O Congresso Nacional é o centro do Poder Legislativo brasileiro e tem um papel importante na democracia.
É nele que se elaboram as leis, se fiscaliza a atuação do Poder Executivo e se decidem temas centrais para a vida política, econômica e social do país.
Conhecer o funcionamento do Congresso ajuda o cidadão a compreender melhor a política, acompanhar as decisões que afetam a sociedade e exercer sua cidadania de forma consciente.
- O que é o Congresso Nacional?
- Como é a estrutura do Congresso Nacional?
- Como funciona o processo legislativo?
- Comissões no Congresso Nacional
- Comissões Permanentes
- Comissões Temporárias
- Comissão Especial
- Comissão Mista
- Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI’s)
- Papel das lideranças e dos partidos
- Processo de fiscalização
- Função de fiscalizar o Executivo e o Judiciário
- Função de administrar
- Função de julgar
- Como as decisões são tomadas?
- Desafios e reflexões sobre o Congresso Nacional
O que é o Congresso Nacional?
O Congresso Nacional é o órgão máximo do Poder Legislativo da União.
Ele representa o povo brasileiro e os Estados, sendo responsável principalmente por criar, alterar e revogar leis, além de fiscalizar os atos do Poder Executivo.

Saiba mais: Atribuições do Congresso Nacional
Como é a estrutura do Congresso Nacional?
O Congresso Nacional é bicameral, isto é, formado por duas Casas legislativas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Câmara dos Deputados
Representa o povo brasileiro. Seus deputados são eleitos de forma proporcional à população de cada Estado e do Distrito Federal, para mandatos de quatro anos.
A principal função da Câmara dos Deputados é propor, discutir e votar leis.
Senado Federal
Representa os Estados e o Distrito Federal de forma igualitária. Cada unidade da federação elege três senadores, com mandato de oito anos.
Funciona como casa revisora de leis, aprova indicações de autoridades (Ministros do STF, embaixadores, Procurador-Geral), julga o Presidente da República em crimes de responsabilidade e fixa limites da dívida pública.
Além desses dois órgãos, o Congresso Nacional possui outras estruturas que o auxiliam em suas atividades, dentre as que merecem destaque:
- Comissões: que são grupos formados por deputados e senadores que tem por função estudar e discutir projetos de lei, propor alterações e emitir pareceres, e;
- Mesa Diretora: que é o órgão responsável pela direção dos trabalhos do Congresso Nacional e das casas legislativas. É composta por deputados e senadores eleitos pelos membros de cada casa legislativa com mandatos de 2 anos.
As duas Casas funcionam de forma independente, ou seja, as sessões são bicamerais, que são aquelas que ocorrem em cada Casa do Congresso Nacional, separadamente, sendo essa a regra no sistema brasileiro.
Contudo, há situações excepcionais em que as deliberações são feitas conjuntamente pelos Deputados e Senadores, como ocorre na análise das matérias:
- Orçamentárias;
- Deliberar sobre vetos presidenciais;
- Examinar as contas do Presidente da República;
- Promulgar emendas à Constituição;
- Autorizar referendos e convocar plebiscitos;
- Elaborar e aprovar o regimento comum sobre o funcionamento das sessões conjuntas e procedimentos legislativos nessas hipóteses, entre outros casos específicos previstos na Constituição.
Portanto, o Poder Legislativo atua de forma deliberativa, fiscalizatória e normativa.
Como funciona o processo legislativo?
O processo legislativo no Congresso envolve várias etapas, tais como:
- Iniciativa: apresentação do projeto de lei, que pode ser feita por parlamentares, pelo Presidente da República, pelo Supremo Tribunal Federal, por tribunais superiores, pelo Procurador-Geral da República ou pela própria sociedade (iniciativa popular).
- Discussão e votação: o projeto é analisado pelas comissões e depois votado no plenário da Câmara e do Senado.
- Sanção ou veto: após aprovação no Congresso Nacional, o texto é enviado ao Presidente da República, que pode sancionar (aprovar) ou vetar (total ou parcialmente).
- Promulgação e publicação: com a sanção ou a derrubada do veto, a lei é promulgada e publicada, passando a valer.
Saiba mais: Como são feitas as Leis
Comissões no Congresso Nacional
As comissões são órgãos internos, especializados e técnicos formados por parlamentares e têm a função de estudar, discutir e emitir pareceres sobre projetos de leis. Elas podem ser:
Comissões Permanentes
Atuam de forma contínua, como as comissões de Constituição e Justiça, Educação, Saúde e Economia.
Aqui, os projetos de leis são discutidos e votados com a dispensa de apreciação do Plenário do Congresso Nacional, que é o órgão de deliberação máxima de cada uma das Casas Legislativas.
No entanto, 1/10 dos membros da Casa Legislativa correspondente, poderão provocar a atuação do Plenário, por meio de recurso, a fim de que o projeto de lei seja apreciado pelo órgão do Plenário.
Comissões Temporárias
Criadas para tratar de temas específicos e por prazo certo, como comissões especiais ou Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).
Comissão Especial
É criada com o objetivo de analisar e dar parecer sobre projetos de leis que seja de sua competência, como por exemplo, projetos de lei complementar ou de lei ordinária.
O funcionamento desta comissão é temporário e específico para cada projeto de lei em tramitação.
Comissão Mista
É composta por deputados e senadores e tem por finalidade examinar questões de interesse comum entre as duas Casas Legislativas, funcionando como um órgão técnico de estudos e debates.
Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPI’s)
São comissões temporárias criadas por cada uma das casas do Congresso Nacional ou de forma mista, que exercem a função típica do Legislativo de fiscalização dos atos do Poder Público por estarem investidas de poderes especiais de investigação.
As comissões podem aprovar, rejeitar ou propor alterações aos projetos antes que eles cheguem ao plenário da Casa Legislativa.
Criação da Comissão Parlamentar de Inquérito
Como já vimos, a CPI pode ser criada por qualquer Casa Parlamentar, Câmara dos Deputados ou Senado Federal, ou de forma mista.
Porém, sua criação depende do preenchimento de certos requisitos:
- Requerimento de 1/3 dos membros da Casa Legislativa, se for criada de forma mista, será 1/3 de cada Casa Legislativa;
- Indicação de fato determinado a ser objeto da investigação;
- Fixação de prazo determinado para a conclusão dos trabalhos.
A Constituição Federal confere à Comissão Parlamentar de Inquérito poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, os quais são limitados nos âmbitos da União (Congresso Nacional) e Estadual (Assembleia Legislativa).
Dentre os poderes investigatórios, destacam-se: quebra de sigilo bancário; do sigilo fiscal; do sigilo dos dados telefônicos e decretação de prisão em flagrante.
Encerradas as atividades investigativas na respectiva comissão, é elaborado um relatório das atividades realizadas que será encaminhado à Mesa da Casa Legislativa para ciência, bem como para outros órgãos de controle, como o Ministério Público, Poder Executivo, Tribunal de Contas, entre outros.
Saiba mais: Comissão Parlamentar de Inquérito
Papel das lideranças e dos partidos
Os partidos políticos organizam a atuação dos parlamentares dentro do Congresso. Cada partido possui líderes, que representam a bancada nas negociações políticas.
As lideranças partidárias têm funções importantes, como:
- Orientar o voto dos parlamentares;
- Participar do colégio de líderes, que define a pauta de votações;
- Indicar membros para as comissões;
- Articular acordos e consensos entre os partidos.
Essas funções tornam as lideranças e os partidos peças centrais para o funcionamento do Congresso, garantindo organização e coordenação das votações.
Ao mesmo tempo, elas mostram como negociações internas e articulações políticas influenciam diretamente as decisões que afetam toda a sociedade.
Processo de fiscalização
Além de legislar, o Congresso exerce uma forte função de fiscalização sobre os atos do Poder Executivo.
Essa fiscalização ocorre através de mecanismos constitucionais de controle, incluindo:
- Convocação de ministros de Estado para prestar esclarecimentos;
- Pedidos de informação oficiais;
- Audiências públicas;
- Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs);
- Análise das contas do Presidente da República, com auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU);
- Processo de Impeachment, em que a Câmara dos Deputados pode autorizar o processo contra o Presidente da República.
Esses instrumentos permitem ao Congresso acompanhar de perto as ações do Executivo, garantindo que políticas públicas sejam implementadas de acordo com a lei e com os interesses da sociedade.
Dessa forma, a fiscalização é um pilar essencial para a transparência, a responsabilidade e o equilíbrio entre os poderes.
Função de fiscalizar o Executivo e o Judiciário
Além de legislar, o Congresso Nacional fiscaliza o Poder Executivo, acompanhando a formulação e a execução das políticas públicas, garantindo que as ações do governo estejam em conformidade com a lei, o orçamento aprovado e o interesse público.
Essa fiscalização ocorre por meio de convocações, pedidos de informação, audiências públicas, Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), análise de contas públicas e processos de impeachment.
Em relação ao Poder Judiciário, a atuação fiscalizatória do Congresso ocorre de forma mais indireta e limitada, em respeito ao princípio da separação e da independência entre os Poderes.
Essa fiscalização se dá, principalmente, por meio da sabatina e aprovação de autoridades indicadas para cargos nos tribunais superiores, do controle e aprovação do orçamento do Judiciário e do acompanhamento da execução desses recursos.
Além disso, em situações excepcionais previstas na Constituição, o Congresso pode instaurar processos de responsabilização, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Esses mecanismos não visam interferir na função jurisdicional, mas assegurar a legalidade, a transparência e a responsabilidade institucional do Poder Judiciário.
Função de administrar
Embora o Congresso Nacional não exerça administração pública direta como o Poder Executivo, ele possui importantes funções administrativas internas que garantem seu funcionamento autônomo e contínuo.
Entre essas funções, destacam-se:
- Gestão do orçamento próprio: o Congresso Nacional elabora e administra seu próprio orçamento, destinado à manutenção das atividades legislativas, serviços internos, pagamento de servidores e funcionamento das Casas legislativas.
- Organização dos serviços internos: inclui planejamento e execução das atividades legislativas, controle de sessões, tramitação de projetos, atendimento a parlamentares e ao público, e manutenção de sistemas de tecnologia e informação.
- Administração de pessoal e estrutura física: envolve a gestão de servidores, contratação e capacitação, além da manutenção de prédios, plenários, gabinetes e demais instalações do Congresso.
Essas atividades permitem que ele funcione de forma independente, sem depender exclusivamente de recursos ou da gestão do Poder Executivo, garantindo a separação e o equilíbrio entre os Poderes.
Função de julgar
O Congresso também desempenha, em situações específicas, a função de julgamento, prevista na Constituição.
O exemplo mais conhecido é o processo de impeachment, em que a Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo, avaliando se existem fundamentos suficientes para que a acusação prossiga.
Nesse caso, o Senado Federal atuará como órgão julgador, conduzindo o julgamento propriamente dito.
Nos casos de impeachment de autoridades como o Presidente da República, o processo é presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, garantindo imparcialidade e segurança jurídica.
Além do impeachment presidencial, o Congresso Nacional também pode julgar ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades em situações excepcionais previstas na Constituição, sempre com o objetivo de proteger a legalidade e a responsabilidade institucional.
Como as decisões são tomadas?
As decisões no Congresso são, em regra, tomadas por votação, seja em plenário ou em comissões.
O tipo de votação e a maioria necessária dependem da natureza do tema em discussão, seguindo regras estabelecidas pela Constituição Federal.

Tipos de quórum exigidos
- Maioria simples: é a maioria de votos favoráveis dos parlamentares presentes. É utilizada em matérias comuns do dia a dia legislativo.
- Maioria absoluta: exige mais da metade do total de parlamentares, independentemente de quantos estejam presentes. É exigido para decisões mais importantes, como a abertura de processos de impeachment.
- Maioria qualificada: exige um quórum elevado, como três quintos dos votos, exigida para aprovação de emendas constitucionais.
Compreender os diferentes tipos de quórum e votações ajuda a entender como as decisões são tomadas no Congresso Nacional e como a participação de cada parlamentar impacta diretamente o resultado das leis que afetam a sociedade.
Formas de votação
As votações podem ocorrer de três maneiras:
- Simbólica: quando o resultado é registrado sem detalhar individualmente o voto de cada parlamentar.
- Nominal: cada parlamentar registra seu voto, permitindo transparência e responsabilização.
- Eletrônica: feita por meio de sistemas tecnológicos, com registro rápido e confiável dos votos.
As diferentes formas de votação permitem registrar os votos de maneira organizada e confiável, garantindo que cada decisão seja contabilizada de forma transparente e que os parlamentares possam ser responsabilizados por suas escolhas.
Influências sobre as decisões
Além das regras formais, as decisões refletem negociações políticas, orientações partidárias e a correlação de forças entre os grupos representados no Parlamento.
Isso significa que, muitas vezes, a aprovação de uma proposta depende de acordos e consensos internos, alianças partidárias e estratégias de articulação política.
Assim, entender como as decisões são tomadas no Congresso Nacional ajuda o cidadão a perceber por que algumas leis avançam rapidamente, enquanto outras enfrentam longos debates ou bloqueios, e como a política impacta diretamente a vida da sociedade.
Saiba mais: Lideranças do Congresso Nacional
Desafios e reflexões sobre o Congresso Nacional
O Congresso Nacional é essencial para a democracia, mas enfrenta desafios que podem afetar sua capacidade de representar a população e produzir leis.
Um dos principais problemas é a distância entre representantes e cidadãos.
O sistema proporcional (em que o voto é dado à legenda ou ao partido, e não diretamente ao candidato) usado para eleger deputados federais, junto com o grande número de partidos, dificulta saber quem responde por cada decisão.
A dinâmica de poder interna, controlada pelas lideranças partidárias, organiza as votações, mas pode limitar debates e a participação de parlamentares que não ocupam cargos de liderança.
O uso estratégico do processo legislativo, como votações rápidas e medidas provisórias frequentes, também pode reduzir a transparência e a profundidade das discussões.
Apesar desses desafios, o Congresso possui ferramentas de fiscalização, como Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e análise de contas públicas. Muitos desses problemas, porém, refletem características comuns a democracias plurais, que dependem de negociação e consenso.
O Congresso Nacional, portanto, é um espaço central da democracia brasileira, onde diferentes interesses da sociedade são debatidos e transformados em decisões políticas, impactando diretamente a sociedade.
Agora que você conhece a estrutura, o processo legislativo, as funções de fiscalização, administração e julgamento, e os desafios que a instituição enfrenta, é hora de acompanhar de perto a política.
Saber como as leis são criadas e como as decisões impactam a sociedade ajuda você a cobrar representantes e exercer a cidadania de forma consciente.
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Referências
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
- Portal oficial do Congresso Nacional
- Biblioteca Digital do Senado Federal
- Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados
- Brasil Escola – Explicação didática sobre Congresso Nacional
- Bancadas temáticas: o que são e como agem no Congresso Nacional?
- O protagonismo do Congresso Nacional na aprovação de leis no Brasil