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O que esperar das eleições municipais 2016

As eleições estão chegando. Ao que tudo indica, este não será o evento do ano na política (afinal, o impeachment roubou a cena), mas ainda assim é um dos pontos altos da nossa democracia, um momento em que nós, eleitores, podemos exercer o papel de protagonistas. Afinal, a escolha está em nossas mãos.

Mas as condições sob as quais as campanhas e as eleições de prefeitos e vereadores deste ano acontecerão serão um pouco diferentes do habitual. Veja como alguns fatores que pouco têm a ver com os municípios podem afetar a forma como se desenrolarão essas eleições:

Campanha mais curta

Por conta da reforma eleitoral feita em 2015, teremos apenas 45 dias de campanha, ao invés dos tradicionais 90 dias. Assim, os candidatos terão menos tempo para angariar votos e eleitores terão ainda menos tempo para definir suas escolhas.

O período de propaganda eleitoral também fica menor e com formato diferente. Haverá menos tempo para o horário eleitoral gratuito (aquele bloco de propaganda interminável, com centenas de candidatos tentando conquistar você em poucos minutos ou segundos), e haverá mais inserções curtas ao longo da programação. Ou seja, os candidatos terão menos exposição na TV.

Por isso, a criatividade será necessária, para que candidatos encontrem meios de atingir o grande público. Nesse sentido, uma presença efetiva nas redes sociais pode fazer diferença (em outro post mostramos como o marketing digital pode fazer toda a diferença na campanha deste ano). E tem mais um agravante:

Sem dinheiro das empresas, caixa 2 à vista

Além disso, um ponto-chave da campanha será a proibição do financiamento empresarial. Essa medida significa automaticamente muito menos dinheiro disponível, já que as doações de empresas representam a maior fatia do financiamento nas campanhas eleitorais brasileiras.

O que isso implica? Os partidos podem fazer milagre, fazendo mais com menos, ou então incorrer em ilegalidades, fortalecendo o caixa 2. Como impedir que dinheiro sujo tome conta de vez das campanhas? Precisamos observar se os órgãos de fiscalização estão preparados para reforçar o monitoramento nessas eleições.

Os candidatos: mais do mesmo?

Apesar de um cenário político profundamente conturbado, com grandes mudanças nos mais altos cargos do nosso país, a tendência é que os mesmos candidatos e partidos continuem a dominar a cena nos municípios neste ano. E com a campanha mais curta, os nomes mais conhecidos têm uma vantagem a mais sobre os desconhecidos: o pouco tempo que estes têm para se apresentar ao eleitor.

Como o eleitor reagirá à falta de opções?

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Com os mesmos partidos e candidatos dominando a cena, e menos tempo para candidatos novos e desconhecidos se destacarem, como o eleitor fará sua escolha? É bem possível que ele responda com voto nulo ou em branco, ou que nem compareça às urnas. Maior taxa de abstenção e menor proporção de votos válidos são possibilidades reais. Evidentemente, essa não é a melhor resposta – e você não a adotará, certo? Acreditamos que é possível fazer um voto consciente sempre, mesmo nas circunstâncias atuais.

Influência do cenário nacional na disputa municipal

As eleições de alguns municípios tendem a ser nacionalizadas. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Fernando Haddad, do PT, deve encontrar muita dificuldade para conseguir a reeleição justamente porque o PT – partido que esteve na presidência do país nos últimos 13 anos – alcançou um nível de rejeição muito alto entre os eleitores paulistanos.

É bem possível que o foco das campanhas passe dos problemas locais para os problemas nacionais. O ideal seria que as eleições municipais fossem voltadas para discutir problemas próprios dos municípios e cidades. Não se esqueça de fazer essa reflexão! Quem são os candidatos do meu município? O que eles representam? O que eles querem mudar na minha cidade?

Atenções divididas: olimpíadas, impeachment e Lava Jato

Ao longo dos 45 dias de campanha, os candidatos terão de disputar a atenção do eleitor com eventos importantes. Primeiro, as Olimpíadas do Rio, no meio de agosto. Depois, os trâmites finais do processo de impeachment da presidente. Por fim, ainda é possível que as delações de empresas para a operação Lava Jato aconteçam entre setembro e outubro.

Com tantos eventos importantes, será que as campanhas não ficarão esquecidas? Uma recomendação: não se distraia! Faça seu papel e continue de olho nos candidatos a prefeito e vereador de seu município. Acompanhar o Politize é uma ótima forma de se manter atualizado.

Menos reeleições? A economia explica

Com a economia brasileira em crise, é bem possível que menos prefeitos se reelejam. As cidades estão sentindo os efeitos de recessão, inflação e desemprego altos. Isso se reflete em uma menor aprovação dos gestores dos municípios, que também estão sentindo o período de vacas magras.

Em 2012, quando as coisas ainda estavam calmas e a economia apresentava bons resultados, houve uma taxa de reeleição de 70% entre os prefeitos que concorriam ao segundo mandato. Com o cenário de crise que se instalou, é provável que essa proporção de reeleitos diminua.

Como fazer um bom voto?

Campanha menor, distrações, falta de opções… Como o eleitor deve se portar diante desse quadro? Recomendamos que você avalie o trabalho da sua prefeitura e descubra as propostas dos candidatos. Não se prenda apenas ao cenário nacional, afinal você estará escolhendo os gestores que cuidarão dos problemas locais nos próximos quatro anos.

Resumindo: não negligencie seu voto. E acompanhe o Politize! para tirar todas as suas dúvidas e votar consciente!

Quer saber mais sobre as eleições? Então acesse a nossa trilha de conteúdos!

Publicado em 16 de agosto de 2016.

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Bruno André Blume

Bacharel em Relações Internacionais e editor de conteúdo do Politize!.