RETROSPECTIVA 2018: RELEMBRE O ANO QUE PASSOU COM O POLITIZE!

O ano acabou e significa que é hora da retrospectiva 2018 do Politize! Vamos te lembrar sobre os principais acontecimentos da política nacional e internacional. Além disso, tem um bônus: dicas sobre pautas que você deve ficar de olho em 2019! Vamos lá?

Confira também este conteúdo em formato de vídeo:

1. INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO

Gabinete de Intervenção Federal inspeciona Batalhão da PM (Foto: Tânia Rêgo | Agência Brasil).

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Em fevereiro de 2018 o então presidente Michel Temer decretou, pela primeira vez desde o estabelecimento da Constituição de 1988, um estado de exceção. Assim, criava-se a intervenção federal no Rio de Janeiro, que foi encerrada no dia 31 de dezembro de 2018. Ora, claro que o fato inédito merece espaço na retrospectiva 2018 do Politize!

A ideia de realizar uma intervenção no estado já era estudada há mais de um ano, mas foi finalmente implementada em 2018. Uma reportagem do G1 destacou alguns dos principais fatos que reforçaram o colapso da segurança fluminense. Dentre eles estavam  aumento de 44% no nível de mortes violentas em 2017 em relação à 2012 e o maior número de roubos na rua registrados nos últimos 15 anos.

Assim, a decisão de realizar uma intervenção federal foi tomada após conversar com o governador do estado e o presidente da Câmara dos Deputados. No encontro, concluiu-se que a única alternativa para combater a violência era entregar o controle da segurança pública às Forças Armadas.

Resultados da intervenção federal no Rio de Janeiro

Encerrada no dia 31 de dezembro de 2018, a intervenção federal não teve os resultados esperados. Os dados, divulgados no último dia 15, são do Observatório da Intervenção.

  • Números positivos da intervenção
  • Redução de 5,5% no número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) em relação ao período de fevereiro à dezembro de 2017.
  • Redução de 14,4% no roubo de cargas, problema que prejudicava a economia estadual.
  • 15% menos agentes de segurança foram feridos durante a intervenção federal.
  • Números negativos da intervenção
  • Crescimento de 56% no registro de tiroteios.
  • Aumento de 40% no número de pessoas mortas pela polícia.
  • 161 pessoas foram atingidas por balas perdidas – quase uma a cada dois dias.

Com base nesses números, as conclusões do relatório não foram positivas. Estabeleceu-se que “a intervenção federal pelas Forças Armadas não resolveu os problemas estruturais de segurança pública do Rio”. Ainda foi acrescentado que, “na verdade” houve “o aprofundamento de erros históricos: a reafirmação da estratégia de confrontos armados, gastos concentrados em grandes operações e a ausência de uma reforma estrutural da política de segurança, há muito esperada no Rio de Janeiro”.

Você pode visualizar melhor os números da intervenção federal neste infográfico

Ficou curioso/a? Entenda mais com o Politize!:

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2. QUANTOS MAIS PRECISARÃO MORRER?, QUESTIONOU MARIELLE

Ato marca os 120 dias da morte de Marielle e Anderson Gomes (Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil).

retrospectiva 2018
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Um dos acontecimentos que mais impactaram o ano que passou foi o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL). O crime tem espaço garantido nessa retrospectiva 2018 não apenas pela violência, mas pela impunidade.

Na noite de 14 de março de 2018, Marielle – acompanhada por sua assessora parlamentar e seu motorista, Anderson Gomes – voltava de um evento quando o veículo em que estava foi alvo de tiros. Marielle e Anderson morreram na hora. Acredita-se que o crime teve motivações políticas.

Marielle tinha histórico de lutar por pautas de minorias, sendo a própria vereadora uma mulher, negra, LGBT, mãe e com raízes no Complexo da Maré. Tendo presidido a Comissão de Defesa da Mulher, Marielle tornou-se relatora da comissão criada para monitorar a intervenção federal na capital carioca um mês antes de ser assassinada.

O que se sabe sobre o Caso Marielle?

Foram necessários nove meses para que as primeiras prisões do Caso Marielle fossem feitas. A Polícia Civil do Rio executou mandados de prisão em 15 endereços, incluindo em Minas Gerais. Foram detidos milicianos suspeitos de envolvimento no crime. O G1 organizou, em uma reportagem, uma linha do tempo sobre os assassinatos de Marielle e Anderson.

A pressão sobre as investigações aumentou depois que a Polícia Civil do Rio descobriu um plano de milicianos para assassinar Marcelo Freixo. Envolvidos no planejamento da ação para matar o deputado federal eleito em 2018 com a segunda maior votação do estado estavam um PM e dois comerciantes.

Entenda mais sobre a questão:

3. A COREIA DO NORTE COMO FOCO MUNDIAL

Os presidentes Trump e Kim se reuniram no mês de junho de 2018, em Singapura (Foto: Dan Scavino Jr. | Wikimedia)

A retrospectiva 2018 não poderia deixar de relembrar dois momentos em que a Coreia do Norte chamou atenção dos noticiários mundiais.

Reaproximação das Coreias

Em abril de 2018, os líderes da Coreia do Sul (Moon Jae-in) e da Coreia do Norte (Kim Jong-un) protagonizaram um encontro histórico e anunciaram o fim de 65 anos de guerra entre os países. Após serem pressionados pela Comunidade Internacional por meio de sanções internacionais para a desnuclearização da região, os presidentes apertaram as mãos em um gesto simbólico.

Encontro explosivo: Trump e Kim Jong-un

O protagonismo da Coreia do Norte na política internacional não parou por aí. Em junho de 2018 os presidentes norte-coreano, Kim Jong-un, e estadunidense, Donald Trump, reuniram-se em Singapura. Os dois líderes, que viram a tensão nuclear se aprofundar entre seus países, buscaram traçar um plano para garantir a estabilidade na península coreana. Os primeiros passos para a desnuclearização total da região também foram discutidos.

Aqui vão algumas dicas de textos para você entender mais:

4. OS CAMINHONEIROS PARARAM E O BRASIL TAMBÉM

Greve dos caminhoneiros provoca fila para abastecimento no Rio (Foto: Tomaz Silva | Agência Brasil).

No dia 21 de maio de 2018, os caminhoneiros brasileiros inciaram uma greve que parou o país. A paralisação, motivada pelos aumentos sucessivos no preço do diesel, causou desabastecimento geral no Brasil. Postos de combustíveis, mercados, serviços públicos e privados foram diretamente afetados.

Vale lembrar que essa elevação de preço não afetou apenas os combustíveis. Como o transporte no Brasil é feito fundamentalmente por meio de rodovias, os produtos em geral tiveram seu valor aumentado.

Após diversas reuniões entre representantes dos caminhoneiros e do governo, foi anunciada a redução de R$ 0,46 no litro do diesel, resultando no fim da greve.

Veja mais em:

5. AS RELAÇÕES TENSAS COM A VENEZUELA

Refugiados da Venezuela desembarcam em Cuiabá (Foto: Antônio Cruz | Agência Brasil).

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Em maio de 2018, Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela com 67,7% dos votos válidos. O processo eleitoral, no qual houve abstenção de 54% da população, não foi reconhecido por vários governos, por suspeita de que ele não foi democrático e transparente.

O fluxo migratório vindo da Venezuela

A retrospectiva 2018 não pode deixar de destacar o aumento do número de imigrantes venezuelanos que buscam o Brasil como consequência da crise enfrentada há anos.

Apesar do Brasil não viver uma crise migratória – como o Politize! explicou no post “Migração no Brasil” –, Roraima vive. Sendo a principal rota de entrada de venezuelanos no país, Roraima é também um dos estados brasileiros mais pobres. É lá que estão 99% dos venezuelanos no Brasil. O alto número de imigrantes sobrecarregou a infraestrutura local e gerou graves tensões entre brasileiros e venezuelanos. Os moradores de Pacaraima, fronteira com o país de Maduro, chegaram a expulsar os imigrantes. O caso foi melhor explicado na retrospectiva de agosto de 2018, vai lá conferir!

Os inimigos de Maduro

A relação de Nicolás Maduro com outros líderes mundiais não é nada tranquila. O presidente venezuelano, que vive trocando farpas com Donald Trump, não parece ter gostado da aproximação entre Jair Bolsonaro e o governo estadunidense. Trump, que defende uma intervenção militar na Venezuela, conta com a simpatia dos presidentes brasileiro, Bolsonaro, e colombiano, Márquez, para o plano. Ambos os países fazem fronteira com o país de Maduro, o que permitiria que tropas norte-americanas adentrassem a Venezuela – caso as ideias de Trump um dia se concretizem.

Interessante, não é? Saiba mais com o Politize!:

6. A POLÊMICA POLÍTICA MIGRATÓRIA DE TRUMP

Abrigo de imigrantes menores de idade que foram separados de familiares na fronteira entre EUA e México (Foto: Handout/ U.S. Customs and Border Protection/ AFP).

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Falando em migração e em Trump, em junho de 2018, imagens de crianças imigrantes detidas em um armazém do estado do Texas foram divulgadas. Consequentemente, a política migratória dos Estados Unidos foi amplamente criticada. A “tolerância zero” de Trump para com a entrada irregular de pessoas no território norte-americano levou à criação de uma lei que separava pais e filhos detidos ao tentar chegar ao país.

Pressionado por diversos países, que afirmaram que a lei estadunidense violava os Direitos Humanos, Trump assinou – ainda em junho – um decreto que alterava a norma. Imigrantes irregulares continuaram a ser presos nos Estados Unidos, contudo eles não mais foram separados de seus filhos.

Saiba mais sobre o tema:

7. O QUE O POLITIZE! TEM A VER COM A COPA DO MUNDO DE 2018?

Torcida islandesa durante jogo contra Croácia (Foto: Светлана Бекетова | Wikimedia).

Muita gente pode ter achado estranho ver o Politize! entrando no clima de Copa do Mundo e falando de futebol, mas nós mostramos 5 vezes em que futebol e política se cruzaram e explicamos o motivo. Ora, é claro que um dos maiores eventos esportivos do mundo não poderia ficar de fora da nossa retrospectiva 2018.

Afinal, quem não se encantou com as “palmas de trovão” da torcida islandesa? O país é um ótimo exemplo de como o investimento em políticas públicas para o esporte melhoram a vida dos cidadãos. Além disso, a Copa do Mundo de 2018 trouxe outro tema à tona: o da xenofobia. Importantes jogadores falaram sobre o preconceito sofrido no meio futebolístico.

Quer saber mais? Confira:

8. LIVRE? PRESO? CANDIDATO?

Ex-presidente durante o primeiro dia do 6º Congresso Nacional do PT, em 2017 (Foto: Marques | Agência PT).

julho de 2018

No mês de abril de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva foi preso pela Operação Lava Jato. Condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, deu o que falar nacional e internacionalmente.

Lula foi impedido de concorrer à presidência pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no começo de setembro com base na Lei da Ficha Limpa. Só então o PT anunciou um novo candidato: .

Saiba mais com o Politize!:

9. AS CONTURBADAS ELEIÇÕES DE 2018

Acompanhado de agentes da PF e da mulher, Bolsonaro vota no Rio (Foto: Tânio Rêgo | Agência Brasil).

O processo eleitoral que levou Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República não poderia faltar na retrospectiva 2018 do Politize!. Além de todo o “toma lá, dá cá” em torno da possibilidade de ser candidato, uma série de eventos esquentaram o país:

Ataque a Bolsonaro

Em setembro de 2018, o então candidato à presidência Jair Bolsonaro sofreu um atentado a faca, durante um evento de sua campanha eleitoral. O autor do crime, Adélio Bispo de Oliveira, confessou o crime à Polícia Federal, que afirmou que o agressor agiu sozinho, motivado por discordância política.

O primeiro turno das eleições

No dia 7 de outubro de 2018, os brasileiros foram às urnas para o primeiro turno das eleições de 2018. Da votação, surgiu uma renovação nos representantes da população: 47,3% das cadeiras do Congresso Nacional foram ocupadas por novos parlamentares. O Congresso eleito também foi o mais conservador de todos os tempos, segundo o analista político Antônio Augusto de Queiroz.

Já a disputa presidencial foi para o segundo turno, com Jair Bolsonaro atingindo 46,1% dos votos válidos, contra 29,19% de .

Polarização e violência

Nos dias que antecederam o segundo turno das eleições, o Brasil viveu um período polarizado, no qual diversos casos de violência motivada por política foram noticiados. A intolerância na discussão de política foi aprofundada pelas milhões de notícias falsas divulgadas em redes sociais. A disseminação de desinformação afetou profundamente o processo eleitoral, já que cerca de 60% dos eleitores informaram-se principalmente por redes sociais, segundo pesquisa da empresa MindMiners.

O segundo turno das eleições

Em 28 de outubro de 2018, os eleitores brasileiros voltaram às urnas e Jair Bolsonaro foi eleito presidente com 55,13% dos votos válidos. A apuração, no entanto, também revelou o maior nível de abstenção desde 1989: 42 milhões de pessoas votaram branco ou nulo para presidente. Ou seja, 7,4% do eleitorado. Esse número pode ser explicado por diversos fatores, como descrença nos políticos brasileiros e a decepção diante dos escândalos de corrupção.

O Politize! preparou uma linha do tempo das eleições na retrospectiva de outubro de 2018, vai lá olhar! Além disso, confira estes conteúdos:

10. OS PRIMEIROS PASSOS DE BOLSONARO

Bolsonaro visita o Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (Foto: Rafael Carvalho | Agência Brasil).

Após eleito presidente da República, Jair Bolsonaro dedicou-se a organizar o time que assumiria o país ao seu lado. Um dos fatores mais importantes foi a indicação dos ministros. Ao todo, serão 22 ministérios – 7 a menos do que o último governo, que contava com 29 pastas, porém 7 a mais do que o prometido na campanha eleitoral.

Para diminuir esse número, Bolsonaro criou os chamados “superministérios”, que unem pastas antigas em uma só. É o caso do superministério da Economia, que será liderado por e inclui os ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio.

Você pode conferir quem fará parte do governo Bolsonaro e quais serão os ministérios existentes nesta matéria d’O GLOBO.

Fique ainda mais por dentro:

PARA FICAR DE OLHO EM 2019

2019 tem tudo para ser um ano intenso na política brasileira e mundial. Aqui são alguns tópicos que você deve ficar de olho:

Escola Sem Partido

O Projeto de Lei foi arquivado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados em dezembro, mas isso não significa que no próximo ano ele não poderá voltar à pauta. O Politize! já falou sobre o Escola Sem Partido, vai lá conferir!

Outros projetos de lei que serão votados: a criminalização da LGBTfobia e a descriminalização das drogas. Saiba mais sobre os dois pontos nesta reportagem da EBC.

Quer saber mais? Leia nossa trilha! Drogas: qual o melhor modelo?

Reforma da Previdência

A Reforma da Previdência não pôde ser votada em 2018, já que Constituição de 1988 proíbe a votação de qualquer Proposta de Emenda Constitucional (PEC) durante uma intervenção federal, como a no Rio de Janeiro. Entretanto, Bolsonaro já deixou claro que ela será prioridade em seu governo.

Privatizações

Outra coisa que Bolsonaro já indicou como prioridade em seu governo é a privatização de estatais. O presidente já sinalizou que estatais como os Correios e a Petrobras estão na mira para serem vendidas.

Banco Central

A autonomia do Banco Central será votada em 2019. O Politize! já explicou o que é o Banco Central e o quais são os planos de Bolsonaro para a entidade. Vai lá dar uma olhada!

E então? Bastante coisa aconteceu esse ano, mas você contou com o Politize! para te lembrar dos principais eventos políticos nas nossas retrospectivas mensais. Isso não vai mudar em 2019, hein! Acompanhe com a gente, fique por dentro de seus direitos e exerça sua cidadania. Só assim poderemos melhorar a democracia em nosso país. Um bom 2019 a todos nós!

Gostou da nossa retrospectiva 2018? Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários!

Aviso: mande um e-mail para contato@politize.com.br se os anúncios do portal estão te atrapalhando na experiência de educação política. 🙂

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Publicado em 03 de janeiro de 2019.
Pâmela Morais no Politize!

Pâmela Morais

Assessora de conteúdo no Politize! e graduanda de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Quer ajudar a tornar um tema tido como polêmico e muito complicado em algo do dia a dia, como a política deve ser!