Vacinação infantil: entenda a sua importância com números

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Vacinação infantil. Foto: Daniel Castellano/Divulgação/Prefeitura de Curitiba.
Foto: Daniel Castellano/Divulgação/Prefeitura de Curitiba.

Desde o início da pandemia de Covid-19, o objetivo central para prevenir a população foi a vacinação em massa. Ao longo desse tempo, vimos novas variantes do vírus que restabeleceram a necessidade da imunização para outras faixas etárias. A vacinação infantil gerou debates, plebiscitos e consultas públicas para decidir se a população concordaria em vacinar crianças e adolescentes de 5 a 12 anos

Houve bastantes especulações negativas e desinformadas que resultaram nas dúvidas e receios entre os pais e responsáveis sobre a importância dessa medida, porém, instituições médicas e sanitárias ao redor do mundo reiteram a necessidade da vacinação das crianças e adolescentes. 

Nesse texto, a Politize! destaca os principais pontos em torno desse tema, embasando-se em pesquisas científicas e fatos concretos sobre a vacinação infantil. Serão usados números, dados e estatísticas para auxiliar na compreensão e entendimento dos materiais apresentados. 

Leia também: Combate à pandemia no Brasil em 2 anos de Covid-19

4 critérios principais para a vacinação infantil

Para argumentar sobre a necessidade da vacina para crianças e adolescentes, evidenciamos os 4 aspectos mais importantes levados em conta pelas organizações médicas e sanitárias

  1. A VACINAÇÃO PROTEGERÁ CRIANÇAS E ADOLESCENTES DO VÍRUS 

Muitas pessoas dizem que crianças não adoecem com o vírus, entretanto, na verdade, as crianças e adolescentes compõem uma parcela crescente dos novos casos de Covid-19.

Algumas crianças podem sobreviver com sintomas leves, porém muitas crianças podem ficar seriamente doentes e desenvolver complicações pelo vírus. 

  1. VACINAR CRIANÇAS REDUZ O RISCO DE TRANSMISSÃO 

Crianças a partir de cinco anos até doze anos de idade também podem transmitir o vírus para outras pessoas. Estudos relatam que a gravidade da doença pode ser menor comparada aos adultos, porém a carga viral é igual.

Por isso, a vacinação infantil pode reduzir o risco de transmissão da Covid-19

  1. AS NOVAS VARIANTES SÃO PERIGOSAS PARA CRIANÇAS 

Variantes como a Omicron, DeltaCron, entre outros, podem ser extremamente perigosas para essa faixa-etária.

Pela falta de vacina, as crianças e adolescentes estão desprotegidas perante as mutações do vírus que causam riscos às pessoas ainda não vacinadas. 

  1. A VACINAÇÃO EM CRIANÇAS PROTEGERÁ AS PESSOAS DE RISCO 

As taxas de infecção em crianças e adultos são semelhantes, porém os adultos em grupo de risco podem sofrer mais com a transmissão do que as crianças, portanto, a vacinação deve ser importante não só para crianças, mas também para quem convive com elas

Veja também nosso vídeo sobre obrigatoriedade da vacina!

300 óbitos na faixa etária de 5 a 12 anos no Brasil

Desde o início da pandemia, as crianças e adolescentes fizeram parte das estatísticas de óbitos pelo Covid-19.

Levantamento realizado pelo Instituto Butantan relata que 2.500 crianças de zero a 19 anos, 300 entre 5 a 12 anos, morreram pelo vírus no país. 

No ano de 2020, cerca de 10.365 crianças entre 0 a 11 anos foram diagnosticadas com o vírus, das quais 722 evoluíram para óbito.

Em 2021, o contágio dessa faixa-etária aumentou para 12.921, totalizando 23.277 casos e 1.449 mortes desde o início da pandemia.

O Brasil apresenta o maior número de mortos entre pessoas de cinco a 11 anos de todo o planeta. Nos Estados Unidos, que lideram o ranking de mortes totais de Covid-19, foram cerca de 220 óbitos nessa faixa etária.

Os fatores mais apresentados para o maior risco de mortes entre as crianças e adolescentes brasileiros foram as condições médicas pré-existentes, a região geopolítica e a etnia indígena

Decerto, as crianças e adolescentes que apresentaram o contato com o covid-19 e desenvolveram casos mais leves ou assintomáticos não estão isentos da ocorrência de formas mais graves do vírus.

Por serem menos suscetíveis de desenvolver os sintomas mais graves, precisamos reiterar que o risco não é nulo

5 desinformações desmistificadas sobre a vacinação infantil

Desde o começo do debate em torno da vacinação infantil, ocorreram desinformações compartilhadas, e consequentemente, causaram transtornos sérios em uma parte da opinião pública que passaram a não optar por vacinar suas crianças.

A seguir, iremos desmistificar essas informações errôneas que são desserviços para a sociedade. 

  1. “É mais efetivo a criança ganhar imunidade ao se infectar com o vírus do que ganhar imunidade tomando vacina.”

Ninguém deve tentar se expor a si mesmo ou a outros ao vírus de propósito.

Devemos relembrar que a doença pode resultar em sérias complicações e sequelas graves, podendo levar à morte, enquanto a vacina cria uma resposta ao vírus mais segura sem causar risco ao paciente. 

  1. “O mercúrio das vacinas causam malefícios à saúde.”

Deve-se lembrar que o mercúrio que causa complicações à saúde é o metilmercúrio, encontrado em organismos aquáticos, e o mercúrio usado nas vacinas é o etilmercúrio, que serve para a conservação da vacina e não causa mal algum para a saúde. 

  1. “Se a doença estiver erradicada, a criança não precisa tomar a vacina.”

A vacinação infantil continua sendo necessária mesmo que uma doença seja erradicada no nosso país.

Um bom exemplo é o sarampo que foi erradicado no Brasil e a imunização ainda acontece para as crianças. 

  1. “As crianças não precisam tomar a vacina. O vírus não acometem elas.”

Existe quem acredita que o vírus não irá afetar pessoas dessa faixa etária pelo baixo risco, porém, devemos lembrar que crianças e adolescentes saudáveis também ficaram doentes e vieram a óbito, portanto, a vacinação previne não só as crianças como também as pessoas que as rodeiam

  1. “A vacinação pode causar efeitos na saúde das crianças.” 

A vacinação infantil tem mais benefícios contra o vírus que superam os riscos conhecidos.

A imunização pode proteger seu filho de doenças graves, hospitalizações ou desenvolver complicações a longo prazo.

5 benefícios comprovados da vacinação infantil

Como dito anteriormente, a vacinação tem muitos benefícios para combater e proteger as pessoas do vírus. Citamos alguns para destacar a necessidade da vacinação infantil. 

  1. A VACINA AJUDA QUE AS CRIANÇAS NÃO CONTRAIAM COVID-19 

Ainda que as crianças sejam acometidas menos que os adultos, preveni-las é importante para protegê-las das complicações e do contágio do vírus, além de proteger contra novas variantes e mutações.

  1. A VACINA AJUDA A PROTEGER A COMUNIDADE 

A transmissão de Covid-19 é um quesito que a vacina pode impedir. Um benefício importante que a vacinação entrega é proteger as pessoas a sua volta.

Através da imunidade de rebanho, as pessoas vacinadas dificultam que o vírus se espalhe pelo sistema imunológico reforçado com a dose da vacina. 

  1. A VACINA AJUDA A RESTAURAR A VIDA NORMAL DAS CRIANÇAS 

Todas as pessoas que se vacinam desejam um rápido retorno às suas vidas normais e, a vacina auxilia nesse processo.

As crianças vacinadas têm menos probabilidade de serem infectadas, logo, podem facilitar sua participação em atividades presenciais como a volta à escola. 

  1. A VACINA AJUDA A IMPEDIR O SURGIMENTO DE OUTRAS VARIANTES 

As mutações e variações do vírus são extremamente prejudiciais para as pessoas que não tem o ciclo vacinal completo, especialmente crianças que compõem uma parcela dos novos casos, portanto, a vacina é importante para impedir a criação de novas variantes. 

  1. A VACINA OBTEVE UM RESULTADO SATISFATÓRIO DE IMUNIZAÇÃO 

A vacinação infantil realizada em milhares de crianças apresentou resultados eficazes nessa faixa de idade. Não houve preocupação e os efeitos colaterais foram leves e sem duração nas crianças. 

No que diz respeito a vacinação infantil, criança indígena foi a primeira vacinada contra covid-19 no Brasil. Foto: NELSON ALMEIDA / AFP/AFP.
Criança indígena foi a primeira vacinada contra covid-19 no Brasil. Foto: NELSON ALMEIDA / AFP/AFP.

15 entidades médicas incentivam a vacinação infantil

A vacinação infantil se tornou pauta em debates públicos para decidir se devemos vacinar pessoas dessa faixa etária.

Para endossar a imunização infantil, entidades médicas brasileiras emitiram notas destacando a importância da vacinação infantil.

Associação Médica Brasileira (AMB) salientou a necessidade da imunização e comparou as perspectivas internacionais com a do Brasil.

A imunização é indispensável para reduzir a transmissão, em particular por enfrentarmos uma doença com ciclos inesperados e o surgimento de novas variantes. Vemos agora novas ondas na Europa e nos Estados Unidos, atingindo, proporcionalmente, muito mais crianças e adolescentes do que há dois anos. Faz-se necessária a urgente aquisição das doses pediátricas pelo Ministério da Saúde.” destacou a AMB. 

Diante do tema abranger crianças e adolescentes, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destacou seu apoio a favor da vacinação infantil contra a Covid-19 relatando que “uma alternativa real de controle e prevenção destes desfechos da doença e que está ao alcance dos responsáveis pelas políticas públicas de saúde do nosso país” ressaltou também sobre as mortes de crianças e adolescentes em decorrência do vírus. 

O Brasil se encontra diante de hospitalizações, sequelas e mortes que são passíveis de prevenção em sua grande maioria. Ignorar este fato, minimizar sua importância e afirmar que elas são aceitáveis não são atitudes esperadas das autoridades. A sociedade espera e merece outro tipo de postura e de compromisso com a saúde das crianças e adolescentes do Brasil.” disse a SBP. 

Assim como o Ministério da Saúde, a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid (Secovid), a Câmara Técnica de Assessoramento m Imunização da Covid-19 (CTAI – Covid), e mais 11 entidades médicas e sanitárias apoiaram a vacinação infantil no Brasil.

Vale lembrar que mesmo feita a consulta pública para essa determinada decisão, essas entidades exercem funções em torno desse tema e são autoridades no assunto

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100% de eficácia em crianças e adolescentes

A liberação do uso da vacina da Pfizer-BioNTech em adolescentes de 12 a 17 anos foi apoiada por estudos clínicos. Nos Estados Unidos, os estudos comprovaram a segurança, imunogenicidade e eficácia dessa vacina em pessoas dessa faixa de idade.

A vacina da Pfizer-BioNTech mostrou 100% de eficácia contra SARS-CoV-2 (Covid-19) em crianças de 12 a 15 anos nos resultados preliminares de um estudo de fase III.

Esse estudo feito em 2.260 crianças nos EUA destacou-se por bons resultados para a criação de anticorpos e preencheu os critérios propostos para poder ser utilizado na vacinação de crianças. O Ministério da Saúde aprovou a vacina Pfizer para a vacinação infantil ser realizada no país inteiro. 

A vacina para crianças é segura e eficaz pois passou por uma revisão rigorosa, foi autorizado pelo FDA (Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do Estados Unidos) e recomendado pelo CDC (Órgão de Controle e Prevenção dos Estados Unidos) para crianças com idades entre 5 e 11 anos, após testes completos de segurança em milhares de crianças. 

Por fim, a vacinação infantil é mais que uma prioridade, é um direito importante que reflete o efeito da pandemia ao decorrer dos anos.

Sabendo que o Brasil alcançou o posto do país com a maior incidência dos casos de óbito nessa faixa de idade no mundo, faz-se necessário a imunização contra doenças que possam atingir as crianças.

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Conteúdo escrito por:
Comprometido com o conhecimento, natural do estado do Rio de Janeiro e graduando em Comunicação Social – Relações Públicas pela UERJ.

Vacinação infantil: entenda a sua importância com números

24 jul. 2024

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