maior de um projeto de governo específico e do senso de ideologia. Isso tudo tornando a personificação dos candidatos mais relevante do que a representação dos interesses dos representados.

Gostou? Veja também os 5 principais órgãos de investigação da corrupção no Brasil!

Após ler este conteúdo, a resposta da pergunta “Por que os partidos políticos não me representam?” ficou mais clara? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários!

Referências do texto: confira aqui onde encontramos dados e informações!

  • BENDIX, Reinhard. Max Weber: um perfil intelectual. Trad. Elisabeth Hanna e José Viegas Filho. Brasília: Unb, 1986;
  • BUARQUE DE HOLANDA, Sergio. Raízes do Brasil. 26º. ed. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1995;
  • SARTORI, Giovanni. Eleições e Partidos: Os Partidos. In: Robert Darnton & Oliver Duhamel, (Orgs). Democracia. Rio de Janeiro. Editora Record. 2001. Pg. 181;
  • SILVEIRA, Daniel Barile da. PATRIMONIALISMO E A FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO: UMA RELEITURA DO PENSAMENTO DE SERGIO BUARQUE DE HOLANDA, RAYMUNDO FAORO E OLIVEIRA VIANNA. Disponível em: http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/Daniel%20Barile%20da%20Silveira.pdf. Acesso em 15 de setembro de 2015;
Última atualização em 26 de abril de 2018.

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Passe o mouse e descubra:

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Clique abaixo e descubra:

Orgulhosamente desenvolvido por: