3 medidas polêmicas em dezembro de 2017

Entenda o que aconteceu no fim do ano – e que vai se estender para 2018.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) retoma a discussão sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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A BNCC finalmente foi votada (mas sem Ensino Médio), os EUA reconheceram (quase sozinhos) Jerusalém como capital de Israel e Temer continua brigando pela reforma da Previdência (e agora?). Se o Congresso brasileiro já entrou de recesso em dezembro de 2017, está na nossa hora também: confira agora a última Retrospectiva Politize! do ano! Vamos juntos? 😀

1) Reforma da Previdência: candidato, qual é o seu voto?

Fim de ano é aquela coisa: todo mundo corre para entregar o que está atrasado e poder curtir logo as férias (se você não terá férias, receba aqui o nosso abraço virtual). Pertinho do recesso, o Congresso e a Justiça trabalharam a todo vapor. Mas não foi agora que a reforma da Previdência teve um novo rumo! Se no início de novembro o presidente cogitava aprovar uma versão reduzida da proposta, agora já sabemos que as negociações ficarão mesmo para 2018.

Sem ter a quantidade necessária de votos para a aprovação da reforma, a votação foi adiada e agendada para 19 de fevereiro, logo depois do carnaval. Apesar de ser ano eleitoral e, em tese, pouco propício para decisões que mexem com o dia a dia da população, Temer se diz confiante da necessidade dessa reforma para controlar a inflação e afirma que os deputados federais não precisam ter medo de perder votos ao apoiar a reforma. Para ficar por dentro do debate e ter uma opinião (contra, a favor ou o clássico “não sei opinar”), que tal conferir os principais pontos da reforma da Previdência? A gente te explica aqui!

Teste-se: o que pode mudar com a reforma da Previdência?

2) Nem Israel, nem Palestina: Trump define Jerusalém

Parece que 2017 não estava polêmico demais para o presidente estadunidense Donald Trump. Bem no início de dezembro de 2017, décadas de trabalho da política externa dos EUA sofreram uma reviravolta no Oriente Médio: Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, prevendo a instalação de uma embaixada na cidade, o que ainda levará dois anos para acontecer.

Mas por que isso é tão controverso? Por que já gerou fortes protestos? E por que 128 países votaram, na Assembleia Geral da ONU, para que Trump voltasse atrás na decisão? Na verdade, a “decisão” havia sido tomada em 1995 pelo Congresso norte-americano, mas fora eternamente adiada pelos presidentes. Como prometido durante a campanha eleitoral, Trump seguiu essa lei agora. E por quê? Especula-se que para distrair a atenção quanto às investigações da intervenção russa na eleição presidencial e para apoiar grupos evangélicos. Mas vai lá saber o que se passa de verdade na cabeça de Trump!

Enquanto isso, receia-se que o anúncio possa interferir no processo de paz entre palestinos e israelenses, um acordo diplomático que prevê a parte ocidental da cidade como capital de Israel e a oriental, capital de um Estado para os palestinos. Há quem diga que a medida faça parte de uma estratégia para acelerar as negociações de paz. No entanto, a moção contrária da ONU foi celebrada pelos palestinos e as consequências ficam para 2018.

3) BNCC: fim de um capítulo, início de outro na educação

Aprovada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) pelo Conselho Nacional de Educação neste fim de dezembro de 2017, a educação brasileira enfrenta agora o desafio de implementá-la no sistema até as redes municipais. Prevê-se um processo contínuo de revisar a formação de professores, a formulação de livros didáticos e as avaliações pedagógicas até 2020, a fim de diminuir a desigualdade no Ensino Fundamental no Brasil.

Ao longo dos anos, o projeto foi palco de polêmicas quanto à retirada do ensino de educação física, artes, filosofia e sociologia e quanto à entrada do ensino religioso nas escolas públicas e privadas. Um dos próximos passos é a definição por parte dos estados e municípios de o que aproveitar de conceitos e conteúdos inseridos na base. Ou seja, a BNCC informa os direitos de aprendizagem dos alunos, não determina completamente os currículos das redes escolares. Ah, ainda ficou aberta a proposta da BNCC para o Ensino Médio.

Confira abaixo a história do BNCC!

BNCC-numeros

Que tal baixar esse infográfico em alta resolução?

Fique tranquilo(a) que ano que vem tem mais capítulos sobre BNCC, Jerusalém e reforma da Previdência!

Publicado em 22 de dezembro de 2017.

Clarice Ferro

Graduada na Escola de Comunicação da UFRJ e editora de conteúdo no Politize!