Escreva aqui o que você tem interesse em aprender e veremos o que podemos encontrar:

Assine a nossa newsletter

Seus dados estão protegidos de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

Apoie a democracia e receba conteúdos de educação política

Publicado em:

Atualizado em:

Nesse conteúdo, o Politize! em parceria com a Organização Youth Voices Brasil fala sobre a agenda ESG e a perspectivas para a inclusão produtiva das novas gerações.

As recentes movimentações na COP 26 (Reunião anual das 197 Partes que aderiram à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) trouxe à tona uma ampla discussão sobre sustentabilidade, mas que vai muito além da pauta climática – trata-se de um conceito fundamental para entendermos as novas dinâmicas do mundo do trabalho.

O termo sustentabilidade começou a ser discutido na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972 e apareceu, pela primeira vez, no Relatório “Nosso Futuro Comum” (1987). De acordo com o documento, o uso sustentável dos recursos naturais significa  “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a possibilidade das gerações futuras de suprir as suas”.

ESG e Sustentabilidade no mundo dos negócios

Nas décadas que se seguiram, as discussões entre diferentes stakeholders (significa “partes interessadas”) buscaram tornar o conceito de sustentabilidade mais palpável para o público geral. Até que, em 2005, com a realização da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social, reconheceu-se que a sustentabilidade possui três dimensões: social, econômica e ambiental.

No mesmo ano, foi lançado também o relatório “Who Cares Wins”, onde apareceu, pela primeira vez, o termo ESG (Environmental, Social and Governance – ou, em português, ASG, referindo-se à Ambiental, Social e Governança).

O que significa ESG?

Imagem ilustrativa ESG. Imagem: Oré.
Imagem: Oré.
  • (E) Fatores ambientais: tem a ver com o uso de recursos naturais e avaliação de riscos, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, poluição, gestão de resíduos e efluentes.
  • (S) Fatores sociais: relacionados à construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Considera temáticas como privacidade e proteção de dados, respeito à diversidade, iniciativas de acessibilidade e eliminação dos preconceitos na construção de políticas e relações de trabalho.
  • (G) Fatores de governança: diz respeito à existência de estruturas de segurança, controle da corrupção e de comitês de auditoria e fiscal, além de canais e práticas para assegurar a ética e transparência. 

A relação entre ESG e ODS

É comum que quem já teve um pouco de contato com a temática de sustentabilidade possa pensar em ESG como sinônimo de Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Apesar de não serem equivalentes, podem ser complementares.

Os ODS, que integram a Agenda 2030 da ONU, “são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade”.

Nesse sentido, pode-se dizer que as práticas ESG contribuem para a implementação dos ODS na medida em que o tratamento de questões como ética, pegada ambiental e direitos humanos são integrados às decisões e estratégias de governança no mundo dos negócios.

Os ODS, por sua vez, podem servir como diretrizes de atuação empresarial bem como instrumentos para avaliação do nível de comprometimento com as práticas ESG.

ESG e ODS. Imagem: Perfil do O Beabá da Sustentabilidade no Twitter (@DaBeaba)
Imagem: Perfil do O Beabá da Sustentabilidade no Twitter (@DaBeaba)

ESG: A demanda das novas gerações

Portanto, falar em ESG significa pensar como o mundo corporativo pode impactar positivamente os demais segmentos da sociedade. A adoção desses critérios tem sido primordial na forma como as novas gerações tomam decisões, a exemplo das mobilizações globais geradas por ativistas como Malala Yousafzai, Greta Thunberg e Eduardo Lyra.

Uma pesquisa global da Nielsen realizada em 2017 revelou que 81% dos consumidores acreditam fortemente que as empresas devem ajudar a melhorar o meio ambiente e que mais de 60% estão muito ou extremamente preocupados com as consequências da poluição ambiental. As gerações Y e Z – as mais impactadas pelo acesso à informação no mundo digital – têm se mostrado mais receptivas a essas questões, buscando não apenas consumir de maneira mais consciente, como também incorporar tais valores durante a escolha de vagas de emprego.

Afinal, como ESG tem moldado o mercado de trabalho?

A mudança de paradigma, além da pressão externa, é fruto de um movimento que parte de dentro do mundo corporativo. Cada vez mais fica evidente que o cumprimento de obrigações socioambientais é um requisito para a manutenção de negócios a longo prazo.

Mais retorno e mais investimento

As tendências de mercado apontam que as empresas que sobreviverão no futuro não são aquelas que apenas geram lucro, mas as que são capazes de gerar lucro com propósito. Uma análise de 2.000 estudos publicados a respeito do assunto desde 1970 revelou que 63% aponta uma correlação positiva entre a adoção de critérios ESG e retorno, enquanto 10% tem opinião oposta e 27% não encontraram relação entre ambos os fatores.

Além disso, a pesquisa New Lens for Strategy (em tradução livre, “Impacto Social Total: Um Novo Olhar para a Estratégia”), elaborada pela Boston Consulting Group (BCG), mostra que práticas de ESG levam a resultados financeiros 3% a 19% melhores. Por isso, a adoção de práticas ESG se tornou um indicador de geração de retorno acima do mercado nos últimos anos, o que tem sido crucial na alocação de recursos por parte dos investidores.

Por que inclusão e diversidade importam?

O processo de escolha para se investir em negócios ESG está diretamente ligado à inovação empreendedora, o que, no Brasil, logo direciona nosso olhar para as periferias. O potencial das ideias nascidas nessas localidades reside na capacidade de transformar cenários de escassez a partir de soluções criativas e de resistência.

Por razões estruturais, o fomento a essas iniciativas pode levar ao desenvolvimento de modelos de negócio capazes de gerar respostas em larga escala para problemas sociais complexos e de incluir os segmentos populacionais mais vulneráveis em suas cadeias de valor.

O impacto social, entretanto, não se restringe a essa esfera. Quando olhamos para as grandes companhias, a sensibilização dos setores de recursos humanos quanto à importância da diversidade gera repercussões tanto para as empresas quanto para a sociedade como um todo. Uma pesquisa realizada pelo The Wall Street Journal’s com as companhias S&P 500 revelou que os times que apresentam um “mix de diversidade” – idade, gênero, etnia, raça, orientação sexual, origem cultural, experiência profissional – são os mais produtivos de todos. Outro estudo da BCG aponta ainda que a diversidade acima da média produz níveis elevados de inovação em comparação a ambientes homogêneos.

Nesse sentido, as estratégias baseadas em ESG permitem combinar melhora nos resultados financeiros a benefícios sociais, permitindo que pessoas de diferentes origens possam atingir o sucesso. Levando-se em conta que o atual índice de desigualdade do Brasil é um dos maiores da história – 1% mais rico da população concentra 49,6% de toda a riqueza do país – as empresas têm diante de si a possibilidade de exercer o papel para o qual, em sua essência, foram criadas: melhorar a sociedade.

A agenda política de engajamento: Lei da aprendizagem

Governos ao redor do mundo já estabeleceram diversas metas relacionadas às questões ESG. No Brasil, um exemplo é a Lei n° 10097/2000 (Lei do Aprendiz) que incentiva a empregabilidade jovem. É previsto que, em todas as empresas de médio e grande porte, entre 5% e 15% do quadro de funcionários deve ser composto por aprendizes, adolescentes e jovens de 14 a 24 anos. Já para as empresas menores, a contratação é facultativa. Em ambos os casos, o cumprimento da lei pode ser muito vantajoso.

Por não possuírem ocupações anteriores, os aprendizes apresentam maior facilidade de se adaptar à cultura organizacional e desenvolver um perfil mais focado nas necessidades da empresa. Esta, por sua vez, pode aumentar o alcance de suas ações de responsabilidade social, auxiliando no combate ao trabalho irregular e na geração de renda para jovens em situação de desamparo.

Fugindo da falácia da “lavagem verde”

Greenwashing, ou lavagem verde, é como se denomina o comportamento de empresas que buscam transmitir uma imagem de responsabilidade social sem mudar, de fato, a forma de conduzir os negócios. Um relatório da PwC Brasil que analisou 78 companhias listadas na bolsa de valores demonstrou que 67 delas emitiram relatórios com métricas de sustentabilidade, mas que a maioria deles (43%) não foi verificado, ou seja, não existe um comprometimento com a veracidade dos dados.

Somado ao vácuo da legislação brasileira, que prevê normas para a manutenção de um ambiente ecologicamente sustentável, mas carece de medidas de efetivação, esse cenário aponta para a necessidade de ampliação do número de profissionais capacitados em ESG.

Profissionais ESG estão em falta

A demanda por analistas, estrategistas e outros especialistas em questões ambientais, sociais e de governança nunca foi tão alta, o que pode ser um caminho a se considerar para os quase 20 milhões de jovens desempregados do país.

A batalha por talentos ESG está ocorrendo em todos os níveis. Nas posições de nível básico, em geral ocupadas por jovens profissionais, espera-se competências numéricas e de filtragem de informações sobre compromissos, práticas e desempenho das empresas ESG.

Há também os cargos que envolvem tarefas e responsabilidades de ordem superior, que abrangem análise de dados e construção de produtos sustentáveis, com rigor intelectual e analítico, além de credenciais elevadas. A expectativa das empresas, a partir disso, é possuir um aparato para orientar e garantir que o discurso sustentável seja realmente implementado.

Qual é o perfil do profissional de sustentabilidade no Brasil?

Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps) em parceria com a consultoria Delloite, a formação dos profissionais de sustentabilidade é abrangente. Encontram-se desde formações específicas como gestão ambiental a áreas menos relacionadas ao tema, como administração e design de produtos.

O ponto comum é o alto nível de escolaridade, já que 75% são pós-graduados na área e mais de 40% possuem algum curso de especialização na área. Geralmente, esses profissionais ficam alocados nos departamentos de sustentabilidade, relações institucionais, comunicação ou marketing. Em relação às atividades desempenhadas, destacam-se a minimização de impactos internos da cadeia produtiva; a promoção de treinamento de colaboradores e criação de indicadores de desempenho em sustentabilidade.

Imagem ilustrativa ESG. Perfil do profissional de sustentabilidade por formação. Imagem: Pesquisa da Abraps e Delloite.
Perfil do profissional de sustentabilidade por formação.
Imagem: Pesquisa da Abraps e Delloite.

Dicas práticas para uma carreira em sustentabilidade

  1. Esteja antenado: acompanhe notícias relevantes do Brasil e do mundo sobre meio ambiente e direitos humanos. Isso pode servir como norte para atribuir uma função social à sua profissão ou delimitar seu escopo de atuação. Com qual problema você mais se importa? Como determinada inovação poderia ser escalada nas empresas? Como você poderia contribuir independentemente da sua formação?
  2. Se você nunca teve nenhum tipo de experiência na área, pode começar se engajando em projetos em sua instituição de ensino, confira no Guia Agenda 2030 exemplos de iniciativas universitárias sustentáveis em todo o Brasil. Outra opção é começar pelo terceiro setor, apoiando o trabalho de organizações que trabalhem com a sua pauta de interesse. No site do GT Agenda 2030, é possível encontrar alguns exemplos.
  3. Invista no desenvolvimento de soft skills, como pensamento crítico e inteligência emocional. Recrutadores consideram que são habilidades que não podem ser facilmente ensinadas no curto prazo. Demandam agilidade de pensamento e conforto em lidar com ideias paradoxais ou simplesmente não ter a resposta imediata para um problema. Em suma, ser capaz de lidar com desafios e acompanhar a velocidade das transformações de uma determinada indústria. 
  4. Caso já tenha certeza de que deseja trabalhar nesse setor, é recomendável buscar uma especialização: apesar da pequena oferta, o Brasil tem opções de cursos e programas de extensão voltados aos critérios ESG. Alguns exemplos são os cursos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVces), o curso ESG: do Discurso à Prática para Gerar Impacto, da Gera Social, o MBA em compliance e governança da FACE-UnB (Universidade de Brasília) e o curso Gestão ESG: Sustentabilidade e Negócios, do Insper.
  5. Você tem paixão? Não mensurável a ponto de parecer clichê, mas talvez o elemento mais importante. O trabalho com sustentabilidade nasce a partir de um sistema de crenças em que alcançar um mundo melhor é possível. Mais do que habilidades técnicas, é uma ocupação intimamente ligada a valores.

E aí, você entendeu bem o que significa ESG? Conta para nós a sua opinião ou dúvida nos comentários!

Referências:

Você já conhece o nosso canal do Youtube?

Isabelle Santos

Isabelle é graduanda em Ciência Política na UnB e estagiária em relações públicas no Senado Federal. Atuou na promoção da Agenda 2030 em iniciativas como o voluntariado no Engajamundo, a coordenação do Projeto Selo ODS IES e o Global Youth Forum. Entusiasta de inovação, já participou de pesquisas, competições e atividades de lobby na área de tecnologia. Atualmente, é Head de Advocacy no Youth Voices Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

últimos vídeos:

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Passe o mouse e descubra:

Nossa sede é em Florianópolis, mas estamos em muitos lugares!
Clique abaixo e descubra:

Orgulhosamente desenvolvido por: