O crescimento da extrema direita na Europa

A criação da União Europeia, em 1993, estava baseada nos princípios de cooperação, não discriminação, solidariedade e democracia. Hoje esses valores estão sendo questionados por alguns movimentos e partidos de extrema direita na Europa, que, motivados por insatisfações da população, retomam discursos nacionalistas, de controle das fronteiras e de protecionismo econômico.

Neste texto o Politize! vai te explicar sobre as origens desse fenômeno e o que defendem esses grupos.

Refugiados em Paris. Imagem: Fotos Públicas

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O que é a extrema direita?

A extrema direita está relacionada a posicionamentos extremistas em relação aos costumes, aos imigrantes e à ideia de nação. Justificam muitas vezes sua crença nas ameaças que vêm do “outro”, como é o caso dos movimentos que são contrários à entrada de imigrantes e refugiados – principalmente nos países da Europa e nos Estados Unidos.

Para saber mais: o que é extrema direita?

A ascensão da extrema direita na Europa

Em 2017 aconteceram eleições presidenciais para países chave da União Europeia, como a França, a Alemanha e a Holanda. Nesses três países, os partidos de extrema direita foram derrotados, mas tiveram nítido crescimento em relação aos anos anteriores. Marine Le Pen, a candidata à presidência da França que ficou em segundo lugar, faz parte de um movimento anti-União Europeia. Na Alemanha, o partido Alternativa para Alemanha tornou-se a terceira maior força política no parlamento alemão. E, na Holanda, o Partido para a Liberdade ficou em segundo lugar no pleito.

Além dos países chave, em outros países da União Europeia também observam-se fenômenos semelhantes. Polônia e Hungria, por exemplo, são países cujos governos são considerados de ultradireita; e na Grécia, o partido Aurora Dourada é avaliado por especialistas como neonazista.

Quais as causas da ascensão da extrema direita na Europa?

As duas principais causas para o crescimento desse fenômeno na Europa são: a crise econômica enfrentada pelo continente e o aumento da imigração devido à crise humanitária atual. Vamos entender cada uma delas?

  • Recessão econômica e queda no padrão de vida

A Europa, que há décadas apresentava uma situação econômica e padrões de vida bastante satisfatórios, passou a enfrentar dificuldades, principalmente após a crise de 2008. Os países europeus começaram a apresentar maiores índices de desemprego e dificuldades econômicas, que levaram a adoção de medidas de austeridade fiscal – controle de gastos – por parte dos governos. Com isso, os padrões de vida dos europeus sofreram certo declínio, o que levou à insatisfação da população.

  • Aumento da imigração (crise migratória)

Em paralelo às dificuldades financeiras, esses países passaram a receber muitos estrangeiros devido à crise migratória – a maior desde a Segunda Guerra Mundial – enfrentada, principalmente, pelos países da África e do Oriente Médio. Esses imigrantes buscam abrigo no continente europeu devido a guerras, perseguição política ou dificuldades econômicas enfrentadas em seus países. Porém, eles são vistos como ameaças por parte da população europeia – que acredita que eles podem ocupar seus postos de trabalho ou sobrecarregar os serviços públicos, por exemplo – e passam a defender um maior controle das fronteiras. Essa situação faz crescer o sentimento de xenofobia e racismo em relação aos diferentes povos.

Esse contexto fez crescer a insatisfação dos europeus e fortaleceu a ideia do nacionalismo, que é uma ideologia relacionada à ideia de pátria, preservação das nações e defesa dos territórios e das fronteiras.

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Redes sociais: como elas contribuem?

Outro elemento que contribui para o crescimento da extrema direita, segundo o pesquisador Carlos Gustavo Poggio, são as redes sociais, pois através delas é possível disseminar informações que seriam bloqueadas pelos veículos de comunicação tradicionais. Por exemplo, conteúdos explicitamente discriminatórios ou violentos geralmente seriam evitados pelos veículos de comunicação mais consolidados, porém, nas redes sociais, esses conteúdos circulam com mais facilidade.

O que defende a extrema direita na Europa?

Os movimentos de extrema direita na Europa defendem o acirramento das fronteiras e a imposição de barreiras à imigração; o protecionismo na economia (são contra as tendências de globalização e a integração econômica dos países) e desejam fortalecer a identidade nacional. Os movimentos de extrema direita defendem a saída ou o fim da União Europeia – também chamados de eurocéticos.

O projeto da União Europeia tinha como ideal a cooperação e ajuda mútua entre os países, mas, em contrapartida, deve-se obedecer a certas regras comuns. Quando há uma sensação de que determinadas regras podem prejudicar seu país, o sentimento de cooperação é substituído pela ideia de nacionalismo.

Exemplos do fenômeno nacionalista na Europa

Para você entender melhor essa situação, o Politize! selecionou alguns exemplos de movimentos nacionalistas na Europa.

  • Partidos de extrema direita

Há vários exemplos de partidos de extrema direita na Europa, como é o caso da Alternativa para a Alemanha (AfD), a Frente Nacional na França (FN), o Partido da Liberdade da Áustria (FPO) e o Aurora Dourada na Grécia. Nas últimas eleições esse espectro político avançou na conquista de votos em diversos países europeus.

Esses partidos e movimentos têm em comum o ideal nacionalista, o desejo de saída da União Europeia e o controle rígido das fronteiras contra a entrada de imigrantes. O entendimento do estrangeiro como uma ameaça está relacionado à crença de que os interesses de uma pessoa que nasceu no país devem ser priorizados em relação aos estrangeiros.

  • Brexit

O Brexit significa “Britain” (Bretanha) e “Exit” (saída) e refere-se ao processo de saída do Reino Unido da União Europeia, conforme decidido em referendo pela população em 2016. Os principais motivos para essa decisão foram por razões econômicas e de controle das fronteiras.

Em relação à economia, o argumento é de que países mais ricos, como é o caso do Reino Unido, sustentam os mais pobres, como Grécia e Espanha, e que essa situação é injusta. E sobre a imigração, argumenta-se que o país não tem o controle efetivo das fronteiras, e isso contribui para a entrada de um grande número de imigrantes.

Movimento pró União Européia em Roma, Itália.

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Quais as consequências da extrema direita na Europa?

Como já explicamos, a insatisfação da população da Europa com a crise fez crescer pensamentos nacionalistas, isto é, a crença de que se deve proteger a economia e também a cultura do país de interferências estrangeiras. Nesse sentido podemos entender a proteção tanto em relação aos imigrantes e refugiados, quanto às interferências que os países acabam sofrendo por fazerem parte do bloco econômico. Portanto, para a União Europeia, a ascensão da extrema direita na europa apresenta como principal risco um enfraquecimento do bloco econômico.

A outra ameaça desse movimento está relacionada à fragilização das instituições democráticas, aos Direitos Humanos e ao crescimento de sentimentos xenófobos, racistas e de intolerância religiosa, muitas vezes vinculados à extrema direita. Segundo o historiador Moshe Zimmermann, por exemplo, o partido Alternativa para a Alemanha pode ser considerado um potencial nazista no parlamento alemão. Para Zimmerman, da mesma forma como se reagiu à crise em 1930 no país, esse partido estimula o medo e o preconceito e se utiliza de ideias simples para oferecer soluções aos problemas enfrentados pelo país.

Resumindo…

Neste texto falamos sobre o crescimento da extrema direita na europa, suas origens e os riscos desses movimentos. No caso da Europa, a crise econômica e a chegada de imigrantes ao continente são as principais motivações para o fortalecimento de comportamentos extremistas. Nesses momentos de crise há uma tendência maior para o surgimento desse fenômeno, que propõe soluções simples para os problemas que são complexos, geralmente considerando algum grupo da sociedade culpado ou como uma ameaça. Além do risco que esses movimentos podem representar para as minorias, na Europa, eles podem significar o enfraquecimento da União Europeia.

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Publicado em 8 de outubro de 2018.

Talita de Carvalho

Assessora de conteúdo no Politize!, formada em Economia pela UFPR e mestranda em Planejamento Territorial na UDESC. Acredita que pessoas bem informadas constroem uma sociedade mais justa.

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